quinta-feira, 27 de maio de 2010

O primeiro encontro em 10 dicas

O primeiro encontro é coisa séria. Tal evento deve ser encarado como pênalti em final de Copa do Mundo, entrevista de emprego ou assinatura de tratado entre israelenses e palestinos. Em resumo, qualquer vacilo bota toda a campanha no lixo.

Por essas e outras, bolei mais uma lista de bizús óbvios. Sim, pois é no campo do inequívoco que estão as maiores probabilidades da vacar tomar, lépida e faceira, o rumo do brejo. Então, vamos ao que interessa:

1. Tome um banho!
Mesmo que não seja fim de semana ou dia santo, faça as pazes com o chuveiro, com o shampoo e com o sabonete. Não precisa fazer um dia de noiva, mas uma chuveirada é essencial. E na mesma toada, escove os dentes e guarde um Halls preto no bolso para qualquer emergência.

2. Limpe o seu carro
Seguindo o princípio da limpeza, dê um trato no seu possante – principalmente, no interior. Tire roupas sujas, sapatos velhos, lixo, restos de comida e outros itens que denunciem a sua falta de higiene. Nem preciso lembrar para você prestar atenção em camisinhas (usadas ou não), recadinhos amorosos, roupas íntimas e brincos alheios, né? Ah, bom...

3. Apague queimações de filme em redes sociais
Não tem jeito, nossa vida está na Internet e as redes sociais podem conspirar a favor ou contra. Se você tiver um perfil no Orkut ou no Facebook, sua situação é delicada. Deixa de ser mané e saia de comunidades do tipo "Namorada boa é namorada corna", "Eu boto chifre", "Eu tomo cachaça no café da manhã" e afins. Aproveite o embalo e apague esporros de outras mulheres ou declarações negativas. Aqueles recados fofinhos podem ser mantidos para efeitos de marketing. Fêmeas são competitivas e gostam de puxar o tapete das concorrentes.

4. Vista-se adequadamente
A escolha do pano que você vai usar é importante. Atente ao estilo da sua musa e ao local escolhido para o encontro. Se vocês combinaram uma noite no Buraco da Lacraia, não cai bem o figurino mauricinho. Por outro lado, se a opção foi pelo Antiquarius, pense duas vezes antes de usar aquele jeans mulambento, aquela camisa desbotada do Iron Maiden e o All Star velho de guerra. Se você tiver dúvidas, faça como eu: peça ajuda a uma mulher (preferencialmente, uma que não lhe desperte segundas intenções). Elas têm o feeling.

5. Cuidado com os assuntos escolhidos
Veja bem: você está sendo analisado. A escolha dos assuntos é determinante na manutenção do interesse dela. Sendo assim, evite fazer piadas machistas, esculhambar (ou elogiar demais) a sua ex-namorada, falar que nem um papagaio e criticar tudo. E, pelamordedeus, não conte as desgraças do seu passado, não comente a sua preferência por sexo bizarro e não revele a sua predileção pelo cinema pornô da Suécia.

6. Escolha um local de acordo com as suas possibilidades financeiras
Pelo capítulo 2, parágrafo 4, versículo 8 e linha 2 do Manual do Primeiro Encontro dos Seres Humanos, é de bom tom que o macho se ofereça para pagar a conta. No caso, você. Entendeu? Assim, opte por um estabelecimento dentro da sua verba, mas que não seja um pé-sujo ou o dogão cavernoso da saída do baile funk. Lembre-se: é feião você ir a um restaurante fino e sugerir que ambos rachem uma salada verde com água mineral (sem gás). Se ela se oferecer para pagar, agradeça, mas negue. Se ela insistir, é charminho. Se ela insistir muito, sugira que esta gentileza seja usada em um próximo encontro. Ah, essa é boa, hein?

7. Evite olhar bundas alheias
Concentre-se, garoto! Durante o encontro, mantenha os seus olhos de caçador na presa, isto é, ela. Nada de ficar olhando outras mulheres. Fazer ruídos animalescos, então, nem pensar. Também seja discreto ao olhar o decote da sua acompanhante. Não me racha a cara de vergonha.

8. Na hora do vamo-ver
Se você se comportou direitinho e fez tudo certo, a moça vai lhe conceder algumas bitocas. Demonstre pegada, mas sem exagero. Atenção para os "três nãos": 1. No carro, não force o kekete, empurrando a cabeça dela para a sua linha de cintura, 2. Não sugira logo uma passadinha no motel, 3. Não troque o nome da infeliz. A melhor atitude é deixá-la no comando. Ela dita o ritmo e conduz as ações.

9. Risque do seu vocabulário algumas frases
Haja o que houver, jamais fale: "tá um pitéu, hein, nêm?", "tu não é blitz da Lei Seca, mas tá fechando o trânsito", "estou amarradão. Não saio com uma mulher há uns dois anos", "que legal. Depois podemos jogar Playstation lá em casa", "vou levar deixar o meu celular ligado, pois um dos meus sete filhos pode me ligar", "este é o meu primeiro encontro heterossexual", "ó, comprei umas vinte camisinhas. Tem uma que até canta". Enfim, você entendeu, não?

10. Seja sincero
Ao deixar a moça em seu domicílio, cuidado com as suas promessas. Se prometer ligar no dia seguinte, ligue. Se prometer um novo convite, faça-o. Meu camarada, evite juras de amor eterno, declarações de amor à primeira vista, planos para um futuro a dois e outras presepadas de quem quer comer logo. Por mais tapadinha que seja a sua dama, certas conversas não enganam nem a mais retardada

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, você anda muito confiante sobre as suas técnicas ninjas de acasalamento. São regrinhas aqui, dicas acolá. Todo cheio dos mi-mi-mis. Daqui a pouco vai escrever um livro pela Editora Sextante e figurar nas prateleiras das Lojas Americanas Express. Entonces, como todos sabem, He-Man dispensa listas, pois é o ser mais farpado e pegador do Universo - Teela, Feiticeira e até a Maligna não me deixam mentir. Meu tronco definido e minha franjinha loira são ímãs para o sexo oposto. Saca as beatlemaníacas enlouquecidas e descabeladas? Esse é o efeito que causo sendo apenas um. Eu sou o Fab One e assim como o Bruno está se lixando para a torcida do Flamengo, eu não estou nem aí para a sua lista. Espero que dê um help aos meros mortais. Amiguinho, Twitter não é msn. Até a próxima!!!

sábado, 15 de maio de 2010

O meu sangue ferve por você

Tenho um amigo baixista de banda de rock que curtia N'Sync e Britney Spears. Um outro camarada tem vinte e poucos anos e é devoto do Roberto Carlos. Mais surreal é um grande amigo, lutador de jiu-jitsu casca-grossa, que era tão fã de Sandy e Júnior que viajou até São Paulo para ver um show e ainda foi fotografado com uma faixa da dupla na testa. Onde quero chegar com essa queimação de filme alheia? Simples. Praticamente, todos gostam de algum som ligeiramente vergonhoso. Veja o meu caso: eu confesso que me amarro no Sidney Magal.

