domingo, 27 de julho de 2008

Projeto Rocky Balboa

Aos 15 anos, eu tinha porte magro, o jeitão de CDF e usava óculos, o que me condenava a tomar uns petelecos dos meninos maiores a cada recreio. A diferença dos outros nerds é que eu cismava em revidar. Claro que eu apanhava na maioria das vezes, mas evitava levar desaforo na mochila.

Um belo dia, decidi seguir o exemplo de Daniel LaRusso (o magricelo do "Karatê Kid", lembra?) e fazer algum esporte de luta. Karatê não me apeteceu. Eu queria algo polêmico, controverso. Alguma luta que gerasse burburinhos. Não deu outra. Dias depois, eu raspei a cabeça e comecei a fazer jiu-jitsu. Minha mãe quase teve um troço.

- Meu filho virou um marginal.

Maneiro!

Curiosamente, nunca mais arrumei confusão na escola. Nem na faculdade ou pelos anos e anos que se seguiram.

DIA D: MANHÃ DE SÁBADO, 26 DE JULHO DE 2008

O garoto CDF cresceu, mas continuou usando óculos e com ar de nerd, mas já não estava tão magro. O moleque virou homenzinho e, finalmente, estava realizando um sonho: competir em um torneio internacional.

Quando pisei naquele ginásio cheio, com família na arquibancada e amigos no canto, senti uma alegria inexplicável. Como se eu estivesse dizendo para um monte de gente que ninguém deveria me dizer o que eu sou ou não capaz de fazer.

SETE DIAS ANTES DO DIA D

Maldita balança! Faltando uma semana para o campeonato, eu estava acima do peso e seria desclassificado antes de lutar. Ou eu perderia o excedente ou meu sonho iria para as cucuias. Optei pelo primeiro. Minhas refeições passaram a ser mato e carne branca. Isso significou muita fome em meu ser.

- Liga não. Mais de um terço da população passa fome. Você é só mais um - esse era o naipe de conselho que eu ouvi durante esses dias inglórios.

Fora as saladinhas, eu corria, pedalava e treinava.

Sai peso extra! Sai desse corpo atlético que não te pertence. Some!

VÉSPERA DO DIA D

Pisei na balança com um olho aberto e outro fechado.

83,1...

Para competir, eu precisaria estar com 82,6 kg.

Danou-se tudo!

Assim que cheguei (faminto) do trabalho, fui pedalar uma volta e meia no globo terrestre e esturricar mais uma noite na sauna.

Deus, me deixa competir amanhã.

Fui dormir uma das noites mais preocupadas e famintas dos meus trinta anos de vida.

QUINZE DIAS ANTES DO DIA D

- Você ficou maluco? Você perdeu o juízo? Isso é coisa de desocupado. Você vai se machucar feio. Você não é bom o suficiente.

Esses foram as frases mais animadoras que eu ouvi da minha família assim que anunciei que iria competir. As frases pessimistas eu preferi esquecer.

VÉSPERA DO DIA D (DE NOVO)

Saí para almoçar mais uma saladinha cretina. O garçom me trouxe um prato entulhado de cebola. Comi cheio de raiva, mas com foco no peso a menos.

Voltei para o escritório odiando ainda mais as saladas. Fiquei só com os meus pensamentos, até que...

- Hmmm, que cheiro de cebola aqui dentro? Alguém foi à feira?

Estou podre a cebola. Vergonha, vergonha, vergonha...

DIA D: DEZ MINUTOS ANTES DA LUTA

Eu estava com o coração apertado. Se eu não estivesse dentro do peso, todo o sacrifício teria sido em vão. O ginásio estava cheio e o clima parecia de uma Olimpíada. Eu queria muito participar daquilo tudo. Vesti o kimono e fui para a pesagem com a lembrança da noite anterior... 83,1.

Pisei na balança e...

79,4

Ueeeeeeeeeeeeeba!!!!

Entrei no espaço antes do ringue e o juiz me deu uma dura.

- Com essa faixa você não pode competir. Arranja uma decente,

Pó, minha faixa estava comigo há anos. Claro que estava meio desfiada e tal...

Desesperado, fui pedir uma faixa emprestada a outro atleta. Um francês foi gente fina e me emprestou.

Acabou? É ruim, hein?

- Seu kimono não está nas medidas. Troca ou você será desclassificado.

Taquelpariu! Taquelpariu! Taquelpariu!

Saí do tatame já tirando a roupa. Um amigo estava por perto e também iria competir. Trocamos de roupa ali mesmo. Dois marmanjos de cueca em pleno ginásio lotado.

Bom, se eu não for desclassificado por atentado ao pudor, tudo bem!

Enfim, o juiz permitiu que eu lutasse.

- Combate!

Era para valer! Eu estava competindo!

Iupiii!

Caí por cima e com domínio da luta.

Estou em vantagem! Estou em vantagem! Estou por baixo! Estou ferrado! Perdi!

Minha aventura durou três minutos e quinze segundos antes do nocaute. Olhei para minha família na arquibancada, para os amigos no canto. Senti que desapontei muita gente.

- Doug, levanta a cabeça - meu professor gritou. Eu obedeci É por isso que o jiu-jitsu é tão importante na minha vida: para me ensinar a levantar a cabeça e virar o jogo.

DIA D: CINCO HORAS DEPOIS DA LUTA

Acabou? Não. Eu fui inscrito para outra categoria e teria mais uma chave no mesmo dia. Dessa vez, não haveria restrições de peso, então eu poderia comer à vontade antes. Seria mais ou menos como uma roleta russa: eu poderia enfrentar um cara de 180kg ou um de 50kg. Tudo nas mãos do acaso.

Já com um outro kimono e uma faixa emprestada, fui ver qual seria a minha surpresa. Entre muitos gigantes gringos, meu oponente foi um brasileiro do meu tamanho. Menos mal...

O ginásio já não estava lotado. Minha família havia ido embora. Da minha equipe, só ficaram dois. Seja lá como fosse, eu teria poucas testemunhas.

Seis minutos depois, o combate acabou e havia um empate. A decisão seria pela interpretação dos juízes.

Comigo nada é fácil. Caramba!

Eis que o juiz levantou o meu braço. Eu ganhei!

Ganhei! Ganhei! Ganhei! Ganhei!

Como sempre, pouca gente estava lá para me ver. Não tinha família, musas ou amigos. Só eu.

Ganhei! Ganhei! Ganhei! Ganhei!

Logo depois, eu perdi a próxima luta. Estava exausto pelo dia e não fiquei chateado. Eu já havia conseguido o que queria.




QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, você passou esse tempo sem escrever e já voltou com a corda toda. Achei que essa sua epopéia não teria mais fim. Ufa! Bom, você continua com essa estranha síndrome de Charlie Brown. Não se lamente por vitórias sem testemunhas. Fique triste por não ter vitórias para contar. Acho que essa sua história reflete mais o "conseguir" do que o "vencer". Isso é o principal combustível de cada dia, garoto: superação e perseverança. Que nem já dizia o titio Rocky Balboa. No mais, fico feliz por você ter se divertido e ter voltado a comer normalmente. Acompanhei de perto o seu drama e acho que você não merece que eu te sacaneie dessa vez. Bom, merece sim. Da próxima vez, verifique se há pilhas na sua câmera antes de um momento único na sua vida. Amiguinhos, se dispor a ajudar demonstra que você se importa. Tente sempre ajudar as pessoas. Até a próxima!



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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Mea culpa...

A lojinha está sem renovação de estoque, mas não foi esquecida. Mesmo me rasgando de saudade de escrever por aqui, meus últimos dias foram impiedosos e o tempo se tornou um artigo de luxo. Como não quero publicar qualquer "texto-enche-lingüiça", lamento a ausência e me desculpo com minha dúzia de onze leitores - família incluída.

Vencido o turbilhão, terei tempo para contar o que diabos foi o Projeto Rocky Balboa e relatar algumas novas aventuras passadas em garagens de prédios. Também será o momento de escrever sobre o poder de influência das musas. Enfim, idéias não faltam (graças a Deus). O que me trucida é o tempo, ou melhor, a falta dele.

Para o alto e avante!
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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Reações inesperadas

Um dos aspectos que torna a mulher um ser complexo é sua total imprevisibilidade. Elas são a esfinge, a localização do El Dorado, as ruínas de Atlântida, o sopro de Deus... sei lá. Há tanto mistérios ao redor da essência feminina, que só há uma saída: apaixonar-se completamente e dedicar uma vida (ou mais de uma, se possível) à divertida missão de contemplação. Então, contemplando aqui, ali e acolá, de vez em quando, a aura enigmática da mulher se manifesta. E, com um pouco de sorte, pode até render pauta para blogs desavergonhados como esse. Saca só essa historinha...

Era para ser um feriado perdido no calendário, mas surgiu a chance de viagem a um sítio isolado no interior do Rio. Recebi um convite e topei. Os dias no cândido recanto na Floresta Atlântica não renderam grandes emoções, mas o retorno foram outros quinhentos. Quis o destino que sobrasse para meus ombros cansados o terrível fardo de dar carona a três mocinhas que moravam nas minhas redondezas.

Enquanto dirigia, fiquei analisando o cenário e ponderando se valia a pena tentar a sorte com uma das três.

Ó, que dilema. Até parece que eu não iria fazer isso...

Papo vem, papo vai... tomei uma das decisões mais óbvias de minha biografia: tentar a sorte com uma delas, a menina de cabelos castanhos que estudava teatro. Feliz da vida, ignorei um detalhe importante no projeto: a menina morava antes das outras duas.

Logística, rapaz, logística...

Nesse momento, apelei. Usei uma desculpa tão esfarrapada, mas tão esfarrapada, que meu inconsciente fez o favor de apagar da memória. Foi algo do tipo:

- Olha, vou deixar elas duas primeiro, aprendo o caminho e depois volto para te deixar. É para não me perder na volta para casa.

Esse foi uma das frases mais absurdas e desprovidas de nexo que eu já disse. Como eu poderia me perder no caminho que faço todo santo dia???

Elas gargalharam. Eu gargalhei. E ficou por isso mesmo.

Eu mesmo me racho a cara de vergonha às vezes.

Deixei as duas empatas em casa e voltei para fazer o approach na gatinha. Estávamos diante do prédio dela, carro parado e música light no ambiente.Tudo no esquema, e, de repente... baixou o Balloubet du Rouet em minha pessoa. Saí do carro, tirei as malas dela, dei dois beijinhos e fui embora sem compreender minha atitude.

Corta para dois meses depois...

Encontrei com a tal estudante de teatro em uma festa qualquer. Já soltinha por uns drinks a mais, ela me chamou no canto.

- Lembra o dia em que voltamos do sítio?

- Lembro.

- Lembra do momento em que você foi me deixar em casa por último?

- Sim, claro.

- Era óbvio que você iria tentar alguma coisa comigo.

- Pois é...

- Enquanto você dirigia, eu pensei em duzentos foras educados para lhe passar.

- É mesmo?

- Mas, você não fez absolutamente nada. Você me passou uma cantada explícita, deixou minhas amigas em casa e... não fez absolutamente nada depois.

Fiquei mudo.

- Nunca fiquei tão indignada, tão revoltada, com um homem como naquela noite. Você tinha a obrigação de chegar em mim.

Eita!

É ou não é impressionante?


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, ainda bem que o seu inconsciente deletou a sua brilhante argumentação sobre a melhor forma de deixar três garotas em casa seguindo uma lógica assustadoramente estúpida. Sorte sua, mas o contexto deve ter sido aquele mesmo. Bom, tirando essa sua lição de como manter seus objetivos discretos, acho que o imprevisível foi você. Seguindo uma normalidade, você deveria passar uma conversa mole na guria, e ela deveria lhe dar um toco de cinema. Essa era a lógica. Como você abortou a missão, houve uma ruptura na ordem do universo e os reflexos se manifestaram nos dois. Você voltou para casa de mãos abanando e ela teve que guardar o discurso de "passa amanhã" para outro mané. E, outra coisa, não se preocupe em entender a mulherada. Nem elas se entendem. Amiguinho, em uma mesa, sempre puxe a cadeira para a dama sentar. Até a próxima!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O dia em que virei música sertaneja

Quando completa 20 anos, o homem tem muito a provar. Resumidamente, ele tem que demonstrar responsabilidade, mostrar para as mulheres que dá conta do recado, ter pique para sair durante a semana e ir trabalhar no dia seguinte, estudar nas brechas de tempo e fingir que tudo está na mais plena normalidade. Enfim, o cara tem que mostrar que já saiu da barra da saia da mamãe.

Aos 20 aninhos, eu conheci uma garota de Petrópolis e a gente saiu algumas vezes. Em um belo e formoso dia de inverno, ela me ligou e fez um convite para um programinha a dois na serra. Nesse momento, quase ouvi meus espermatozóides gritando enlouquecidamente:

- Primeiro eu! Primeiro eu! Primeiro eu!

Demorei 0,00000001 segundo para tomar uma decisão cientificamente estruturada.

- Demorou! Te encontro no sábado.

Tudo agendado e eu só precisava do carro para subir a montanha, encontrar a menina e lhe proporcionar uma experiência singular. Algo que a deixaria com um sorriso de orelha a orelha por toda a eternidade. Sim, sim, eu era muito fanfarrão. Mas, voltando ao pequeno detalhe do automóvel, nem esquentei a cabeça. Meu pai entenderia a minha situação e me entregaria a chave do carango com a sensação de dever cumprido. No dia D, fui pedir o meu passaporte para a felicidade.

- Nem que a vaca tussa.

Hein?

Tentei argumentar com toda a seriedade e responsabilidade. Prometi ter todo o cuidado do mundo, não beber, não passar dos 80km/h, praticar a direção defensiva, usar o cinto, respeitar a sinalização, guardar o carro, pagar a gasolina...

