segunda-feira, 25 de abril de 2011

Minha versão vascaína

Tenho um problema sério com futebol. Na verdade, meu problema é com o Flamengo. Meu humor depende imensamente do desempenho do time. Se os caras jogam bem, eu fico bem. Se eles jogam mal, eu fico de bico. Não consigo manter um afastamento saudável, sadio. Não consigo torcer educadamente. Gasto um dinheirão com breguetes rubro-negros. Dou ibope para mesas redondas idiotas. Leio o Lance. As pessoas ao meu redor tentam se adaptar à uma regra simples: dia de Flamengo é dia sagrado. Sou dodói, eu sei. A minha surpresa é que, certo dia, eu encontrei o meu clone de saias e cruz de malta.

Hein??? Cruz de malta?

Que vê a bela e meiga Clotilde não imagina o quanto ela é estupidamente vascaína. Sem perder a feminilidade, a guria tem tatuagem do Vasco, escala o time do goleiro ao atacante, conhece a regra do impedimento, frequenta as arquibancadas de São Januário e discute futebol (qualquer campeonato internacional) como um homenzinho. Assim como eu, ela perde a classe e doçura quando o árbitro apita o começo do jogo.

A Branca de Neve se transforma na abominável torcedora das cavernas...

Clotilde apresenta um repertório de palavrões que deixaria a galera da Gaiola das Popozudas constrangida. Assim como eu, ela deixa de ser o Dr. Jekyll e se torna o Mr. Hyde. E isso sobra para o seu namorado.

Segundo ela, certo dia, o garotão se arriscou a levá-la a São Janú para um partida entre o Vasco e algum time mequetrefe. A equipe visitante começou a dar um calor nos cruzmaltinos e Clotilde se irritou. O solidário namorado tentou lhe fazer um afago e...

- Caceta, carinho agora, pô??? No meio do jogo? Ah, não f§@#$!!!

Ui...

Depois, ela se desculpa, mas o esporro já está dado. Clotilde se explica com a eloquência que eu sempre quis ter.

- Amorzinho, não mexe com o meu futebol. O Vasco veio muito antes de você. Não tenta ocupar um espaço que já está dominado.

Mais esclarecedor, impossível!


O mais engraçado é como ela joga sujo em relação à rivalidade, especialmente aos times do Rio.

- Eu te garanto que faço qualquer tricolor, botafoguense ou até mesmo flamenguista beijar a cruz de malta.

- Menos, garota. Não força a barra.

- Tô te falando!

- Como? Diz aí.

- Tatuei a cruz de malta na virilha.

Mulher é o diabo mesmo!

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, torcer é maneiro, mas virar bicho é passível de tratamento médico. Certas vezes, é como dependência de drogas – sem querer, mas já fazendo referências aos Somálias, Egídios, Alvins, Edinhos e outros jecas que vestem as camisas dos nossos times. Como sua mãe já falou: relaxa, amiguinho. Pelo menos, avisa que são apenas 90 minutos de terror (sem contar com a prorrogação). Ainda bem que você escreve estas linhas antes do FlaxFlu da Taça Rio. Amiguinho, fazer carinho é bom e as pessoas gostam. Pratique mais! Até a próxima!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O dilema da mulher comum

As pessoas me contam coisas. Sério mesmo. Por alguma razão inexplicável, muita gente se sente à vontade para me revelar segredos e aflições. Fico honrado, mas acho sempre engraçado quando isso se repete. Com Augusta, isso não foi diferente. Na verdade, com Augusta, isso aconteceu em tempo recorde.

Bom, conheci Augusta em uma noite de sábado. Ela era amiga de um amigo meu e estávamos na lendária Casa Rosa, em Laranjeiras. Loira, de olhos claros e com um copo de pinga com mel na mão (isso mesmo), ela chamava bem a atenção.

Aos leitores de fora do Rio, Casa Rosa não é a sede do governo argentino. Há anos, este simpático estabelecimento era um bordel. Com o tempo, o negócio foi desativado e o local virou um tipo de boate alternativa. O público varia dos hippies-de-havaianas até os playboys-Armani-Exchange.

No meio da madrugada, ela puxou assunto e assim como tantas outras, abriu o seu coraçãozinho amargurado.

AUGUSTA: Meu "peguete" está vindo aí.

EU: Legal.

Vou dizer o quê???

AUGUSTA: Não sei o que fazer.

EU: Como assim?

AUGUSTA: Queria parar.

EU: Então para, ué. É só falar com ele que já deu. Simples assim.

Sou adepto da objetividade. Dar toco é que nem arrancar esparadrapo de uma vez só: dói um pouco na hora, mas passa logo.

AUGUSTA: Ele não é má pessoa.

EU: Então qual é o problema?

AUGUSTA: Ele me trata que nem uma rainha.

EU: E desde quando isso é ruim?

AUGUSTA: Eu não sou uma rainha. Eu sou uma mulher comum. Ele me trata assim a todo instante. Fica cheio de dedos e firulas. Não sei o que fazer.
EU: Já falou com ele sobre isso?

AUGUSTA: Pior que não.

EU: Pois deveria. Se te incomoda, fala com ele. Aposto que o cara vai entender.