Para começar, acho comovente um sex-symbol dos anos 1970 e 1980 se chamar Sidney. Convenhamos, Sidney não é nome de muso. Magal, então é triste. Mas contrariando a lógica, o danado fazia as suas mães sentirem arrepios do cóccix ao pescoço e criou o estilo cigano-taradão.

Bom, admito que de uns anos para cá, Mestre Magal anda meio esquisitão. Deve ser a idade...

Sidney Magal é visceral quando canta o amor, colega. Na imortal "O Meu Sangue Ferve por Você", o sujeito puxa o sentimento lá das entranhas. A introdução da música é baixa, mas firme. É o princípio de uma avalanche: "Teu! / Todo teu / Minha! / Toda minha / Juntos essa noite / Quero te dar todo meu amor...". Depois vem o grito de paixão quase primitivo: "Oooohhhh! / Eu te amo! / Oooohhhh! / Eu te amo, meu amor / Oooohhhh! / Eu te amo! / E o meu sangue ferve / Por você...".

E Magalzão não tem dor de corno. Se a mulher amada sair da linha e pular a cerca, a ameaça é de morte: "Se te agarro com outro / Te mato! / Te mando algumas flores / E depois escapo". Já em outro sucesso, "Dos Meus Braços Tu Não Saíras", o recado é o mesmo: "Não, não, não, amor / Dos meus braços tu não sairás / Se tentares me abandonar, / Nem sei de que serei capaz". Politicamente correto é o escambau! O cantor manda o papo reto sem indiretas ou metáforas.

Se exige a fidelidade, Magal retribui com pegada. "Tenho! Um mundo de sensações / Um mundo de vibrações / Que posso te oferecer / Tenho! Ternura para brindar-te / Carícias para entregar-te / Meu corpo prá te aquecer". Ao mesmo tempo, outro clássico do seu cancioneiro revela sua veia boêmia e autenticamente cafajeste: "Sou, como você já sabe, Amante Latino / Eu gosto das mulheres da noite e do vinho". Porém, no verso seguinte, ele amolece e cede ao amor por sua musa: "Mas se você me quiser, te levo comigo / E para toda a vida te dou meu abrigo".

Acho que foi em "Amante Latino" que o Sidney lançou o visual cigano-taradão-com-camisa-aberta-e-calça-colada.

Falando nessa fase cigana, o hit maior é a inesquecível "Sandra Rosa Madalena", que apresenta uma dançarina lasciva e sexy. Sidney fica babando pela morena, que foge ao clichê da musa doce e delicada. Sandra é uma mulher do povo! "Ela é bonita, seus cabelos muito negros / E o seu corpo faz meu corpo delirar / O seu olhar desperta em mim uma vontade / De enlouquecer, de me perder, de me entregar / Quando ela dança todo mundo se agita / E o povo grita o seu nome sem parar / É a cigana Sandra Rosa Madalena / É a mulher com quem eu vivo a sonhar".

Pois é, Mestre Magal é o som de gosto duvidoso que, volta e meia, aparece no meu CD-Player e faz com que eu perca linha em festas de casamento - com direito a flor entre os dentes e tudo.

PS. Confissões: quando era pequeno, eu vi "Amante Latino" no cinema. Entrei achando que era um filme dos Trapalhões. Não lembro do filme, mas recordo que achei muito estranho aquele monte de gente dançado em volta da fogueira e o Didi que não aparecia nunca. Ah, o cara da foto sou eu, depois de alguns copos de Red Label, em performance Magal.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, foto sua? Não tenho comentários ou lição. Estou estarrecido com esta sua manifestação Robert. Tenho compromisso agora e não vou longar o blablabla. Vamos ao encerramento: amiguinho, quando disser "eu te amo", seja sincero. Até a próxima!!!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Manual do acanhado

Eis um tema facinho de desenvolver, pois a carapuça serve na medida para este que vos escreve. Bom, hoje em dia já domei a timidez até um ponto saudável, mas houve um tempo em que ficar diante de uma mulher gerava uma cacetada de efeitos colaterais: pernas bambas, boca seca, gagueira, mãos trêmulas e por aí vai.

Mas, no fim das contas, não é que acabava agradando? Bibi tem razão quando menciona o charme dos tímidos. Só faço uma ressalva: tudo tem seu limite. Por mais que a impressão seja bacana, a mulherada também espera atitude dos moços – introvertidos ou descolados. Falo por experiência própria. Nessa hora, o sujeito deve dominar seus medos e receios e cair dentro. Claro que isso não acontece da noite para o dia, mas e daí? A graça fica justamente nas pequenas vitórias.

Para facilitar o processo, pesquisei aqui e ali (entre aventuras pessoais e papos com amigos e amigas) e me atrevo a formular os Dez Mandamentos do Tímido Engajado. Ei-los:

1. Não ficarás mudo - Meu caro, mostre sua voz. Mulheres gostam de falar, mas também cansam e é nessa hora que você entra.

2. Não falarás demais - Esta complementa a dica anterior. Fale, mas ouça em proporção dobrada. Mocinhas buscam caras atenciosos e isto quebra o seu galho perfeitamente.

3. Fugirás do rótulo de amigo – Se você quiser entrar numa de amiguinho, vai entrar pelo cano. O amiguinho não vai pegar a mulher que deseja.

4. Jamais farás tipo – Se a moça está te dando bola é porque gostou de ti, então não inventa moda sobre você mesmo. Seja autêntico ou você fará o tipo otário.

5. Assumirás tua timidez - Caso você tropece nas palavras, gagueje ou comece a suar frio, confessa a sua situação. Aposto que você somará pontos pela honestidade e ela achará um charme.

6. Evitarás movimentos bruscos - Meu caro acanhado, evite gesticular como um italiano. Você pode se empolgar e derrubar a taça de vinho no vestido novo dela ou acertar uma bordoada involuntária no nariz da pretendente. Aí sim, será a morte!

7. Não usarás cantadas velhas – O que funcionou com seu avô pode não funcionar com sua tchutchuca. Seja original e lembre-se do 4º Mandamento.

8. Mostrarás que tens pegada – Se mesmo diante da sua timidez, a mocinha resolveu te dar uns beijos, você precisa mostrar a que veio. Aperte a guria para que ela sinta que você tem punch. Mostre que você é acanhado, mas não é lerdo! Mas, vá com calma: pediu para parar, parou!