- Nem que a vaca tussa.

- Mas, pai, a menina é estupidamente linda! Você não me deixaria passar essa vergonha diante dela, né? - apelei para o instinto de macho do meu velho. Ele já foi garoto um dia.

- Nem que a vaca tussa.

- Quer saber? Não preciso do carro. Vou de ônibus. Lá eu me viro. Se algo me acontecer, a culpa será sua... e blá-blá-blá-blá.

- Vai mesmo?

- Vou.

- Então é melhor correr, pois a rodoviária só tem ônibus para Petrópolis até as 9.

Ai, ai, ai... meu pai é um ogro!

Havia chegado a hora do meu rito de passagem. Eu jamais passaria aquele sábado em casa. Mais do que subir a serra e papar a garotinha, eu estava diante de um desafio moral para minha masculinidade. Troquei de roupa, peguei uma grana e fui à luta.

Da minha casa até a rodoviária, foram quase duas horas de ônibus. De lá para Petrópolis, foi mais uma hora. Do centro da cidade até a boite onde ela poderia estar, foram mais trinta minutos e uma fortuna no táxi. Teria que valer muito esse sacrifício.

Aliás, tudo às escuras, pois até então, eu só tinha um telefone e um local onde ela poderia estar. Eu teria que confirmar maiores detalhes, mas deixei para depois e esqueci.

Só quando pisei fora do táxi fui lembrar de um detalhe: Petrópolis é uma cidade serrana e seu clima não é o mesmo do Rio de Janeiro. Fazia um frio glacial e eu estava vestido com uma reles blusa de linha. E para piorar, ventava pra cacete! Ô cidade de vento gelado. Cada rajada de vento congelava até meus ossos.

Liguei para a menina e nada. Só sinal de ligação incompleta. Tentei mais uma vez. E mais uma . E mais outras vinte. Nada.

Já que estava na frente da boite, resolvi entrar. Conferi as reservas financeiras e vi que teria que botar as próximas despesas no cartão de crédito.

Santo dinheiro de plástico.

Entrei na fila e aguardei a entrada com um frio lazarento. Chegando perto da entrada, fui tomado pelo pânico:

"Não estamos recebendo nenhum cartão de crédito", dizia uma plaquinha.

Danou-se! Danou-se muito!

O cenário não poderia ser mais bacana: a garota sumiu, estava com pouco dinheiro, a boite não aceitava cartão, fazia um frio ártico, não conhecia ninguém e só haveria outro ônibus para o Rio na manhã seguinte. Decidi voltar para o centro da cidade de ônibus e depois de esperar quase três horas consegui uma condução. Exausto, eu ainda precisaria matar o tempo até o primeiro horário da linha Petrópolis-Rio. Não resisti e dormi em um banco de praça, tal e qual cantado por Bruno e Marrone. Só acordei com o dia claro e uma velhinha fazendo cooper. Ela me fuzilou com um olhar de reprovação do tipo "ah, essa juventude bêbada".

Voltei para casa amassado, dolorido, cansado, sem ter comido ninguém e com o orgulho pisoteado. Horas e horas depois, a desgraçada, quer dizer, a menina que motivou minha aventura me telefonou:

- Oi, vi que você me ligou algumas vezes. Eu tive que viajar para Minas e ficou fora de área. Tentei lhe avisar, mas não consegui. Espero que você não tenha subido a serra sem confirmar comigo. Não, acho que você não faria isso.

Eu? Imagina.




QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho impulsivamente descerebrado, sua atitude foi estúpida, mas típica de alguém com 20 anos. Aposto que você cresceu e aprendeu a lição, mas ainda faz esse tipo de presepada. É bem do seu feitio. Agora, anote essa outra dica no seu caderninho do Jáspion: por mais que você queira provar algo (e isso ocorre todo santo dia), tente tomar suas decisões com o máximo de informações possíveis. Conclusões baseadas apenas no emocional atrapalham a execução e a finalização. Amiguinho, cachorros são camaradas, mas tenha sempre cautela ao brincar com um totó desconhecido. Até a próxima!

domingo, 6 de julho de 2008

Mundo bizarro (ou o dia que não fez sentido)

Você lembra do Bizarro? Ele era um dos vilões do desenho dos Superamigos e representava uma versão tosca do Super-Homem. Vindo de uma realidade distorcida, deformada, ele era o inverso de tudo que conhecíamos ou fazia sentido culturalmente. Pois bem, no último dia 2 de julho eu estive no mundo do Bizarro.

Sem compreender bem, eu estava no Maracanã (ele, mais uma vez), porém não era do jeito que sempre estive. Ao contrário de dezenas de outras vezes, eu pisei naquele território sagrado sem vestir vermelho e preto. Pois é, enquanto milhões de tricolores se matavam por um ingresso, eu, flamenguista convicto, estava na torcida pó-de-arroz acompanhando a final da Copa Libertadores da América.

A materialização dessa anomalia foi para deixar meu pai feliz. Nunca fui tãããão sintonizado com ele, pois nossas afinidades nunca foram as mesmas (a começar pelo time de futebol e seguindo por uma cacetada de coisas). Rola um respeito imenso, mas nossas crenças não costumam se encontrar e isso acaba criando uma distância. Mas, fazer o quê, né? Pai é pai e decidi levar o coroa ao Maraca para que ele visse o Fluminense ser campeão. Pelo meu lado, a situação era bem simples: ou eu veria uma histórica vitória tricolor ou acompanharia in loco a desgraça de um rival.

Logo que entrei nas dependências do estádio, veio uma paranóia horrível, um medo cavalar que percorreu toda minha espinha...

E se algum tricolor me reconhece por aqui? Eu posso ser linchado.

Segurei a onda e mantive a calma.

Tudo vai dar certo. Tudo vai dar certo.

Uma vez acomodado nas cadeiras azuis, comecei a relaxar. E a primeira ação foi procurar algo para sacanear os tricolores depois. A observação inicial foi bem positiva: como havia mulheres bonitas ali. Os caras eram todos feios, mas a mulherada era de se tirar o chapéu. Não por acaso, ficamos logo abaixo de uma torcida organizada chamada... "Flu-Mulher". Como seria uma briga na "Flu-Mulher"? Tapas e puxões de cabelo? Seria uma torcida de mães preocupadas com seus pimpolhos no estádio perigoso? Acho que não, pois aí seria "Flu-Mãe", o que não pegaria muito bem.

Coisas do Fluminense e do seu Mundo Bizarro...

Pouco antes do apito inicial, uma abertura espetacular. Tirando o patético pó-de-arroz, a torcida fez uma festa extraordinária com fogos, sinalizadores, bandeiras, coreografias e música. As imagens no telão colaboraram com cenas dos jogadores e mensagens otimistas. Admito sem receio que fiquei impressionado. Meu pai, de queixo caído, quase foi às lágrimas. Ver o cara feliz me deixou feliz. Nessa hora, desisti de secar o Fluminense. Já que estava no Mundo Bizarro, eu faria parte dele.