O lord britânico chegou pouco depois. Ele me olhou com ciúmes e ficou ao lado da Augusta, como quem marca o território. Mal sabe ele que se quisesse alguma coisa, eu já tinha informações suficientes para um ataque soviético com grandes chances de êxito. Sorte dele que estou fora da prateleira.

Fiquei pensando sobre o drama da Augusta e lembrei o conselho que ouvi há muito tempo.

Flashback...

- Tudo que é demais é ruim Até ser gente boa demais é ruim.

Concordo. Sabe, o cara tem que saber dosar o seu cavalheirismo e sua "ogrice". Nem tão Príncipe das Astúrias nem tão Sócio do Clube Irmão Caminhoneiro Shell. Já aprendi que mulher gosta de ser cortejada, paparicada, mas também a-do-ra demonstrações de poder. O malandro pode ser um fidalgo entregador de rosas, mas na hora de bater na mesa e engrossar a voz, sai da frente. É complexo achar o ponto certo? Claro. Mas quem disse que a vida é mole, compadre?


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, mais do que achar o equilíbrio entre a masculinidade e o fineza, o problema da sua história está na comunicação. Assim como o futebol, a relação a dois é um jogo falado. Cada jogador tem que falar com os companheiros para pedir bola, orientar o posicionamento, evitar o impedimento e acertar a marcação. Com isso, vem o entrosamento e o time se fortalece. He-Man, craque de bola e capitão da seleção eterniana, sabe bem disso. Então, acerte sempre os ponteiros com a sua cara metade e você vai perceber que estes babados se resolvem com muito mais facilidade. Amiguinho, fique de olho no lugar onde você estaciona o carro. Tenha atenção aos reboques. Pagar um estacionamento é muito melhor que a aporrinhação de ir buscar seu carro no depósito. Até a próxima!!!

He-Man e o Surfista Platinado estão chocados com a barbárie cometida na escola de Realengo.

sábado, 2 de abril de 2011

Trash metal

Texto grande, mas vale a pena. Vai por mim...

Antes de embarcar para a aventura irlandesa, passei quase cinco meses trabalhando em uma campanha política em Duque de Caxias. Além de um batente intenso, visitei lugares da Baixada Fluminense que jamais imaginei que existissem. Vi muita coisa de partir o
coração, como adolescentes de 17 anos com dois filhos no colo e um terceiro na barriga. Voltei ao Brasil e, quis o destino, Duque Caxias estava novamente no meu caminho. Assumi um novo trabalho de comunicação lá. Mais maduro e calejado, eu imaginava que já tinha visto de tudo, mas nada se equivale ao aterro sanitário do Jardim Gramacho - aquele onde foi filmado o documentário "Lixo Extraordinário. Aquele que concorreu ao Oscar 2011. Lembrou?

A experiência começa antes de chegar ao aterro. As ruas têm lixo por todos os lados. Pilhas e pilhas de entulhos e gente circulando entre porcos e urubus. Crianças, velhos, homens e mulheres andavam entre caminhões imensos. Chegamos (a equipe e eu) ao aterro e fomos barrados pelos guardas locais. Educadamente, ele informou que visitas ao aterro deveriam ser agendadas. Segundo ele, era para segurança dos próprios visitantes. Enquanto argumentávamos, observei caminhões monstruosamente grandes carregados de lixo e gente. Pessoas amontoadas nas caçambas ou penduradas onde conseguissem.

Nossa entrada foi proibida. Partimos para o plano B: visitar o aterro clandestino. Entramos na favela do lixão.

Maluco, neguim não tem noção mesmo. Eu, um outro rapaz e duas meninas belas e cheirando a Dolce & Gabbana entramos na comunidade sem qualquer acompanhamento ou aviso prévio. Para que a gente virasse estatística era um estalar de dedos.

Paramos para pedir informação a um morador. O que não percebemos é que o cara estava
curtindo o seu momento com um papelote de cocaína. Trincado, o sujeiro indicou o caminho, mas pediu para termos cuidado com os elefantes roxos que estavam na rua. Achamos o tal lugar e estacionamos perto de um boteco. Ao abrir a porta, o cheiro forte do lixo veio carregado e quase vomitei. Segurei a onda. O proprietário da birosca informou que o aterro clandestino era mais adiante, mas não poderíamos ir de carro.

Pronto, agora vamos virar estatística...

Com os anjos da guarda trabalhando em força-tarefa, seguimos as vielas indicadas. No caminho, lixo por todos os lados e uma nuvem de moscas imensas. Vi umas varejeiras tão grandes que devem ter tirado brevê para voar por ali. E falando em "grande", logo adiante vimos um porco tão parrudo que parecia uma kombi.

Em meio à sujeira, um grupo de crianças brincava e ao perceber a nossa aproximação, perguntou:

- Vocês querem pó? Querem?

Ai, ai, ai... entramos na boca. Só melhora, só melhora...

Agradecemos e entramos no aterro. Até onde a vista alcançava, havia lixo, insetos e os catadores. Um senhor simpático e muito articulado nos contou mais sobre o local. Depois do filme, as visitas aumentaram e os trabalhadores aprenderam a lidar com os "turistas". O fedor do lixo não me incomodava mais, porém as moscas me deixavam apreensivo. Ao fechar os olhos, o zumbido era infernal. Meu medo era falar e engolir uma varejeira acidentalmente.