9. Exercitarás o olhar – Essa dica exige treinamento. Quando estiverem conversando, concentre-se nos olhos dela. Evite ficar olhando para o chão, para o teto ou para qualquer ponto que não seja as pupilas da guria (isso inclui o decote sensacional que ela está usando). Penetre-a com o olhar.

10. Terás sempre o pensamento positivo – A timidez é um dragão que é abatido aos poucos. Procure perceber os seus progressos e fique feliz com eles. Aos poucos, você se sentirá mais seguro e suas ações corresponderão aos avanços.

Ah, e nunca se esqueça das sábias palavras de Leoni: ""garotos como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos".

PS. Este texto foi originalmente publicado pelo Surfista Platinado no Caixa Preta em 2007. Como a coluna foi extinta, resolvi resgatar algumas ideias. Ah, neste período, Bibi (do blog Solteiras no Rio de Janeiro) foi minha companheira de textos. Hoje em dia, ela não está mais solteira e se dedica ao twitter com igual talento.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN? (INÉDITO)
Amiguinho, que bonitinho. Os bons filhos à casa tornam. Fico amarradão em reencontrar textos que ganharam o mundo (virtual) de volta ao seu berço. Vou te dar uma moral antes de revelar que desconfio de uma preguiça lazarenta em seu ser. Bom, comentar lista é fogo até mesmo para o ultracabeçudo He-Man, porque cada um tem a sua e sempre haverá alguém para questionar. É assim com a lista de convocados para a Copa, lista de compras, ranking das maiores torcidas do Brasil e por aí vai. Então, He-Man ficará enchendo liguiça até achar que pertubou o suficiente. Bom, já achei. Amiguinho, doar as roupas que você não usará mais demonstra muito altruísmo. Até a próxima!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

A capa da Playboy

Pequenas polêmicas de mesa de bar rendem pauta. Particularmente, acho que três ou quatro rodadas de chope são sementes para as melhores inspirações deste blog.

Era uma vez...

Papo vem, papo vai, sabe-se lá de onde surgiu o comentário:

EU: Lindinha, você se formou em relações internacionais. Deveria seguir carreira de assessora parlamentar em Brasília.

ELA: Gostei da ideia.

EU: E na pior das hipóteses, pode virar musa da capital federal e posar para a Playboy. Lembra da Mônica Veloso?

ELA: Tá maluco?

AMIGO: É sempre um plano B.

AMIGA (NAMORADA DO AMIGO): Não vejo problema. Você é bonita, novinha e tá com tudo em cima.

ELA: Vocês estão falando sério? Nem pensar.

AMIGA: Nem um Paparazzo? Paparazzo é charmoso. Rola só um peitinho discreto e uns biquinis atochados em preto e branco. Eu posaria.

AMIGO: Pois é, e ainda tem aquele Photoshop maroto para corrigir as pequenas imperfeições.

EU: Eu gerencio o projeto e fico com uma módica comissão de 20%.

ELA: Não acredito no que estou ouvindo. Alguém perguntou se eu posaria pelada para a Playboy, a Sexy ou o Paparazzo?

EU: Estranho seria se topasse para a revista do Globo Rural.

A conversa se estendeu por mais algum tempo – mais precisamente até a próxima rodada de cerveja. Daí para frente, a gente passou a debater o BBB, a política de direitos humanos na China e a influência direta dos celulares wifi no crescimento de arroz no Vietnã.

Mas ficou a questão: você deixaria a sua mulher posar para a Playboy?

E você, mocinha com corpo maneiro e autoestima em dia, toparia ser clicada em trajes sumários – ou sem eles?

Provocações à parte, eu pensaria "mulher minha pelada na parede de mecânico? Nem por um decreto". Aí vem aquele diabinho no ouvido: "pensa na moral de falar para a cuecada toda que você está pegando a capa da Playboy. É que nem Mastercad, não tem preço". Sob o ponto de vista feminino, o capetinha usaria um argumento mais assertivo: "R$ 600.000,00 + cachê rechonchudo para mostrar sua bela cútis em algumas festas e eventos badalados. Vai?".

Vamos combinar, 600 mil dinheiros fazem qualquer moça reavaliar seus conceitos sobre a dita nudez artística.

E você aí do outro lado da tela? O que você acha? Posaria? Deixaria posar?


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, bêbado é uma desgraça. Não pode tomar uns gorós além a mais e já começa ter ideias estapafúrdias. Ih, é a primeira vez que escrevo "estapafúrdias". He-Man é realmente um oceano incomensurável de palavras – um ás da língua (entenda como quiser). Ah, o tema? Claro, claro. Cada um com o seu cada um e com os seus valores. Tem gurias que ficam sem roupas rapidinho e sem receber um centavo por isso. Outras, porém, podem se sentir seduzidas pelos encantos do vil metal. Que seja. Cada um com o seu preço. E se serve de consolo, os holofotes só ficam sobre a modelo da capa durante 30 dias. No mês seguinte, outra donzela assume o lugar nas prateleiras das bancas. Bom, a menos que a sua edição seja um fracasso de vendas, que nem umas e outras que se aventuraram recentemente. Aí você vira chacota e pauta para o programa do Leão Lobo. Amiguinho, não jogue chiclete no chão. Dá uma raiva filha-da-%#¨$%¨% quando se pisa em um chiclete. Até a próxima!!!

PS: Taí um texto que vai bombar nas buscas do Google. Vou colocar mais lenha na fogueira: mulher pelada, capa da Playboy, bunda, Paparazzo, peitão, sacanagem, nua, estrela. Tá bom, né?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Como perder uma garota com apenas uma pergunta

Sou o que chamam de internet heavy user. Tenho Orkut, blog, MSN, twitter, Facebook, LinkedIn, gmail, hotmail e yahoo. Também conheço ferramentas de pesquisa, editores de conteúdo online, medidores de audiência, HTML, plano de navegação, gírias e jargões do ambiente web. Vou colocar o meu currículo em seguida? Não. Só contei esses detalhes para reforçar que, mesmo tão inserido na matrix, sou 100% devoto das relações reais. Tipo olho no olho (sem web cam), sacou? Eu penso assim e Adélia, a foliã que duplicava gente no carnaval mineiro, também.

Bom, Adélia, lépida e faceira, foi bater perna em São Paulo. Aliás, ao contrário da maioria das fêmeas normais, para a nossa heroína "bater perna em São Paulo" significa passear em alguns dos inúmeros pontos culturais da cidade. Fazer compras e dar um pulinho na 25 de Março não estavam no roteiro.