Bola rolando e em poucos minutos aconteceu o improvável: gol da LDU. Como conseqüência, um silêncio de sepultura tomou conta do público. Foi nesse instante que eu fiz algo ainda mais imprevisível que o próprio gol da LDU.

- Neeeeeeeense! Neeeeeeeense! Neeeeeeeense!

O que eu estou fazendo?

Não sei como pude, mas eu puxei o coro para animar a torcida. Com o estádio inflamado, o tal do Thiago Neves se tornou decisivo e fez um gol. Depois mais um, e depois outro. O Fluminense poderia ser campeão e eu estava vibrando (não muito, mas estava vibrando).

Meu pai estava orgulhoso e cantava comigo todas aquelas músicas chatas dos tricolores. O título poderia vir sem prorrogação e sem penais. Mas não veio nos 90 minutos. E nem na prorrogação. Só restavam os pênaltis.

Aí você já sabe o que aconteceu. O escrete com a camisa de cortina de cantina italiana cobrou as penalidades de forma bisonha e o time equatoriano ficou com o caneco.

Olhei ao meu lado e meu coração se despedaçou. Meu pai, com os olhos de peixe morto, estava sentado e incrédulo. Resmungou algumas palavras sem sentido, xingou o Renato Gaúcho, avacalhou o Washington e logo foi tomado pelo silêncio.

O Mundo Bizarro começou a se desfazer e eu odiei o Fluminense como nunca antes. Nesse instante, eu constatei que eu não torci pelo raio do time das Laranjeiras: eu torci pelo meu pai. Eu fiz aquilo que quero receber de um filho meu um dia. Eu queria ser cúmplice de uma imensa alegria do meu velho pelo menos uma vez. Eu queria que ele soubesse sobre o meu amor e admiração de uma forma não verbalizada. O Fluminense não deixou.


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QUAL A MORA DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, conhecendo você como conheço, posso lhe afirmar duas coisinhas. A primeira é que sua passagem pelo purgatório foi encurtada. A segunda e mais importante é que esse foi um dos gestos mais nobres que você já fez. A lição que espero ter lhe atingido é que a vida sempre nos apresentará inúmeras situações em que não poderemos ser teimosos como burros empacados. Sabe, nossas intransigências podem nos privar de momentos bacanas, como a sua noite no Maracanã torcendo para esse time hediondo. Amiguinho, desligue seus aparelhos elétricos durante tempestades. Até a próxima!


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Pânico no shopping

Quer ver um homem tenso? Solte o coitado em um shopping e diz "compra uma roupa legal para uma garota. Não vale nada clássico". Peraí, como assim "legal"? O que é "clássico"? Para mim, legal é um camisa branca básica e um jeans. Clássico idem.

Danou-se!

Tirando os metrossexuais, os homens e a moda vigente são elementos quase incompatíveis. Ou você, leitora, acha que um galalau vai acompanhar o São Paulo Fashion Week para se antenar sobre as últimas tendências da coleção primavera-verão? É ruim, hein!

Aliás, um parêntesis: esse termo metrossexual é digno de nota. Originalmente, foi um adjetivo esquisitão criado para classificar as atitudes pomposas do David Beckham e outros marmanjos mais delicados com seus guarda-roupas. Dizem que não deprecia a macheza do indivíduo, mas ainda estou para ver um sujeito que vista essa camisa e fique tranquilão.

Parêntesis longo esse...

Voltando ao tema, homem dentro de uma loja feminina é um peixe fora d'água em 95% dos casos. Eu, por exemplo, sempre peço ajuda às universitárias. Quando preciso comprar presentes femininos (leia-se roupas), eu convido uma amiga que tenha o perfil da presenteada para um passeio entre vitrines. Como o shopping-center é quase um playground para a mulherada, sempre arrumo um apoio tático imediato. Mas, e quando há urgência e o suporte está indisponível?

Não é garantia absoluta, mas percebi alguns detalhes que são uma mão na roda. O primeiro é observar a loja. Quanto mais vendedoras gatas e clientes tchutchucas, melhor é a loja. Deve ter preço bom e produtos interessantes. Mulher sabe identificar uma liquidação com olhar clínico.

Já dentro do covil, o lance é conquistar a simpatia da vendedora. Não entenda que é para praticar sua técnica de galanteio com a infeliz. É preciso fazer com que a sua atendente sinta vontade de lhe ajudar. Claro que todas são forçadamente amistosas e querem lhe vender o vestido mais caro da loja, mas dá para descolar uma consultoria imediata. Como? Como? Humildade, efeito comparativo e elogios.

- Olha, estou procurando uma roupa para uma amiga, mas sou um desastre para escolher. Preciso de ajuda e acho que você tem bom gosto. Ah, ela é magra assim como você.

Abracadabra!

"Sou um desastre", "você tem bom gosto" e "magra como você". Três colocações mágicas e a vendedora só ficará contra você se não tiver um pingo de amor no coração.

Por mais alheio que você seja ao mundo fashion, é vital que seu bom senso esteja em alerta. Desconfie se a sua nova amiga vendedora quiser lhe empurrar uma blusa laranja-bergamota com bolotas verde-incandescentes. Pode ser a sensação em Milão, mas nada tão berrante sobrevive mais que dois meses. Uma peça dessas está condenada a virar pijama ou doação para a campanha do agasalho.

E tenha discernimento. Ter ficado bem na Ana Hickman não quer dizer que ficará bem na sua presenteada. Ainda mais que até uma camisa promocional com as inscrições "Totonho para Vereador" ficaria bem na Ana Hickman. A parada é não forçar a barra.

Quer saber? Se o bicho pegar, amigo macho desconhecedor do badalado mundo da moda, mude a estratégia e dê um elegante presente de uma sex-shop.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho Surfista, para quem se diz tão avesso ao universo da moda, você esteve bem à vontade nesse tema. "Sensação em Milão", "tendência primavera-verão", cores fora de contexto, metrossexualidade... hmmmmm, David Beckham está perdendo um novo coleguinha no seu clube. Bom, mas cada um com seu cada um. Saca só as palavras imortais de He-Man: moda é cíclica e não muda a vida de ninguém (exceto a da Gisele Bündchen). Vai, volta e vai de novo. Calça com boca de sino foi show de bola, virou brega e depois voltou a povoar as vitrines. Já o bom gosto dura para sempre. Comprar uma roupa é um exercício de sensibilidade e reconhecimento às características da sua amiga. Dependendo do caso, uma blusinha da C&A pode ter um efeito mais positivo que uma comprada numa grife. Amiguinho, tenha disciplina na hora de fazer a sua lição de casa. Nada de TV ligada ou coisinhas que tirem sua atenção. Até a próxima!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A aldeia global do Papai Smurf #8