Zuuuuuuuuuuuuuuuuummmm...

As pilhas de lixo viraram montanhas. Ficamos mais dez minutos, fizemos umas fotos e voltamos. Passamos de novo pela boca e logo depois esbarramos em uma viatura da polícia. Os policiais nos encararam, mas não disseram nada. Devem ter pensado que éramos só mais alguns clientes do "comércio" da região.

O carro estava intacto e o dono do boteco se encheu de orgulho e nos deu um DVD (pirata, é claro) de "Lixo Extraordinário". Agradecemos e saímos. O lixão foi ficando para trás, com os catadores revirando as montanhas de dejetos e as crianças brincando entre as moscas e a imundície. Fomos nos afastando e aquele submundo foi ficando para trás.

Quem diria, né? Depois de meses na Europa, caí de paraquedas em um purgatório de lixo e caos. Às vezes, fecho os olhos e ouço o zumbino desgraçado das varejeiras abafando os risos das crianças correndo pelas vielas do Jardim Gramacho.

Zuuuuuuuuuuuuuuuuummmm...

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, é para ficar bolado mesmo. O mundo vai além da sua vizinhança bacana na Barra da Tijuca, garotão. Bom, da sua visita ao purgatório, espero que você aprenda a separar os eu lixo. Até a próxima!!!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Intimidade

Sou um cético quando o assunto é amizade sincera entre homens e mulheres. Na maioria esmagadora das vezes, alguém pode pegar alguém em algum momento.

Você acha que não tem nada a ver? Então, dorme de conchinha com o seu amigo(a).

No entanto, é possível encontrar exceções, como é o meu caso com Violeta. Quando a relação é isenta de segundas intenções, é possível registrar um diálogo de pura intimidade como este:

VIOLETA: Voltou quando da Irlanda?

EU: Há poucas semanas.

VIOLETA: Você está muito magro. Lá não tinha comida, não? Passou fome?

EU: Estou no peso ideal.

VIOLETA: Sei não. Homem magro demais parece doente.

EU: Olha quem fala. Você tá pele e osso.

VIOLETA: Tô nada. Estou gostosa.

EU: Tá magrela e com os peitos caídos. Já está segurando uma caneta embaixo dos seios?

VIOLETA: Pior que estou.

EU: É a idade.

VIOLETA: É ruim, hein? Tô com vários gatinhos me cercando.

EU: Seu gosto é duvidoso. Lembro de um casinho seu que era mais peludo que o Tony Ramos. Parecia o Chewbacca.

VIOLETA: Pior que era. Você casa quando?

EU: Quando eu ficar rico.

VIOLETA: Ih, tá ferrado. Vai ficar para titio. Coitada da menina.

EU: Olha a suja falando do mal-lavado.

Rimos horrores.

VIOLETA: Que bom que você voltou. Tava com saudade.

EU: Eu também.



QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que momento fofo, meigo e mimoso. He-Man não vai ficar rasgando seda, mas são momentos tolinhos como esse que tornam as pessoas especiais. Aproveite-os! Amiguinho, programe o seu tempo para não fazer as suas coisas às pressas. Até a próxima!!!

sábado, 19 de março de 2011

As aventuras de John Wayne

Esta é uma história (real, óbvio) para que as pessoas não reclamem mais dos seus nomes de batismo. Veja como uma homenagem pode virar uma maldição na vida de um indivíduo.

Era um vez, há 20 e poucos anos, em um cartório na Baixada Fluminense...

PAI: Boa tarde!

ESCRIVÃO: Boa tarde! Tudo bem com o senhor?

PAI: Tudo na santa paz.

ESCRIVÃO: Então, como é o nome da criança?

PAI: John Wayne [sobrenome].

ESCRIVÃO: Hein?

PAI: John Wayne, meu filho. O cowboy dos filmes.

ESCRIVÃO: Quem?

PAI: Anota aí, rapaz: John Wayne [sobrenome].

ESCRIVÃO: Errr... o senhor manda.

Rio de Janeiro, 20 e poucos anos depois...

EU: Opa, como vai? Douglas. Prazer.

INFELIZ: Joene. Prazer.

EU: Hein?

INFELIZ: Longa história...

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, o Homem Mais Poderoso do Universo é compreensivo com os pais que querem destacar os seus pimpolhos entre milhões de Joões, Josés, Pedros e Felipes. Mas se rolar uma criatividade, pelamordedeus, anota o nome certo do ídolo. Não deixa na cultura geral do escrivão, ouj o cara pode entrar no time do Athirson, Fellype Gabriel, Richarlyson e Maicossuel. Joene (aka. John Wayne) que o diga. Amiguinho, gula é feia e faz mal à sua saúde. Até a próxima!!!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Adivinha, doutor, quem tá de volta na praça!

Pois é, voltei! I'm back! O bom filho à casa torna.

Segundo o comentário de LEE em outro post, "definitivamente, você combina muito mais com o calor do Rio do que com o frio da Irlanda". Fiquei encucado. Será? Não sei mais. Me adaptei rápido à Ilha Esmeralda. Acho que me adapto bem a qualquer lugar. Agora, sinto um vazio esquisito. Acho que MARIA estava certa, eu sou um cara enraizado.