Adélia ficou hospedada em um hotel e percebeu uma certa movimentação no saguão. O recepcionista informou que se tratava de um congresso de comunicação em andamento. Como o mundo se resume a um ovo de codorna (e esse povo de comunicação é uma tribo que se esbarra em qualquer canto do planeta), a carioca encontrou a namorada de um amigo no grupo.

Ah, que surpresa. Dois beijinhos. Você por aqui. Pois é. Como estão as coisas? Tudo legal. Blablabla.

A namorada-do-amigo estaca acompanhada de outros rapazes. Segundo Adélia, alguns até interessantes. Um deles puxou assunto.

- Você é do Rio?

- Sou.

- Veio passear?

- Isso mesmo.

- São Paulo é ótima. Você vai conhecer vários lugares da hora.

Glossário: Da hora = maneiro, legal, bacana, supimpa, u-huu.

- Eu sei.

- Qual o seu @ mesmo?

- Hã?

Pausa de três segundos. Que raio de pergunta foi essa? Seria uma gíria em Sampa?

- Seu @, seu twitter.

- Ahhhhhhhh... não tenho. Odeio internet.

Adélia mentiu. Ela é tão heavy user quanto eu, mas ficou indignada com a pergunta. O cara bonitinho não se interessou pelo seu nome. Perguntou o seu twitter e isso soou muito preocupante. Ela imaginou o cara se lambuzando com mel em frente a uma webcam.

Eca!


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, Adélia se deparou com um nerd em escala altíssima. Não ria, não, Surfista, pois você joga nesse time também. Tira onda de atleta, mas tem um nerdzinho preso no seu peito e querendo se mostrar para o mundo. Eu sei. Ah, e esse encontro surreal é um sinal de como as relações estão cada vez mais codificadas. Como Mestre do Universo e PhD em sociologia eterniada, He-Man sabe o nó que essa vida dupla (real e virtual) pode dar um nó na cabeça das pessoas. Pode ser uma questão de "sentir-se seguro" no ambiente web ou meramente um reflexo do quanto é natural ter uma persona @. Por essas e outras, He-Man não tem twitter. Se você encontrar algum, é fake. Amiguinho, não acredite em pastas de dente milagrosamente clareadoras e shampoos que prometem deixar os seus cabelos como os da Ivete Sangalo. Até a próxima!!!

Liga retrô

Muita gente tem pavor de ser chamada de saudosista. Verdadeiro pânico. Eu não. Particularmente, eu curto este sentimento tão latino: a saudade. Ora, só sentimos falta do que foi bom. Não conheço viv'alma que lembre com carinho de uma perna quebrada ou da morte da avó.

Mais do que a saudade das passagens marcantes na vida de cada um, considero fascinante como certos momentos unem tanta gente. E poucos fatos unem tantos quanto os esportivos. Ah, o que seria das nossas segundas-feiras sem o jogo de domingo? Mais do que pauta, o esporte é retrato de toda virtude e mazela que configura o ser humano – da corrupção à superação.

Por exemplo, eu sinto saudade do Chicago Bulls dos anos 1990. Melhor dizendo, eu sinto falta das partidas do Michael Jordan pedalando sobre uma passarela invisível antes da enterrada. Ou então, do raciocínio na velocidade da luz, a precisão do arqueiro zen e da frieza de cirurgião antes do arremate nos últimos segundos. Para ele, o relógio sempre foi cúmplice.

Mais perto de nós, eu sinto saudade daquela seleção de basquete liderada pela Hortência e pela Paula. Sinto saudade do Oscar. Sem qualquer cerimônia, o time masculino brasileiro invadiu a corte norte-americana em Indianápolis e os derrotou no seu jogo mais querido. Mal e porcamente comparando, é como se a equipe da Etiópia passasse o rodo em Kaká, Luis Fabiano, Robinho e companhia em pleno Maracanã lotado.

E falando em Maracanã...

Ainda me arrepio só de lembrar daquela falta marcada aos 43 minutos do segundo tempo da decisão do campeonato carioca. Petkovic chutou aquela bola em 2001, mas o grito de gol ecoa até hoje. Assim como ainda tremo ao lembrar do gol de barriga do tricolor Renato Gaúcho, da cabeçada matadora do alvinegro Maurício ou da finalização indefensável do cruzmaltino Cocada.

Eu sinto saudade do futebol do Zico, do Dinamite, do Maradona, do Romário, do Batistuta e de tantos outros que viraram figurinha nos álbuns da Copa. Lembro também de craques que não botaram a bola na rede. Quem? Gustavo Kuerten. Putz, o garoto tirou o tênis dos clubes endinheirados e o instalou nas mesas de bar. O povo passou a discutir o técnico novo do Corinthians e a chave de Roland Garros.

Eu sinto saudade das Olimpíadas de Barcelona 1992. Lembro do arqueiro que acendeu a tocha com uma flecha de fogo. Dizem que ele errou. E também lembro da bola incendiária de Marcelo Negrão, que garantiu a medalha de ouro do nosso vôlei e vingou a geração de Bernard e Montanaro. Mais democrático, o vôlei abraçou a mulherada com uma geração que protagonizou confrontos épicos contra a Cuba. Só não rolava dedo no olho porque tinha uma rede entre Márcia Fu e Regla Torres. Hoje em dia, Cuba não é mais o bicho-papão. Ficou apenas a saudade do nosso vilão favorito. Uma sensação semelhante a que sentimos pelo Darth Vader... ou pelo Alain Prost.

No limite da chatice de velho, a Fórmula 1 de antigamente era muito mais divertida. Era dever cívico acordar cedo em pleno domingo para ver os pegas entre Ayrton Senna, Alain Prost, Nelson Piquet e Nigel Mansell (com aquele bigodão de Freddie Mercury). Depois deles, Schumacher brilhou sozinho e tivemos que aturar o Rubinho por anos a fio.

Tanta coisa óbvia (outras nem tanto) para se sentir falta no esporte. E acho que a nossa geração é muito feliz com as suas lembranças. Meus pais não têm muitas imagens de gols, pontos ou cestas dos ídolos de 1970 ou 1960. São raras imagens sem cor e embaçadas. Nós temos acesso fácil. Basta colocar no youtube o nome do ídolo a qualquer momento. É tão fácil ser nostálgico, que acaba sendo banal. É como foto digital. Antigamente, foto era um evento. Hoje em dia, qualquer celular faz uns 200 retratos com uma resolução bacaninha.