NA TELONA: Para começo de conversa, Papai Smurf precisa levantar alguns pontos importantes: 1) esse não é um filme de ação com pancadarias frenéticas, 2) Rodrigo Santoro não é a estrela, como aparece no poster, e 3) nessa trama, os brasileiros não são índios. Então o que resta em "Cinturão Vermelho", do renomado David Mamet? Um filme quase oriental sobre a essência do jiu-jitsu e a honra de cada indivíduo diante dos apertos da vida. Rapidamente, a trama gira em torno de um norte-americano professor de jiu-jitsu casado com a irmã de dois profissionais da luta (um empresário inescrupuloso e um lutador famoso) - todos brasileiros. A partir de um incidente no seu tatame, as rotinas de todas as pessoas ao redor do tal professor são chacoalhadas e levadas a extremos. Cada um se vê diante de uma provação imensa e as soluções encontradas são as mais diferentes. O roteiro e os diálogos fluem bem até os últimos vinte minutos. Daí para frente, a história descamba para o maniqueísmo danado e, de uma hora para outra, muitos personagens legais ficam rasos como um pires. E ainda tem uma luta final, um mestre ancião que surge do nada, uma lição de moral e mais uma penca de clichês desnecessários. Smurf Gênio gostou do tratamento respeitoso dado ao Brasil no filme. Smurf Robusto ficou surpreso com a participação correta do Randy "Natural" Couture como comentarista de TV. Smurfette dormiu.


NA TELONA: Em poucas palavras: o filme mais mulherzinha de todos os tempos. E nem por isso é ruim. Ainda está rendendo papos em mesas de bar, então, se você não quiser ficar de fora, vá conferir as novas aventuras de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Piadas espontâneas

Imagine uma conversa informal. Papo vem, papo vai, e de repente alguém se dirige a você com algum termo que ficou mal-entendido ou que realmente nunca passou por seus ouvidinhos. Se você for uma pessoa evoluída, superior e desencanada, imediatamente calçará as sandálias da humildade e informará que nunca ouviu tal coisa em sua vida.

- Perdoe minha ignorância, mas não tenho a menor idéia do que isso se trata.

Perceba a elegância da frase. Você não entendeu, mas quer enriquecer seus conhecimentos. Bravo! Mas, você pode também recusar-se a dar o braço a torcer e fingir que a tal coisa é corriqueira no seu vocabulário diário. Você sorri com naturalidade e deixa o barco correr. Sem dar muita bandeira, pode até perguntar a um amigo mais chegado do que diabos estavam falando. Em alguns casos mais legais, esses desentendimentos causam piadas espontâneas. Veja só...

Marlene é a fiel escudeira de Verônica, grande amiga minha. Enquanto Verônica está no batente, Marlene gerencia a casa e deixa tudo nos conformes. A residência funciona que nem um relógio suiço, graças à competência da funcionária e à confiança da patroa.

Um belo e mimoso dia, Verônica entregou uma lista de compras à fiel colaboradora com um nota de R$ 100,00.

- Marlene, taqui a lista e taqui a grana. Não tenho uma nota menor, então compra tudo que está anotado, pega o troco e completa com coisas para a casa.

- Sim, senhora. Mas, compro alguma coisa especial?

- Não sei. Pega o troco e compra algo para a casa.

- Algo?

- Sim. Manda ver.

Com Marlene era missão dada e missão cumprida. Saiu para o mercado e separou os produtos indicados. O troco (que não foi pouco) também seguiu as orientações da chefa.

Ao fim do dia, Verônica voltou para casa e entrou na cozinha. Havia alguns pacotes com os itens pedidos e dúzias de garrafas de álcool. Era álcool gel, álcool em embalagem grande, álcool em miniatura, álcool infantil, álcool diet, álcool sem cheiro... enfim, álcool em todas as suas concepções.

- Marlene, meu Deus do céu, que overdose de álcool é essa? Você vai tocar fogo na casa?

- Dona Verônica, fiz o que a senhora mandou.

- Como assim, mulher. Ficou louca?

- Mas, a senhora me disse para usar todo o troco e comprar "algo" para a casa. Foi o que eu fiz. Como a senhora não especificou, eu comprei "algo" de todo jeito.

Definitivamente, adoro piadas espontâneas.



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QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, essa está difícil. Estou tentando fugir o óbvio, porém não vejo para onde correr. Então, que seja. Sempre que você ouvir alguma palavra ou termo que não entendeu, faça um favor para si mesmo: pergunte. Peça uma explicação rápida. É melhor passar por ignorante interessado do que estúpido soberbo. Amiguinho, cuidado para não manchar suas roupas com bebidas. Se precisar, peça um babador. Até a próxima!
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segunda-feira, 23 de junho de 2008

O trauma das flores (ou Moulin Rouge e o fim do mundo)

Relutei muito em publicar essa história. Não pelo conteúdo, mas por ser loooonga pra cacete e não poder ser cortada. Daqui para frente, espero não abusar da sua paciência.

Chegou a hora de revelar um trauma danado relacionado a flores. Tudo aconteceu por causa de uma bela menina argentina chamada Alicia. Nós nos conhecemos, rolou a química e trocamos números de telefones. Tudo extremamente protocolar.

Dias depois, eu liguei sem ter absolutamente nada programado. Coisa de garoto, sabe? Coisa que eu faço até hoje.

– Queria te chamar para um cinema. Topa? - fui no óbvio do óbvio do óbvio.

– Esse fim de semana está complicado, pois tenho um casamento. Pode ser na terça, dia 11?

Topei e me despedi com a alegria de moleque que conseguiu a figurinha que faltava para completar o seu álbum da Copa. E não é que o Osama quase pôs tudo a perder no dia D?

Na manhã de 11 de Setembro, caiu o mundo. As torres gêmeas viraram pó ao vivo em todas as emissoras possíveis - menos no SBT, que seguiu transmitindo "Chaves" sem dar bola para o juízo final.

Que se dane o mundo. Meu cineminha com a Alicia caiu junto com o WCT!

Mas, não caiu. Ela manteve o programa e eu me considerei um egoísta miserável.

– Vamos ver "Moulin Rouge"? Eu ainda não assisti e você? - sugestão típica de menina.

Eu já. E não gostei.


– Não, não fui ainda, mas estou louco pra ir conferir.

Fui ver "Moulin Rouge" pela segunda vez em dez dias. Minha impressão mudou e fiquei achando bacana a historinha de amor entre o escritor e a vedete. Não é que era legal? Os olhinhos de Alicia brilhavam no escuro em cada seqüência musical. Ela sussurava as canções e me dizia: "Isso é Nirvana". "Isso é David Bowie". "Isso é Elton John".

Eu já sabia, mas achava muito doce ela me considerar um tapado musical e me guiar pelo universo pop. No fim do filme, ela agarrou meu braço enquanto Satine morria nos braços do Christian. Nunca tinha passado por isso. Foi a primeira vez que uma menina me deixou arrepiado por ficar quase soluçante ao meu lado.

Saímos caminhando pelo Leblon até um barzinho simpático que não me lembro o nome. Conversamos sobre o filme, sobre o amor e sobre música. De repente, o 11 de Setembro não existia mais... graças ao Moulin Rouge.