Enfim, voltei. E compreendi como nunca o que Tom Jobim quis dizer quando escreveu a música abaixo.


sexta-feira, 4 de março de 2011

A canção da vingança

Ah, a vingança. Troco. Revanche. Vendeta. O prato a ser servido frio. A inspiração para tantas tragédias gregas. O combustível de A Noiva para sobreviver e matar Bill. A motivação de Conan, o Bárbaro. O rancor em ação. Enfim, uma das características mais humanas entre todas as possíveis e o principal ingrediente da história de Clementina, grande amiga minha e bem gata, por sinal.

Mas, a história de Clementina começou com outro ato muito humano: a traição.

Após seis anos de namoro, nossa heroína descobriu que seu namorado estava pulando a cerca. Ela não contratou detetives, não pegou o cara com a boca na botija, não ouviu fofocas ou desconfiou de algum comportamento suspeito. Clementina achou tudo no Facebook.

Breve resumo do caso: por conta do seu trabalho, Aderaldo (o namorado sapeca) viajava muito. Eram semanas (ou até meses) em Angola, México, Moçambique, Venezuela e onde mais houvesse um empreendimento da sua empresa. Clementina aprendeu a lidar com a situação e segurava a barra durante os períodos de distância. Chegou até a se acostumar. Pronto. É isso.

Só que um belo dia, uma amiga lésbica de Clementina estava flertando com uma modelo mexicana. Como é muito comum hoje em dia, elas se "adicionaram" no Facebook. Para a surpresa de todos, foram descobertas fotos de Aderaldo entre beijos e abraços com a menina da terra do Chaves.

Caceta, tá certo que o cara deu um mole monstruoso ao se deixar fotografar, mas que azar, hein? O cidadão ciscou fora do terreiro lá na capital do México e foi descoberto no Rio de Janeiro através do Facebook. Rede social é fogo!

No mesmo dia, Clementina soube do caso e apurou detalhes. Terminou o relacionamento, entrou em depressão, chorou litros e perdeu 8 ou 9 quilos.

Amiga leitora, quer emagrecer? Descubra que está sendo traída.

Enganada e deprimida, Clementina deixou brotar em seu coração abatido a semente da vingança. Aderaldo seria punido em seu orgulho de macho. O telefone dele tocou e era ela.

- Quero que você saiba uma coisa, seu babaca. Lá na academia tem um gatinho que está me cantando há meses. Eu nunca dei bola, mas agora vou dar bola e muito mais. Vou sair com ele e vou deixar ele me comer de todas as formas possíveis e imagináveis. Vou fazer compras na sex-shop e dar para ele dos jeitos que eu nunca dei para você. Vou fazer o cara quicar e bater no teto. Tchau!

- Clementina, peraí. Vamos convers...

Desligou!

De fato, ela saiu com o "gatinho da academia". Realmente, ela deu para ele. A parte tragicômica da vingança é que quando ela disse que queria ser comida de todos os jeitos possíveis, o cara ficou intimidado e não conseguiu. Diante de tal pedido, ele ficou tímido.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, na qualidade de Homem Mais Poderoso do Universo, He-Man não tem medo de nada. Na verdade, quase nada. He-Man tem um leve medinho de mulher traída. Pois é, quando quer se vingar, a mulher enganada fica criativa de um jeito que Deus me livre. Bom, com a proximidade do Carnaval e o advento das redes sociais, He-Man prevê que vários relacionamentos vão por água abaixo por causa de fotos indiscretas. A lição é: anda na linha, amiguinho. E evite câmeras. Ah, e falando no carnaval, que invenção dos infernos é essa espuminha, hein? Até a próxima!!!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pílulas de alegria vencidas


"Sometimes I feel like I don't have a partner. Sometimes I feel like my only friend"…

Em uma das suas músicas mais populares, o Red Hot Chili Peppers sintetiza a solidão que todo ser humano já sentiu em algum instante da sua vida. Mais explícito sobre a tristeza, Cazuza foi sintético: "eu ando tão down". Eu sinto invejinha deste pessoal que fica jururu e escreve versos memoráveis. Tem gente que chora. Tem gente que se isola. Tem gente que escreve. Gosto deste último grupo.

Ficar triste é fácil. Ficar triste e produtivo é respeitável. Admiro o cara que converte sua melancolia em algo inspirador, algo edificante – mesmo que involuntariamente. Mas antes, peraí: favor não confundir a doce amargura de um momento com a desgraça depressiva da Maysa-way-of-life.

Ops! Eu me refiro à falecida cantora Maysa e não à criança-prodígio-cachinhos-dourados Maysa. Aliás, esta segunda Maysa ainda existe? Ando muito por fora.

Ficar macambúzio é um direito pessoal e intransferível. Eu desconfio de pessoas que estão sempre felizes e sorridentes. Tenho receio de figuras saltitantes em tempo integral. Nada contra a alegria alheia, mas me sinto mais confortável perto de pessoas que são entusiasmadas, mas que também confessam suas próprias angústias. Sinto mais autenticidade neles. Ainda no campo musical, Frejat acertou na mosca: "E que você descubra / Que rir é bom /Mas que rir de tudo / É desespero".