Saudosista? Sim. Romântico? Pra cacete! Aposto que você também tem lembranças esportivas (e afetivas). Divida uma com a gente.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que sentimental. Está na crise dos 30? Daqui a pouco, você resgata os discos do Sergio Mallandro na Oradukapeta. Aliás, a Porta dos Desesperados ainda é um clássico incomparável da TV brasileira. Pronto, já dei a dica para um próximo texto. Enfim, He-Man será curto, grosso, incisivo e paulocoelhiano em sua explanação: conhecer o passado nos ajuda a ver melhor o futuro, mas quem vive de passado é museu e sala de troféus do América FC. Captou ou quer que eu desenhe com legendas coloridas? Amiguinho, evite usar canetas esferográficas abertas no bolso da camisa. Você pode manchar o tecido. Até a próxima!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Diários de bicicleta

Há cinco meses, eu estava na mesa de cirurgia arrumando o menisco e os ligamentos do joelho esquerdo. Tudo deu certo, mas ainda estou vetado de corridas, futebol e jiu-jitsu. O que sobrou: a bike velha de guerra.

Minha antiga bicicleta estava perdida em algum lugar do porão do prédio dos meus pais. A primeira missão era encontrá-la e torcer para que ela não tivesse sido devorada por ratos, traças, aranhas, ferrugem e outras pragas. Quase que milagrosamente, a magrela estava inteirinha, aguardando ver a luz do sol novamente.

Beleza! Então, entrei na fase do planejamento: como capturar a bike e voltar pedalando até o meu prédio. Analisei o trânsito da Barra da Tijuca, as ciclovias, a previsão do tempo e a melhor rota. Passei até no Google Maps para saber a distância exata – 7,4 km.

Moleza!

Ao fim de uma tarde de tempo nublado e temperatura amena, fui salvar a velha companheira de pedaladas. Escolhi o fim do dia por causa da segurança: com a hora do rush, as vias estariam engarrafadas e eu correria menos riscos de ser atropelado por uma Kombi da linha Barrashopping – Cidade de Deus. Calibrei os seus pneus, verifiquei se tudo estava inteiro e me lancei ao caminho.

Quinze minutos depois, eu já estava com a língua batendo no peito, o joelho esquerdo doendo pra cacete e a camisa o Flamengo encharcada de suor. Meu lendário preparo físico se escafedeu. A ciclovia estava detonada e o passeio suave se tornou uma réplica urbana do rally dos sertões.

Para piorar, a bicicleta começou a fazer uns barulhos esquisitos. Tive a impressão de que ela iria se desfazer. Quase na metade do trajeto, percebi que o pneu de trás havia murchado e não havia um mísero posto de gasolina por perto. O esforço físico aumentou, mas decidi prosseguir assim mesmo. Poderia ser pior. Poderia chover, mas a meteorologia garantiu tempo bom.

Kabrooooooooooommmmmmmmmm!!!

Começou a chover.

Climatempo filho da...

Faltando uns três quilômetros, a ciclovia acabou. Sobrou apenas a calçada, que ainda não havia sido pavimentada. Com a chuva, a terra batida virou lama e eu parecia um piloto de MotoCross. Pelo menos, o joelho consertado parou de doer.

Lembra do tal planejamento e a escolha pelo fim do dia para pegar o trânsito lento, engarrafamentos e blábláblá? Pois nesse dia, o Rio de Janeiro teve o melhor trânsito desde que as carruagens da Corte de Portugal trafegavam pela cidade. Os carros zumbiam nos meus ouvidos como se tivessem saído de Need for Speed – Underground 2.

A missão de fazer algum exercício no joelho e dar uma voltinha com a bicicleta velha ganhou um objetivo muito maior: chegar vivo em casa.

Quase duas horas depois de ter saído do prédio dos meus pais, cheguei em casa. Eu estava imundo, dolorido, exausto e furioso com a previsão do tempo. A bicicleta? Guardei na masmorra do meu prédio. Vai ficar de castigo por um bom tempo.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você é patético! Fica reclamando do passeio na chuva e esquece de que o seu joelho dodói nem doeu tanto assim. E quanto à bicicleta, bem feito! Quem mandou ser muquirana. Quebra o cofrinho e compra uma bike nova no crediário, pô! Amiguinho, fique de olho no vencimento das suas contas. Pagar juros é um pé no saco. Até a próxima!!!

Ossos do ofício

Lá pelos 13 ou 14 anos de idade, descobri os tais filmes de saliência. Assim como eu, a molecada da rua também se interessou em descobrir mais sobre as produções de vuco-vuco. Uma das programações preferidas da turma de adolescentes espinhentos (incluindo algumas amiguinhas que se aventuravam a nos fazer companhia) era assistir alguns filminhos em grupo – com direito a debate e comentários sobre os melhores momentos.

Era como se fosse uma mesa redonda de futebol, mas dedicada às produções de sacanagem. A diferença é que neste caso a bola nunca entrava.

- Ser ator pornô deve ser o melhor trabalho do mundo – comentou um dos meninos.

A nossa base de análise eram sempre as produções americanas cheias de loiras peitudas, magrinhas, com cabelos armados e franjas esquisitas. Era uma carreira artística que dispensava anos de estudos das artes cênicas. Pois é, isso realmente despertava os nossos pensamentos e parecia um bom plano de carreira: comer várias garotas e ainda ser paago por isso.

O tempo passou, eu cresci e cheguei à conclusão de que não seria um emprego tão maneiro assim por alguns fatores:

Fator muvuca: imagina você ter que acasalar cercado por uma pequena multidão: tem operadores de câmeras, iluminadores, contra-regras, fotógrafos, maquiadores, diretores, assistentes, produtores e, se bobear, até estagiários. Toda equipe tem estagiário. Por que uma equipe de produção de filme de safadeza não teria um? Acho até mais adequado que um figurinista.

Fator diretor: você está lá se concentrando para botar as mãos à obra (bom, não necessariamente as mãos) e tem um desgraçado dando pitacos. "Levanta a perna", "revira os olhinhos, meu bem", "pára, pára, que vou fazer um close", "tá faltando amor nesta cena. Vamos fazer de novo". Ah, vá para o inferno, pô!!!

Fator inesperado: uma coisa é contracenar com loiras americanas de busto avantajado. Outra coisa é o cast nacional. Já pensou em chegar para trabalhar e o diretor impiedoso informar "hoje você vai trabalhar com a Rita Cadilac"? Ou pior "hoje você vai trabalhar com a Gretchen". Ok, ok... mas dá para tomar umas pílulas antes?

Vamos combinar, é muito engraçado usar o termo contracenar no ambiente dos filmes eróticos.

Fator frustração: a atriz está urrando de prazer e você se sente o imperador dos orgasmos múltiplos. De repente, o diretor (ele, de novo) grita "corta!". A moça se desatarracha, veste um roupão e vai tomar um cafezinho enquanto lê a revista Caras. Ué, cadê o frenesi? Cadê aquela reação enlouquecida? Neste meio, você tem que saber lidar com o faz de conta e ficar numa boa. Bom, pelo menos não há ilusão. Ou tu vai me dizer que uma mulher nunca simulou contigo? Sei, sei...