Corta para o carro. Começou a contagem regressiva.

Cinco
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– Que bom que você gostou do filme – eu disse.

– Adorei. Foi bom pra relaxar. Não dá para saber se ainda vai ter mundo amanhã.

Quatro.

– Que dia maluco, não?

– Pra você ver.

Três.

– Então eu te ligo?

– Pode ligar.

Dois.

– Então tá.

– Então tá.

Um.


– Alicia...

Ela não disse nada.

Gol.

Nos agarramos loucamente e Alicia mostrou que as portenhas têm sangue quente.

– Vem aqui - chamei com aquele sussurro lânguido quase entre os dentes.

– Como assim "vem aqui". Vem aqui você.

Opa! Como assim?

– O quê?

– Não é só me chamar que eu vou.

– Não estou chamando. É uma forma carinhosa de querer ter você juntinho.

– Tudo começa assim. Se uma mulher der um dedo, os homens querem logo o braço.

– Alicia... surtou? – peraí, cadê a magia? Cadê o romance? Cadê o amor de "Moulin Rouge"?

– Tá vendo? É só as coisas não rolarem como você imagina que tudo se torna difícil.

– Alicia, tá ficando tarde. A gente conversa outra hora.

Ela saiu do carro como se deixasse para trás o canalha mais canalha do mundo. Para piorar, amanheci com uma terrível sensação de culpa. Jurava para mim que eu tinha feito algo errado. Para me sentir melhor, fui até uma floricultura e escolhi um arranjo de fores do campo. Preenchi o cartão com um pedido de desculpas e mandei. O dia passou e nenhuma resposta dela.

Pelo item 7, parágrafo B do Código de Relações entre Meninos e Meninas, flores devem ser valorizadas como o mais sincero pedido de perdão. A argentina dos infernos não deu a mínima.

– Recebeu meu presente? – liguei para ela.

– Você não acha que exagerou? – Fim do mundo! Nada mais fazia sentido. Nova York desmoronou. Vi "Moulin Rouge" duas vezes (e gostei). Eu mandei flores para uma mocinha pela primeira vez na vida e ela disse que eu exagerei. Desliguei o telefone e prometi que nunca mais mandaria flores para uma mulher. Nunca.

EPÍLOGO

Nada de bairrismos: poderia ser argentina, boliviana, angolana ou inglesa. O trauma durou anos. Só mandei flores novamente há pouco tempo. Em 2006, eu comprei o DVD (duplo) de "Moulin Rouge". Fim.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, como você resolveu escrever um texto do tamanho de "Irmãos Karamazov", He-Man precisa agradecer aos céus se alguém chegou até aqui. Primeiro, uma alfinetada: tadinho do Surfista e seu medinho de mandar flores. Aposto que você economizou um trocado durante os anos de trauma, hein? Bom, o lance é que a mulher é uma ciência completamente inexata, inexplicável e imprescindível. Algumas têm mecanismos de defesa esquisitíssimos. No mais, pense pelo lado positivo: você foi poupado de anos e anos de conflitos entre Brasil e Argentina. Amiguinha, não dê piti em público. Roupa suja se lava em casa.
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quinta-feira, 19 de junho de 2008

De repente 30...

Aconteceu. Era inevitável. Assim, sem mais nem menos, acordei com 30 anos.

30, 30, 30, 30, 30, 30...

Não doeu nada. A ficha está caindo aos poucos e ainda estou ponderando sobre a importância dessa marca. Em um rápido exercício de restrospectiva, puxei as últimas duas viradas de década.

Lembro vagamente dos meus 10 anos. Eu assistia a Xuxa, não perdia um episódio do He-Man, achava a Luciana Vendramini um espetáculo, esperava pelo último episódio de "Caverna do Dragão", queria ser dentista e devorava gibis da Turma da Mônica e do Homem-Aranha. Lembro bem do aniversádio de 20 anos. Já cursando faculdade de comunicação, os únicos pontos mantidos foram os gibis e a Luciana Vendramini.

Mas, a entrada na terceira década me fez refletir sobre tudo que já vi e vivi. E olha que não foi pouco. Pegando um ponto de vista macro, o cara que completa trintão em 2008 vive em velocidade máxima. O ritmo alucinado dos acontecimentos entre 1978 e 2008 são muito mais nítidos do que em períodos anteriores. Sem muita organização, veja quanta coisa:

1. Enquanto as mulheres usavam cabelos com o visual Sarah Connor, o Brasil afundava na inflação com cruzeiro, cruzado, URV e o escambau. Enquanto as moedas mudavam, o país viabilizava a abertura política. O fim da ditadura e o "Movimento Diretas Já" foram embalados por Milton Nascimento cantando "Coração de Estudante" e Fafá de Belém defendendo hino nacinal.

2. Aí, veio o Collor, o primeiro Presidente carateca do Brasil. Aí, foi-se o Collor, o primeiro Presidente deposto da nossa história. Quem entrou no lugar dele foi o Itamar Franco, o primeiro Presidente a ser fotografado ao lado de uma "modelo" sem calcinha e fazer juras de amor depois. No embalo dos "primeiros" veio o Lula, o primeiro Presidente sem o primeiro grau completo. Não é que tem dado certo?

3. Mundo afora, caiu o socialismo. Reagan e Gorbachev esconderam seus mísseis e adiaram o apocalipse. Com menos poder e mais atitude, um estudante coreano bloqueou um comboio de tanques (se é que o coletivo de tanque é comboio) em Seul. O Muro de Berlim desabou, a União Soviética acabou e Rocky Balboa derrotou Ivan Drago em Moscou.

4. Nas Olimpíadas de 1984, uma corredora suiça completou a maratona em último, toda torta, e se tornou símbolo de superação. Viva o espírito olímpico. Sem qualquer fair-play, mas jogando uma enormidade, Dieguito Maradona faturou a copa de 1986 com direito a gol de mão e tudo. O Brasil só deu o troco em 1994 com Romário e companhia. Foi vice em 1998 e voltou a ganhar em 2002, com baile de Ronaldo Cascão em cima da Alemanha. No Brasil, o Flamengo e São Paulo se sagraram pentacampeões nacionais. Nesse meio tempo, ainda teve o gol do Petkovic na final do Carioca de 2001, o mais emocionante da história.

5 .Ainda nos esportes, brilharam Ayrton Senna, Gustavo Kuerten, Michael Schumacher, Michael Jordan, Dream Team dos Estados Unidos na Olimpíada de 1992, Ronaldo, Hortência, Magic Paula, Marta (versão feminina e melhorada do Cabañas) e o vôlei brasileiro. Ah, o vôlei se consolidou como o segundo esporte nacional, graças às brigas com as cubanas e o fenômeno Bernardinho, que colocou o esquadrão nacional no topo da cadeia alimentar internacional. O treinador russo e psicopata que gritava com as jogadoras loirinhas ajudou na mística.