Assim como todo sentimento, a tristeza é um combustível, uma energia. Você pode usá-la de duas formas: para seguir ainda mais para o fundo do poço ou para voltar à superfície e contemplar a luz do sol (mesmo que o seu dia ainda esteja nublado). Você escolhe, mas acredito que não há opção errada neste caso. Sinceramente.

Sim, escrevo estas linhas sorumbático. Não importa a razão, causa ou consequência. É assim que me sinto. Como eu disse lá no primeiro parágrafo, " tem gente que chora. Tem gente que se isola. Tem gente que escreve. Gosto deste último grupo". Vou te contar um segredo: quando fico macambúzio, eu me sinto mais inspirado a escrever. Estou longe da patota dos grandes poetas e compositores da melancolia, mas eu pergunto: "e daí?". Vai que você lê isso e gosta. Minha tristeza já valeu a pena.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, tá tristinho, é? Ai, meu canário, lá vamos nós de novo. Vem cá e cola a sua cabecinha atribulada no ombro musculoso do Homem mais Poderoso do Universo. Aprenda uma lição. Já que você iniciou seu texto com música, lembre-se do título de uma canção do grande Dire Straits: "Why Worry?". Sacou? Para que se preocupar? Titio He-Man fica feliz com a forma que você expressa a sua amargura, mas peraí, né? "Malandragem, dá um tempo". "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Curta esses seus momentos de deprê, mas muda logo este disco. Aproveita que o Carnaval se aproxima e vai escutar Ivete Sangalo. Tira o pé do chão! U-hu! Amiguinho, ser sincero é uma coisa. Ser grosso e inapropriado é outra. Tenha bom senso antes de dizer algo negativo. Até a próxima!!!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quatro meses


No comecinho de fevereiro, completei quatro meses de Dublin. O inglês está melhor, não passo mais tantos perrengues no dia a dia e já me acostumei com o sotaque Irish. Neste período, já deu para constatar alguns aspectos locais. Saca só:

1. É fascinante morar em um país onde a polícia não usa armas de fogo. Os guardas usam sprays e eletrodos. Eles são loucos? Irresponsáveis? Despreparados? Não. É porque o índice de assalto à mão armada em Dublin é zero.

2. Drogas existem, mas não a Irlanda não tem o Comando Vermelho ou o Fernandinho Beira-Mar. Algumas bocas são conhecidas e alguns bairros são um pouco mais perigosos, mas nada alarmante.

3. O sistema de ônibus dublinense ainda me irrita. Se você perde um ônibus, precisa esperar mais 20 minutos, mais ou menos. Se precisar ir ao bairro ao lado, tem que pegar uma condução ao Centro e só depois pegar outro para o seu destino. As linhas só atendem trajetos que vão ao centro. Às 11 da noite, os ônibus ficam raros. Depois da meia-noite, só táxi.

4. Outro lance irritante é ter que avisar ao motorista do ônibus qual o seu destino e só assim saber o valor da passagem. Vem cá, e seu mudar de ideia no meio do caminho? E seu eu não souber o nome da rua para onde vou? Fala sério!

5. Por outro lado, o Luas (um tipo de metrô de superfície) e o Dart (trem) são ótimos: confortáveis, rápidos e seguros. O único problema é a questão do horário, que padece do mesmo mal dos ônibus.

6. O povo brasileiro é hospitaleiro, simpático, acolhedor, trabalhador, descolado e duro na queda. De verdade! Mas por que não pode ser educado como os gringos europeus? Meus conterrâneos me desapontam na questão de respeitar as pessoas, independentes das classes sociais. Por que temos que levar "vantagem" em tudo?

7. Lembra que eu mencionei que o povo irlandês bebe muito? Pois é, a moçada bebe mesmo. Quanto mais velho, mais bebem. As meninas também entornam. Não é novidade encontrar mocinhas com os quatro pneus para cima nas ruas do Centro da Dublin. O povo bebe "de com força". Um das razões do potencial manguaceiro do irlandês é a qualidade da cerveja. Cacete, a Guinness é sensacional! Que cerveja gostosa, cara! E você ainda pode optar pela Heineken, Carlsberg, Coors, Beamish, Smithwicks, Murphy's, Foster... O que mata é o preço da pint (copo de 500ml). No barato, você desembolsa 4 euros, o que dá uns 10 reais por copo. Facada, maluco!

8. "Tudo bem?" é universal. Você pergunta e a pessoa responde "sim", mesmo que não esteja bem. Os irlandeses preferem uma resposta menos otimista. "Tudo bem?", você pergunta. "Não tão mal" ("Not too bad"), eles replicam. Chega a ser engraçado. Pouco tempo depois, descobri que esta resposta é comum em todo o Reino Unido.

9. Em Dublin, conheci brasileiros de todos os tipos: gente que foi tentar a vida na Europa, estudantes e até imigrantes ilegais. Conheci um mineiro que está há dois anos na Irlanda e diz que só volta quando tiver dinheiro para comprar a sua casinha perto de BH. Também encontrei um garotão que entrou como estudante de inglês, mas declara que jamais pisou em uma aula. Ele está há 7 meses de férias, curtindo e viajando com o papai pagando a conta.