Fator vergonha: o jantar de Natal está preparado e a sua tia lá do Tocantins vem te ver depois de muitos e muitos anos. "Você está trabalhando com o quê, meu filho?". "Então, tia, sou ator". "É mesmo? Que novela você fez?". "Não faço TV. Só cinema de tarja preta". "Como assim? Filmes sobre drogas?". "Não, tia, filme de sacanagem mesmo". E o pior: como arrumar uma namorada compreensiva e liberal?

E você, encararia este emprego?

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que história é esse de vários adolescentes juntos vendo filmes de saliência? Hmmmm, que estranho. Enfim, cada profissão tem seus prós e contras. O ofício do ator pornô não é diferente. He-Man, com seu corpo invejado e seu sex-appeal inconfundível, já recebeu vários convites para estrelar uma produção dessas, mas recusou a todos. Sabe como é, né? Depois da espada de Greyskull, a indústria cinematográfica jamais seria a mesma. Amiguinho, evite várias tomadas ligadas em um mesmo benjamin. Até a próxima!!!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A missão de Zé Américo e a mulher de fogo

Zé Américo era um cara normal. Não era alto nem baixo. Não era gordo nem magro. Não era bonitão nem feioso. Era uma figura que pouco se destacava na multidão. Por outro lado, Anita era um colosso: 25 anos, corpo esculpido em várias jornadas de malhação, cabelos loiros tratados à base de muito amor e Victoria's Secret e pele bronzeada pelo sol que só Ipanema tem. Enfim, era o tipo de fêmea que jamais dividiria lençóis com o nosso herói.

- Vou pegar essa mulher! – encasquetou Zé Américo, assim que a conheceu.

Como missão dada é missão cumprida, nosso bom guerreiro iniciou a campanha valendo-se do seu maior atributo: a habilidade com as palavras.

Pondere comigo: quando o indivíduo torna-se consciente de que a concorrência dos outros homens pintosos do Rio de Janeiro é desleal, a solução é se apoiar na lábia. E, leitor camarada, já vi muito malandro com layout facial mal desenvolvido faturar gatinhas graças ao bom traquejo. Aposto que você também.

Por sua vez, Anita era uma presa difícil. Em rápida pesquisa entre os amigos em comum, Zé Américo descobriu que muitos pretendentes tentaram, mas nenhum conseguiu sucesso. O histórico da moça intimidaria a muitos, mas não ao nosso aspirante a D. Juan. E contrariando às estatísticas, ele foi comendo pelas beiradas até ouvir as palavras mágicas:

- Então, tá. Vamos sair.

Durante três meses, o casal fez os melhores programas românticos da cidade do Rio de Janeiro: por do sol na praia de Ipanema, jantar no Palaphita Kitch sob o céu estrelado da Lagoa, Manekineko do Itanhangá, comédia romântica no Cine Leblon, teatro na Gávea. Enfim, todos esses eventos protocolares que os homens fazem para finalizar uma noite em uma suíte do Motel Panda, estabelecimento classe A lá em Botafogo.

Só que quase três meses passaram impiedosamente e as investidas sexuais de Zé Américo eram cortadas categoricamente. A paciência do rapaz estava nas suas últimas fagulhas. Entretanto, ele buscava motivação em um pensamento bem plausível: por mais ágil que fosse com as palavras, as chances de outro avião daqueles aterrissar no seu aeroportozinho eram pequenas. O mais prudente seria continuar com a campanha e torcer pela sorte.

Não é que a sorte grande resolveu lhe sorrir.

- Tá bom, Zezinho. Mas não hoje. Me pega amanhã e a gente vai para um lugar mais confortável. Só nós dois.

No dia seguinte, sem atrasar um milésimo de segundo, Zé Américo estava na portaria de Anita. Ela apareceu com um bolsa maior que o normal, mas como ele pouco entendia de moda, decidiu ignorar. Sem enrolações, eles seguiram para o motel mais próximo.

- Peraí, Zezinho. Entra no banheiro e espera eu te chamar. Você vai gostar.

Para quem esperou tanto tempo, alguns minutos eram moleza. Dentro do banheiro, Zé Américo se sentiu como um touro furioso antes do rodeio.

- Vem! – ela chamou e, ao sair do toalete, Zé Américo se deparou com o quarto modificado cenograficamente. Eram velas aromáticas, enfeites e panos por todo lugar. Parecia uma tenda de "O Caminho das Índias".

Ela sugeriu o início na hidromassagem, local povoado por milhares de velas e incensos. Zé Américo nunca curtiu muito a hidro, mas já que estava lá, valia tudo. Em poucos instantes, ele percebeu que a espera foi válida. De recatada, Anita não tinha nada.


Da banheira, pularam para a cama e os jogos se intensificaram. O clima estava pegando fogo e, no meio do roça-roça, o casal percebeu um cheiro estranho, diferente dos aromas de canela, sândalo e alfazema. Para o susto de ambos, uma das velas da hidromassagem derreteu e atingiu a camada de fibra formando um princípio de...

- Fogo! É fogo!

Zé Américo e Anita, da forma que vieram ao mundo, pularam da cama e foram combater o incêndio. No meio do sufoco, ele pegou os panos que Anita havia trazido e os usou para abafar as chamas. Essa ação estúpida tornou o fogo isolado em labaredas.

- Anita, liga para a recepção. Rápido! - gritou o Zé Américo.

Em menos de dez minutos, chegaram à suíte o dono motel, três bombeiros, uma recepcionista, quatro curiosos e o casal de clientes do quarto ao lado. O incêndio foi controlado, mas a banheira de hidromassagem estava destruída. Com os ânimos mais calmos, Zé Américo sacou que o próximo tópico seria o pagamento do prejuízo. Por sua mente, passaram todos os momentos dos últimos três meses: a campanha, os programas românticos, o processo de conquista, a ansiedade, as faturas do Mastercard, as investidas frustradas e o fogo.

- Um momento, vou ali no carro e já volto – Zé Américo catou as suas roupas, entrou no carro, aproveitou a cancela aberta por causa da confusão e foi embora. Semanas depois, os amigos contaram que Anita pagou R$ 800,00 pelo conserto da banheira. A quem pergunta, ele confirma: missão dada é missão cumprida.