6. Voltando aos acontecimentos internacionais, Bill Clinton tocou sax na Casa Branca e depois passou o rodo na estagiária. Entre o sax e o sexo, Hillary, a primeira-dama e corna, superou. Anos depois, quase foi a primeira mulher a assumir a presidência dos EUA, em sequência ao George W. Bush. Aliás, o W. Bush foi um show a parte. Durante sua gestão, o mundo virou um pardieiro de arbitrariedades. Depois do famigerado 11 de Setembro, o Oriente Médio virou filial do McDonald's, Osama continuou entocado e Saddam Hussein morreu. Seu paradeiro só foi revelado no filme"South Park".

7. Finalizando, porque listas longas enchem o saco, ainda rolou o Bug do Milênio, a crise do apagão, orkut, sexo virtual, Dolly (a ovelha mutante cult clonada), células-tronco, Dan Brown, Paulo Coelho, colapso aéreo, blogs, "Central do Brasil", fim dos Trapalhões, "Sex and the City", "Arquivo X", "24 Horas", "Lost"...

Ufa, chega. Acho que me sinto um privilegiado por ter visto tanta coisa com a consciência da importância de cada um desses eventos. Mal posso esperar pelo próximo capítulo.



QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Feliz aniversário, amiguinho balzaquiano. Se liga nas palavras sábias do He-Man (que já passou dos trinta faz tempo): a melhor parte dessa idade é que você poderá "atender" meninas de 20 a 40 tranquilamente.

Presente de aniversário

Como presente de aniversário, uma amiga e leitora teve a audácia de criar uma comunidade no Orkut dedicada a esse blog. Ela perguntou se eu gostei. Imagina. Fiquei honradíssimo com o gesto e estou divulgando aqui, pois sou vaidoso e quero casa cheia por lá. O link é:

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=57552317

Obrigado, ISO9002.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Vem cá, meu cuti-cuti!

Vamos direto ao que interessa: detesto apelidos engraçadinhos. Nem me refiro às sacanagens dos tempos de colégio. Estou mirando naqueles termos que meninas (e meninos) inventam para se dirigir à cara metade. Vou reproduzir um diálogo pimpão entre um casal de amigos muito queridos:

ELE: Oiiiiêêê, bebê.

ELA: Oiiiêêê, meu lindão.

ELE: Cadê o meu bebê?

ELA: Taqui o bebê.

ELE: Ebaaaaaaa!

Entendeu onde quero chegar, né? Então, vamos parar por aqui, antes que eu tenha um colapso por excesso de açúcar no sangue.

Eu até me considero um homem carinhoso, mas nunca me permiti falar que nem uma criança de três anos ou inventar nomezinhos fofuchos. O máximo que tolerei foi a primeira namorada me chamar de "gatinho". Mesmo assim, sem voz de Teletubbie. Na boa, acho constrangedor demais.

Fora os apelidinhos embaraçosos, outra coisa que me dá calafrios é abreviação de uma única sílaba. Peço desculpas aos meus amigos paulistas (pessoas que curto muito), mas limitar o nome a um monossílabo é brabo. E ainda mais no meu caso: "Dô".

Cara, se me chamar de Dô, eu nem respondo. E pior que tenho uma amiga que a-do-ra a sonoridade e me martela com esse apelido. Quer saber? Tirando os óbvios Chris, Bel, Liz ou Gil, o restante é ofensa: Si, Lê, Mi, Dé, Lu, Má, Fê... parece ou não parece um código do exército ou uma partitura musical?

Sou chato mesmo!

Lembrei de outro cenário aterrorizante. Se chamar o namorado por uma alcunha já soa desprezível, imagina quando a moça cisma em arrumar um nome para aquela parte específica do corpo do ser amado. Nada é mais medonho do que batizar o pênis do sujeito.

Já ouvi essa e não foi apenas uma vez. O caso mais crítico foi o de uma certa garota que conheci. Ela chamava o pinto do namorado de Gouveia. Pode uma coisa dessas? Gouveia! Como um pinto pode se impor e ter respeito próprio quando é chamado de Gouveia.

- Amor, hoje eu quero o Gouveia! Quero ele todinho.

- Quem?

Pronto! Acabou o clima.

Ah, o mesmo vale para o playground feminino. E o pior é quando a dona da região de lazer resolve botar nome na área. Já conheci uma menina que chama a sua própria de... Menininha.

- Sabe quem te quer hoje? A minha Menininha.

Se algum inadvertido ouve uma atrocidade dessas, pode chamar a polícia e denunciar crime de pedofilia. Que vexame! No mais, é preciso ter muita concentração para não gargalhar horrores.

Eu lembro dessas coisas e paro para pensar: serei um ogro insensível? Um Shrek que não admite o auge da intimidade verbal que é um apelidinho inofensivo pronunciado por lábios carinhosos e voz de inocência?

Não mesmo. Nem que a vaca tussa. Ser carinhoso (ou carinhosa) é mais que uma virtude, é um diferencial. Eles gostam de ganhar um cafuné. Elas adoram uma massagem e um elogio. Mas, no meu caso, a arte jedi do carinho passa longe de apelidinhos melados.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, meu nome não é apenas um monossílabo. São dois! Conta comigo: "He" e "Man". Por isso, você deixa de me respeitar? Duvido. Então, larga de ser turrão e considere a hipótese de ter um apelidinho engraçadinho. Uma vez que a sua dignidade seja preservada (o que não é o caso do dono do "Gouveia"), não há problema. O uso do apelido íntimo deve ter o mesmo efeito das carícias: em público fica feio. E você, amiguinha, tenho um mínimo de noção e não arrume uma alcunha esdrúxula para o seu garotão. E faça uma pesquisa antes. Vai que você inventa o mesmo nomezinho que a ex dele usava. Olha que saia justa, hein? Amiguinho, evite que muito papel se acumule sobre sua mesa. Além de parecer uma zona, você acaba se perdendo.
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Surfista palhaço

Entrei na roda em um dos blogs mais divertidos da web: o Homem é Tudo Palhaço. Fiquei bolado? De jeito nenhum. Na verdade, estou achando excitante e mal posso esperar para ver os comentários. Procure o post do dia 12 de junho.

Ah, resumindo a história: uma amiga Joselita enviou um raio de corrente de Santo Antônio aos amigos solteiros (eu, inclusive). Sem muitas pretensões, disparei um torpedinho para o grupo todo. Para minha surpresa, uma das editoras do HTP estava no bolo e achou legal de publicar o gracejo.