10. A Irlanda está numa pindaíba lascada. Já escrevi sobre isso, mas é bom reforçar. A economia local está se reerguendo e este processo leva tempo. Enquanto isso, o povo vai sofrendo com cortes de benefícios, queda nos salários e incertezas. Para você ter uma ideia do perrengue, em janeiro de 2011, cinco ministros e o Primeiro-Ministro (o cara que manda no país) pediram o boné. Infelizmente, a simpática Ilha Esmeralda é uma nau sem rumo.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, análise de listas estão fora do meu job description. Vou aguardar um texto decente e depois comento. Inté!!!



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O mundo é seu

Acho que esse humilde bloguinho nunca ficou tanto tempo sem atualização. Mea culpa, mea maxima culpa. Desculpe!

Em "Jurassic Park", divertido filme do Spielberg de 1993, há uma cena em que o rabugento e cético Dr. Grant fica diante de um brontossauro pela primeira vez. Seu olhar de total surpresa e assombro diante do impossível é um dos melhores momentos da trama. Há poucos dias, eu compreendi como ele se sentiu.

Olha, juro que não sou um deslumbrado. É preciso muito para me derrubar o queixo. Pois diante do Big Ben, minhas pupilas dilataram, meu coração acelerou, minha boca ficou seca, minha mandíbula ficou mole, minhas pernas ficaram bambas e as palavras faltaram. Deu vontade de rir. Deu vontade de chorar. Deu dor de barriga. Tudo ao mesmo tempo agora.

Juro! Fiquei que nem o Dr. Grant diante do brontossauro.

Sabe quando você se vê em um contexto onírico? Quando você se vê em um cenário só conhecido em TV ou foto? Tá bom, de repente você está lá diante do "relojão" do Big Ben. Pouco depois, está na Abadia de Westminster, na Catedral de St. Paul, na Tower Bridge e por aí vai. Você está conhecendo o mundo.

Passei três dias intensos em Londres e me senti vivo como nunca. Foi como se a ficha caísse e eu finalmente descobrisse que há algo além do horizonte, além do fim do arco-íris. Sabe, o mundo é muito maior que o seu ou o meu quintal. Há tanta coisa a ser vista, a ser descoberta. Em algum lugar da sua janela, há algo que vai fazer o seu queixo cair. Cabe a você desligar a televisão e dar um jeito de chegar lá. Aposto que o seu brontossauro está em algum lugar do planeta.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, o Homem Mais Poderoso do Universos está sem muito saco para comentar os seus deslumbres, por mais esporádicos que sejam. Não vou nem me dar ao trabalho de levantar a espada e me transformar. Mas, vamos à moral da história. Lembre-se do que James Bond já mostrou: o mundo não é o bastante. Até a próxima!!!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vampiro Edward, não enche o meu saco!

Em algum momento de 2010, eu li um artigo no Globo que me chamou a atenção. O autor foi o JP Cuenca e o tema era o perfil do homem pós-2000 segundo a cultura pop. Resumidamente, ele indica fenômenos como "Crepúsculo" como referência para um tipo de macho mais low-profile e mais sensível. Não sei bem o porquê, mas este assunto me ocorreu novamente e decidi escrever sobre isso.

Enfim, acho que JP acertou na mosca. O macho do século XXI é um cara mais reservado e o cinema, música e literatura estão aí para registrar. A insuportável saga do Vampiro Edward, da songa-monga Bella e do Lobisomem-sem-camisa-que-eu-não-lembro-o-nome é um expoente desta corrente. Pegando um paralelo do próprio articulista, o vampiro deprimido de "Crepúsculo" em nada lembra a sensualidade de Jerry Dandrige ("A Hora do Espanto"), o hedonismo de Lestat ("Entrevista com o Vampiro") ou a curtição dos sanguessugas de "Garotos Perdidos". Edward vive se lamuriando enquanto Jerry, Lestat e os vampiros adolescentes da cidade de Santa Carla querem aproveitar cada segundo (ou gota de sangue) da sua divertida imortalidade.

Peço perdão aos fãs de "Twilight". Cada um com as suas drogas, mas não aturo o triângulo escaleno entre o vampiro magrinho, a garota com cara de sono e o índio marombeiro.

Na música, o movimento emo e seus seguidores chorosos me dão medo. Perto do NX Zero, Panic at the Disco e Restart, o (argh!) titio Bon Jovi é o Conan, O Bárbaro do rock'n'roll. Fico bolado por essa molecada que fica escrevendo poemas e degustando amores platônicos. Quer amor platônico? Quer realidade virtual? Compra uma Playboy de uma ex-Big Brother e pronto. Juntou os dois.

Ah, não ferra, né? Meu amor platônico é a Angelina Jolie. Isso sim é platônico, meu camarada. Eu aqui e ela a milhões de dólares de distância.