PS. A fonte desta história jura de pés juntos que Zé Américo não cumpriu a missão.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, diz para o Titio He-Man que esta história é fruto da sua mente perturbada. Diz que o Zé Américo não abandonou a garota à própria sorte no quarto incendiado. Não? É verdade mesmo? Então, vamos começar pela lição mais óbvia: montar um clima com velas e panos é uma ideia interessante, mas requer uma série de cuidados com a segurança patrimonial. Já consumada a nova decoração do ambiente, atente para a proximidade entre as velas e itens inflamáveis. E se o houver algum acidente, jamais tente abafar as chamas com panos finos e lençóis de seda. Ufa, e JAMAIS abandone uma garota na suíte incendiada de um motel. Ah, amiguinha, seja legal com o seu pretendente: fazer um jogo duro faz parte, mas três meses de seca é de doer. Amiguinho, quem brinca com fogo faz xixi na cama. Até a próxima!!!

terça-feira, 23 de março de 2010

Tudo é uma questão de ponto de vista

Uma questão de pontos de vista pode gerar uma crise maior que o corte dos royalties do Rio de Janeiro. Visualize a cena e depois me fala:

Jovem casal dentro um carro parado sob um sol de derreter chumbo. Três cachorros latindo desesperadamente no banco de trás. O alarme do carro berrando como se fossem as cornetas do fim dos tempos.

ELA: Meu Deus do céu, cadê o chaveiro com o dispositivo do alarme?

Procura aqui. Procura ali. Nada do chaveiro. Alarme enlouquecedor e a cachorrada, que não estava nem aí, completavam a orquestra.

ELE: Ficou no apartamento. Eu vou pegar.

Versão dele:

Dei um pique digno de medalha olímpica. Tipo Usain Bolt, sacou? Em poucos segundos, eu estava no portão do prédio. O porteiro percebeu a tensão do momento e abriu o portão. Explodi em mais uma corrida e imediatamente senti a camisa empapar em suor. Foi só um pouquinho. Não esperei o elevador. Aproveitei o ritmo alucinante da corrida e venci quatro lances de escadas com uma velocidade que jamais imaginei. Cheguei ao apartamento voando e com o coração na garganta, mas inteirão. Encontrei o chaveiro e aproveitei a viagem para pegar uma camiseta extra, pois a minha estava encharcada. Como para baixo todo santo ajuda, mantive a pegada e desci sem perder o gás. Cheguei ao carro e desliguei o alarme.

ELE: Uffffffa... pronto... missão cumprida... eu demorei muito?

ELA: Amorzinho, porque você não foi correndo?

Versão dela:

Ele saiu do carro e deu um pique de 5, talvez uns 10 metros. Achei que ele fosse desmaiar. Antes de chegar ao portão do prédio, ele foi trotando. O porteiro percebeu o drama e abriu o portão logo. Graças a Deus. Ele diminuiu o ritmo do trote até chegar ao prédio e logo vi que ele estava com a camisa nova banhada em suor. Acho que vou imprimir a tal dieta dos pontos e colocar na porta da geladeira. Tomara que ele espere o elevador.

15 minutos depois...

Ai, caceta, ele enfartou no apartamento. Vou ligar para ver se está tudo bem. Ih, é ele ali saindo do prédio. Ufa, tá se arrastando, mas tá vivo. Que alívio! E não esqueceu o chaveiro. Ainda bem!

ELE: Uffffff... pronto.... arffffff... missão cumprida... arfff, arffr... glup... eu demorei muito?

ELA: Amorzinho, porque você não foi correndo?

...

Bom, o casal continua unido. Depois dessa, acho que viveram juntos para todo o sempre. Amém

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, a vida a dois tem como alicerce a superação de muitos desafios. Um deles é a falta de noção que vem à tiracolo da intimidade. Então, a lição do onisciente He-Man é simples que nem o soro caseiro (aquele da colher de sal e de açúcar, lembra?). Bom, para atravessar as turbulências do dia a dia, tenha sempre uma dose sobressalente de tolerância e de muita compreensão. O caso contado é uma prova disso. Amiguinho, apenas force a barra nos exercícios físicos após um condicionamento ideal. Até a próxima!!!

domingo, 21 de março de 2010

A aldeia global do Papai Smurf #14

Assim como a Glória Maria, Papai Smurf andou curtindo o seu período sabático, mas está de volta. As dicas são álbuns quase desconhecidos de gente conhecida. A brincadeira é simples: pegue cinco artistas renomados e escolha aquele tesourinho da sua discografia, isto é, aquele CD que pouca gente ouviu, mas você acha maneiro pacas. Saca a lista do ancião azul:


"O Descobrimento do Brasil", da Legião Urbana (1993)
Penúltimo disco de estúdio da banda mais famosa de Brasília, este CD estourou nas rádios apenas o single "Perfeição". Foi pouco. Na aldeia, Smurfete chora quando ouve a beleza fúnebre de "Love in the afternoon" (que lembra o próprio Renato Russo) e se diverte com a esperançosa "Vamos fazer um filme". Antes de ir para a cidade do pé junto, o compositor declarou que "Giz" foi a letra mais bonita que ele já escreveu. Você encontra essa pérola neste simpático disquinho.

"Sailing to Philadelphia", de Mark Knopfler (2000)
Por anos e anos, o escocês Mark Knopfler foi a voz e a guitarra virtuosa do Dire Straits. Quando a banda decidiu encerrar suas atividades, o músico deu um gás na sua inspirada carreira solo. "Sailing to Philadelphia" reúne levadas folks, country music e uma guitarra mais chorosa, porém vibrante. Entre os convidados, James Taylor e Van Morrison atestam o clima introspectivo e maduro do artista. Papai Smurf ouve esse disco tomando uma dose de Jack Daniel's.

"Kid A", do Radiohead (2000)
O Radiohead sempre foi uma banda esquisitona. Muito talentosa, verdade seja dita, mas esquisitona. Mesmo com uma lista de sucessos populares como "Karma Police", "No Surprises" e "Fake Plastic Trees", a banda curte um som cabeça. Segundo Smurf Gênio, "Kid A" foi uma pegadinha da banda com a sua gravadora. Depois do sucesso de "Ok Computer", Thom Yorke e sua turma decidiram fazer um CD cheio de texturas sonoras, psicodelia, acid jazz, experimentações e barulhinhos eletrônicos. Pouca gente ouviu, mas virou cult.

"Live at the BBC", do Dire Straits (1995)
Em 1995, quando "Live at BBC" foi lançado, o Dire Straits já era uma banda extinta (acabou em 1993). O disco registra versões ao vivo do grupo em seus primórdios – a maioria das faixas foi gravada nos estúdios da rádio em 1978. O resultado é um álbum vigoroso com músicos talentosos e um instrumental sofisticado, contrariando a onda punk que tomava conta do Reino Unido naquela década. Enfim, se o também ao vivo "On the Night" mostra o Dire Strats experiente e maduro, esse registro na BBC apresenta a banda jovem e cheia de tesão pela música. O hino "Sultans of Swing" é a faixa 5. A aldeia toda se amarra neste CD.