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A aldeia global do Papai Smurf #7

NA TELINHA: Como bem colocou o camarada Dudu, certos filmes pecam por se levar a sério. Se algumas histórias de terror ficam muito mais legais quando não se dão ao luxo de ter um fundamento inteligente, o mesmo argumento vale para produções de ação. "Mandando Bala" é um exemplar de filme ultrajante e sensacional. Sem qualquer compromisso com a lógica, verossimilhança ou QI, a trama gira em torno de um homem misterioso que se vê obrigado a proteger um bebê da mira de um exército de assassinos liderados por um crápula. Para isso, sua única ajuda é uma prostituta que atende clientes com fetiches de amamentação. Seria tema para um daqueles corujões que passam na madrugada, mas o diretor (ilustre desconhecido) reuniu um elenco tarimbado para dar vida à sua criação. Paul Giamatti é um senhor ator. Clive Owen também é talentoso. Monica Belucci é gostosa e isso basta. Então, o que diabos eles fazem em "Mandando Bala"? Quem $abe. O resultado é um filme com sequências alucinantes de tiroteios, ação ininterrupta, bilhões de tiros, diálogos estúpidos e referências ao cinema violento de Hong Kong. Com um pouco de boa vontade, tem até uma lembrança a "Django", faroeste-espaguete em que o pistoleiro Franco Nero enfrenta uma quadrilha inteira com as duas mãos quebradas. Sassette ficou indignada, mas Papai Smurf se amarrou.





NA TELONA: Muito já se falou sobre "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", então Papai Smurf não vai ficar chovendo no molhado. O filme é legal? Sim, Papai Smurf até achou divertido, mas se você conhece os três outros filmes da série, vai perceber que, mesmo com a melhor das intenções, Spielberg e Lucas forçaram uma barra. Minha maior crítica é que a cafajestice de Indiana, um dos seus maiores charmes, foi limada. Mesmo com aquele ar cínico, o herói se mostra um apaixonado derretido. Pô, até tu, Indy?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Mulheres possíveis

Eu já disse dúzias de vezes, mas não custa nada repetir: sou um profundo admirador da mulher - em todas as concepções do termo. Para meu deleite, recentemente, os assuntos feministas têm pipocado nos canais de comunicação. Maravilha! O Surfista Platinado jamais se esquivaria desse tema. Mas, antes de chegar ao ponto, vamos começar por uma noite de verão no Condado dos Cascais, boa área para beber e conversar na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Na mesma cercania há bares, restaurantes e um motel, ou seja, dá para fazer um programa norturno completo. Sobre a mesa, repousavam uma tulipa de chopp claro, uma caneca zero grau de chopp escuro e uma garrafa de Smirnoff Ice. Os personagens eram Lecy, Iolanda e eu (bendito fruto entre as mulheres).

A figura central era Lecy, 26 anos, evangélica de berço que curtia os primeiros dias morando sozinha, enfrentava seus grilos, comemorava várias conquistas profissionais e sentia o peso do mundo em suas costas ao lidar com uma inexplicável... virgindade. Sim, ainda existem virgens com mais de 20 anos.

Lá pelas tantas, o papo descambou para as óbvias sacanagens e, ainda sóbrio, eu cruzei a bola na área:

- Lecy, você precisa desencanar. Presta mais atenção nos seus hormônios, pois aposto que seu corpo deve estar tilintando - ela não era feia e tinha um corpo bacana, por sinal. O lance era 100% psicológico.

- Pois é, amiga, você já ouviu alguém reclamar do excesso de sexo? – Iolanda recebeu o cruzamento e bateu para o gol.

- Menina, você precisa de uma terapia intensiva de "Sex and the City". Todas as temporadas em um fim de semana - decretei.

Esse diálogo rolou há meses atrás, antes do tititi por causa do filme das quatro moças de Nova York e sua repercussão entre as feministas de plantão. Eu ainda não vi, mas já gostei. Como leitor de Marie Claire e pesquisador do âmago feminino, sempre fui um fã declarado das estripulias de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Aliás, esse seriado é muito esclarecedor quanto ao pensamento das fêmeas. A partir de situações apresentadas nos episódios criei uma penca de teorias e fiz várias experiências. Fiquei até triste quando ele acabou.

Eu adorava "Sex and the City" porque, mesmo dentro do seu universo ficcional regrado pela american way of life, suas protagonistas eram mulheres possíveis. Não eram deusas de beleza ou heroínas imbatíveis. Elas eram balzaquianas com vidas agitadas, urbanas, cosmopolitas (opa, lembre do Cosmopolitan, drinque favorito do seriado) e naturais, até certo ponto. Suas aventuras, iniciadas no fim da década de 1990, escancararam os perfils da mulher que se esbaldaria no século XXI. E tudo de uma forma encantadora a todas outras mortais. As quatro gurias não só abriram um caminho, mas pavimentaram, iluminaram e ainda permitiram motéis e lojas de sapatos ao longo da estrada rumo à independência.

Ouso dizer que a importância de Carrie e sua trupe teve cunho sociológico. Com competência, inteligência e tempero subversivo, um programa de TV (melhor amiga do americano) defendeu a liberdade da mulher em dar para quem quiser, discutir o assunto com as amigas e depois gastar seu dinheiro no shopping center ou em alguma boate da moda. Foi um pé-na-bunda nas Amélias, Wilmas Flintstones e outras submissas. E também foi um passa-fora nas Panteras, Mulheres Maravilhas, Mulheres Biônicas, Supergirls e outras garotas indestrutíveis. Esses extremos não cabem na Big Apple de "Sex an the City". A Nova York do seriado ampliou suas fronteiras e chegou a São Paulo, Buenos Aires, Lima, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas e onde mais a libido feminina estivesse em chamas. Amém!


PS. Cabe ainda uma homenagem às feministas brasileiras que ao longo do século XX souberam fazer barulho sem perder o charme. Salve Leila Diniz, Tonia Carrero, Betty Faria, Nara Leão, Isabel (jogadora de vôlei) e Rose di Primo. Quem é Rose di Primo? A ninfeta "inventora" da tanga em Ipanema!

PPS. No apagar das luzes, cheguei a uma conclusão muito reveladora: Carrie Bradshaw é uma das maiores influências do Surfista Platinado. Nunca havia me dado conta disso e quando estava finalizando esse texto, percebi o quanto eu me identifico com sua visão irônica. Fora isso, ainda tenho um espaço para escrever aventuras e desventuras, amigos igualmente presepeiros, moro em uma cidade grande e também tenho uma interpretação esquizofrênica do universo ao redor. Eu pertenço ao mundo de "Sex and the City" e nem sabia.



QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho Surfista, quanta devoção às mulheres. Estou até orgulhoso de você e isso não acontece com freqüência. No alto de sua sabedoria musculosa, He-Man também admira as fêmeas que sabem conquistar seu espaço sem perder o ar de menininha. Esse é o golpe de mestre delas, mas que ainda não foi descoberto pelas próprias. As fêmeas que valem a pena são aquelas com personalidade forte, mente decidida e inteligência emocional, mas que ainda choram em comédias românticas, pedem ajuda para abrir o pote de pepinos em conserva, gostam de cafunés antes de dormir e se derretem nos braços do homem amado. Ah, o Defensor de Etérnia foi contagiado por essa sua homenagem melosa. Vamos parando por aqui. Amiguinho, pesquise bem antes de gastar sua mesada na primeira loja. Com senso econômico, você pode comprar mais inutilidades. Até a próxima!



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