Na verdade, minha indignação não é contra o novo perfil sensível do homem moderno. Acho bacana o cara ser gentil, cavalheiro, culto e capaz de acompanhar a mulher amada no shopping lotado, mas tenhamos limites, né? Se há uma lição que aprendi com o querido sexo oposto é: mulher quer um homem carinhoso, bem-humorado e com pegada firme – daquelas que deixa a menina com princípio de asma e pernas bambas. O cara até pode ser "fofo" e levar para jantar em um lugar bonito, mas tem que ser capaz de jogar a guria contra a parede, puxar os cabelos e sussurrar "vem, gostosa". Duvido que o Vampiro Edward faça isso.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, mire-se no exemplo do todo-power He-Man: forte, musculatura invejável, sagaz e sempre com uma mensagem inteligente para você. Por essas e outras que a Teela e a Feiticeira comem na mão aqui do papai. A mulherada pós-2000 está mais exigente e mais inescrupulosa. O jogo está mais disputado e isso inibe uma boa parte dos meninos. Com as novas regras, os jogadores levam um tempinho para se adaptar e durante este período, surgem algumas bizarrices. Amiguinho, limpe sempre os pés antes de entrar em casa. Até a próxima!!!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Síndrome de Charlie Brown

Adoro os desenhos do Snoopy. Um dos meus episódios favoritos é um em que o Charlie Brown se desespera ao perceber que logo a escola entrará nas férias de verão e ele ainda não disse oi para a sua amada Garotinha Ruiva. Durante toda a história, "Minduim" convive com o pânico de querer se aproximar, mas esbarra em uma timidez monstruosa. Na conclusão (momento spoiler), ele não consegue falar com ela, mas descobre uma cartinha da sua musa e encontra esperança e força para atravessar os meses de férias.

Além da ótima trilha sonora de jazz, o que eu mais gostava nos desenhos do Peanuts era a criatividade de mudar o happy-ending. O finais nem sempre eram felizes, mas eram repletos de motivação. Belo desenho esse.

Enfim, esta intro nostálgica serve para ilustrar a situação de Margarida, uma amiga portuguesa que fiz aqui na Irlanda.No primeiro semestre, nossa heroína conviveu com uma atração platônica por um garoto da sua universidade. Tão grande quanto o seu encantamento era a sua timidez. Com a proximidade do recesso das festas de fim de ano, a moça entrava em desespero, pois ela queria dar um jeito no problema antes das férias. Eis a grande semelhança com o drama do bom Charlie Brown..

O rapaz vinha do leste europeu, não estou ao certo se era romeno, búlgaro, tcheco ou polonês. Enfim, era lá daquelas bandas. Ele trabalha em um café na universidade e, segundo ouvi, também era um sujeito tímido. Vamos chamá-lo de Garotinho Ruivo.

De tanto frequentar a loja do Garotinho Ruivo, Margarida já poderia ter arrumado um problema cardíaco. Cada visita era um copão de café e olha que ela fazia isso umas três vezes por dia. Porém, nada dele perceber.

Certo dia, ela até esbarrou com ele no ponto de ônibus, mas travou e perdeu a oportunidade de puxar assunto. No entanto, decidiu fortemente que tomaria uma atitude no último dia de aula.

Dito e feito!

Mesmo sentindo as mãos tremerem, a boca seca, suor frio e dor de barriga, Margarida entrou na loja de café decidida. Pediu um capuccino, olhou bem nos olhos do Garotinho Ruivo e disse.

- Hoje é o último dia de aula. Vamos sair para beber e comemorar. Os alunos do curso, professores e funcionários vão e eu acho que você poderia ir também. Você faz parte do grupo, mesmo que indiretamente.

Aliás, este approach foi analisado e planejado por várias garotas juntas. Todas ajudaram Maragarida a arrumar um discurso elegante para chamar o Garotinho Ruivo para sair

- Claro. Obrigado. Onde vai ser? – ele respondeu.

- Ainda não sabemos. Você quer ir?

- Quero.

Margarida quase engoliu o coração.

- Então anota o meu telefone – ainda com as mãos trêmulas anotou o seu telefone em um guardanapo de papel. Garotinho Ruivo sorriu e o guardou no bolso da camisa.

O encontro aconteceu e eu fui testemunha. Alunos e funcionários fizeram uma procissão por diferentes pubs e encheram o pote no melhor estilo irlandês. No entanto, Garotinho Ruivo não ligou. Nem neste dia nem no Natal ou no ano novo. Margarida se sentiu a menina menos interessante de Dublin e foi afogar as mágoas em casa.

Em janeiro, as aulas recomeçaram e Margarida percebeu que Garotinho Ruivo estava no mesmo balcão de sempre. Decidiu não dar mais bola para esta situação. Como toda mulher deve ter aprendido após o filme "Ele não está tão afim de você", quando o cara quer, o cara liga. Nossa heroína desencanou.

- Ei! – ela ouviu e reconheceu a voz. Era o Garotinho Ruivo.

- Oi. Feliz ano novo – ela respondeu.

- Feliz ano novo. Olha só, acho que houve algum problema com o número que você me deu. Eu te liguei, mas atendia uma outra pessoa.

- Como assim?

- Olha aqui - Garotinho Ruivo sacou o guardanapo amassado e romanticamente guardado. Margarida leu o número e...

Glup!

Tal e qual as histórias do Charlie Brown, algo deu errado. Por culpa da tensão, da ansiedade ou do nervosimos, Margarida anotou o próprio número errado.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, no drama de Margarida e o seu muso Garotinho Ruivo, o que mais chama a minha suprema atenção é um raríssimo exemplo de união feminina. Tal manifestação de companheirismo de calcinhas é tão esporádico quanto a visita do cometa Halley ou um título da Inglaterra na Copa do Mundo. Enfim, nossa amiga portuguesa corre risco de fazer jus às inúmeras piadas envolvendo os seus primos lusos, mas ela está perdoada. Eu sei o efeito devastador que causo nos hormônios das pobres meninas. Eu entendo como elas ficam desnorteadas e abiloladas diante de seu objeto de desejo. Margarida tá perdoada. Não vale dizer "tinha que ser portuguesa". Amiguinho, ao cortar as suas unhas, não deixe pedacinhos pelo chão. Seja limpo, pô! Até a próxima!!!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A última faixa de um bom disco

Fiquei sabendo que a Modern Sound fechou as suas portas. Para quem não teve o prazer de conhecê-la, estou falando de uma das mais belas e interessantes lojas de discos que eu visitei. Curiosamente, soube do triste fato por Ruy Castro, um dos maiores apreciadores de música que já encontrei.

Tive o prazer de conhecer o Ruy Castro profissionalmente e pessoalmente. Dentre
outras peculiaridad
es, ele me
en
sinou que farofa aquecida no micro-ondas é um sacrilégio. Mas voltemos ao tema...

Confesso que nunca fui um assíduo frequentador da Modern Sound, mas sempre tive uma simpatia imensa pelo seu grande e sofisticado salão. O clima de música, o som ambiente, os títulos variadíssimos e as senhoras de Copacabana tomando café no bistrô criavam um ambiente charmosíssimo. Ao pisar na loja, eu me sentia mais inteligente, mais culto, mais cool. Era como se a boa música entrasse por osmose no meu organismo. Bom, já era. Fechou. The end. Se bobear, vai virar uma Americanas Express ou uma igreja evangélica.

Com o fechamento da Modern Sound, Copacabana fica um pouquinho menos elegante. O bairro perde um tiquinho da sua graça. O público fica órfão e o último dos moicanos é a Tracks, na Gávea. Aliás, a Tracks ainda existe?

Como admirador da música em geral, sempre curti lojas de discos. Sem medo de ser chamado de antiquado (ou vintage), ainda procuro meus CDs ou LPs para ouvir minhas bandas favoritas. Então, imagina a minha surpresa (positiva) ao me mudar para Dublin e encontrar uma cacetada de lojas de discos. No centro da capital, há sebos, megastores, lojas especilizadas em vinis, raridades, discos caros, pechinchas... tudo! Longe do Rio, achei pequenos recantos de música e de fãs dos bons sons. Que nem há 44 anos, quando a Modern Sound foi fundada.

Parêntesis final: claro que uso e curto o mp3. Com o advento da banda larga, posso ter um álbum inteiro em menos de 2 minutos. Porém, sou obrigado a admitir que nunca me interessei em comp
rar um iPod. Acho que a música fica sem rosto, sem alma.

PS. É pau, é pedra, é o fim do caminho. No apagar das luzes, li esta matéria:

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, e lá vamos nós na sessão nostalgia. Sabe, às vezes, você
parece uma secretária aposentada que morre de saudade da velha máquina de escrever. Diz aí: você prefere uma máquina digital ou uma polaroide? Enfim, zoei para não perder o hábito, mas esse é um sinal dos tempos. Os seus amados discos estão restritos à pequenas seções dentro de lojas de departamentos. Fazer o quê? Pior seria se eles sumissem de vez. E olha que com o andar da carruagem da música por download, isso nem é um pensamento tão difícil de acontecer. Amiguinho, cuidado cuidado com escadarias escuras. Procure sempre acender a luz. Até a próxima!!!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Resoluções para 2011

Ainda no clima do "adeus, ano velho! Feliz ano novo!", pensei em uma lista de resoluções para 2011.

1) ...
2) ...
3) ...
4) ...
5) ...
6) ...
7) ...
8) ...
9) ...
10) ...

Isso mesmo. Reticências. Sei o que eu quero de uma forma ampla e preparar um checklist para verificar no dia 31 de dezembro de 2011 não me excita mais. Acho que uma das maiores lições que aprendi nos últimos meses é ter um norte, mas não ficar bitolado com "pequenices". Na vida, quase tudo é"pequenice". Passei a olhar além das colinas (ou "Além do Horizonte", como versou o Rei).

Sejamos mais Raul Seixas ("não sei para onde estou indo, mas sei que estou no meu caminho") ou mais Zeca Pagodinho ("deixa a vida me levar. Vida leva eu"). Funciona? Quem sabe... isso só o tempo revela.

Desejo ainda mais fortemente um ano extraordinário para você e pego emprestado uma benção irlandesa:

May the road rise to meet you
May the wind be always at your back
The sun shine warm upon your face
The rains fall soft upon your fields
And until we meet again,
May God hold you in the hollow of his hand.


Traduzindo…

Que a estrada se erga para te encontrar
Que o vento esteja sempre nas suas costas
Que o sol sempre aqueça a sua face
Que a chuva caia suave sobre os seus campos
E até que nos encontremos novamente
Que Deus carregue você na palma da Sua mão.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011




Feliz 2011, moçada! Aproveitem este ano como se fosse o último. Sabe como é, né? 2012 vem logo depois...

Brincadeira! Que o ano novo seja extraordinário!!!