"Conspiracy of One", do Offspring (2000)
Nos anos 1990, Smurf Robusto costuma tomar açaí com morango e granola em uma casa de sucos da aldeia. Enquanto comia, ele assistia vídeos de surf com a músicas do Pennywise, Hoodoo Gooroos e do Offspring. "Conspiracy of One" veio em sequência ao álbum "Americana", que colocou para valer a banda californiana no mainstream. Com apenas um single que emplacou ("Original Prankster"), o disco traz guitarras ligeiras, musicalidade adolescente (no bom sentido) e os vocais inconfundíveis de Dexter Holland.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A história de Adélia e o folião duplo

O carnaval já passou. Até as incontáveis festinhas de pós-folia e ressacas já encerraram seus expedientes, mas as histórias momescas ainda têm fôlego. A aventura mineira de Adélia é um exemplo disso. Vem comigo!

Era uma vez...

Adélia, morena de entortar pescoços, foi passar carnaval em um recanto das Minas Gerais, acompanhada por uma numerosa turma. A casa alugada era praticamente um Big Brother em começo de temporada: quartos abarrotados de gente, festinhas ocasionais e aquele clima de ninguém-é-de-ninguém. Mas tudo com muita organização. Em meio ao caos, havia regras na casa. Por exemplo, só era permitido usar o banheiro do seu quarto e dormir no seu próprio cômodo - exceto se você quisesse "saliências" com algum dos outros enclausurados. A princípio, este não era o caso de Adélia.

Nossa heroína e Joaquina, amiga mineira, logo ocuparam a cama de casal do quarto mais sossegado e respeitável da casa. Isso porque a irmã de Joaquina estava gravidíssima de 8 meses e dormia logo ao lado, então era respeitar ou respeitar. Ainda no mesmo cômodo, havia uma terceira cama, na qual se instalou uma garota de Belo Horizonte. Completando o cafofo, um carioca e um mineirinho quieto dormiam no que sobrava do chão.

Já com a folia pegando fogo, Adélia conheceu um outro morador da casa: um garoto sorridente, amigo do mineirinho quieto. Embalados por um showzinho de axé, eles trocaram beijos sob o por do sol de Minas. Depois de várias cervejas, ela e o seu pierrô decidiram tirar um inocente cochilo pré-noite. Para que não houvesse maiores avanços de sinal, Joaquina recarregava as baterias na cama ao lado.

Verdade seja dita: foi um show de axé, mas poderia ser a Orquestra Tabajara. No calor do momento e com uns gorós a mais, a trilha sonora faria pouca diferença.

Chegada a hora da folia noturna, a preguiça falou mais alto e o casal decidiu alongar a soneca. Durante a madrugada, ela percebeu a ausência do moço e, meio grogue, viu que ele estava sentado à beira da cama. Ainda sob forte efeito da birita, Adélia o puxou de volta e o jogo foi reiniciado. No escurinho do quarto, nenhum dos dois ligou se o quarto estava vazio ou não.

Na manhã seguinte, as mulheres fizeram o seu ritual corriqueiro de falar dos seus respectivos príncipes encantados.

Ah, isso é fato. Assim como os machos, as fêmeas também se amarram em confabular sobre as suas aventuras. Umas usam mais predicados. Outras são mais econômicas nos detalhes, mas a sessão "banheiro feminino" é sagrada!

Papo vem, papo vai, a grávida pergunta:

- Adélia, querida, quem é que ficou dormindo lá na sua cama?

- Ué, o garoto sorridente. Esqueci o nome. Acho que ele é mineiro também.

- Ahhhh, não é ele, não!

Glup!

Adélia retornou a quarto com a cabeça reverberando: "o que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz?". Ao puxar o lençol, a confirmação dos seus receios: o mineirinho quieto (que de quieto não tinha nada) dormia o sono dos nobres.

Indignada com a situação (e bastante envergonhada), Adélia ligou a metralhadora de esporros. Após reunir os pivôs da crise, descobriu o que aconteceu na noite anterior.

- Pô, assim que você apagou, eu fiquei com medo das meninas voltarem para as suas camas e fui para o meu quarto. Desculpe por não ter te avisado – contou o garoto sorridente.

- Uai, enchi a cara durante a noite e voltei bebum. Sentei na cama para tirar os tênis, e, de repente, você me puxou e me beijou. Eu achei bom demais da conta e fiquei por ali messsssmo – explicou o mineiro.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinha Adélia e demais amiguinhos, veja como a manguaça também é fonte de lições para a vida toda. O sujeito risonho e simpático pensou no bem comum e foi se recolher no seu próprio canto. Moral para ele: ser gentil tem a sua hora certa. O fã de pão de queijo voltou lotado de cana nas ideias e estava na hora certa e no local certo. Moral para ele: ter sorte acontece, mas aproveitar as oportunidades requer talento. Cheia de amor para dar, Adélia dormiu com o Zé e acordou com o José. Moral para ela: bico calado não entra mosquito. Em vez de sair distribuindo esporros, o ideal seria deixar o caso na encolha e aproveitar o restante do carnaval. Sendo otimista, He-Man observa que nossa heroína levou dois pelo preço de um. Tá reclamando do quê? Amiguinho,depois de usar o fogão, verifique se o gás está desligado. Até a próxima!!!



PS. Obrigado pelo causo, Adélia.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A lição dos discos velhos na lixeira

Achei discos velhos na lixeira do meu prédio. Sem qualquer pretensão, eu fui me livrar do lixo de casa e encontrei uma pilha de LPs em um cantinho.

Ah, adoro MP3, iPods e outras gadgets modernosas, mas sou do tempo do LP, da fita K7 no walkman e da vitrola da turma da Mônica. Fui uma criança dos anos 1980 que tinha discos coloridos com histórias do Alladin, do Macaco Simão e da Branca de Neve, dentre outros. Isso explica porque gosto tanto dos vinis.

Pois bem, os discos estavam lá. Eram uns 40 bolachões empilhados com um certo cuidado que denunciou um vestígio de preocupação do antigo dono. Talvez um fiapo de remorso ou arrependimento. Sem qualquer cerimônia, peguei a pilha e levei para casa.

Eram álbuns do Elton John (em sua fase maneira), Renaissance, Tom Jones, Beatles e alguns de samba da década de 1970. Também encontrei uns trabalhos do ABBA, da Barbra Streisand e do Johnny Mathis, que poderiam voltar para onde os achei. Bom, todos ainda traziam aquele selinho: "disco é cultura" e os carimbos das lojas em que foram comprados. A maioria deles tinha a marca de uma casa de Copacabana que nem existe mais. Aliás, não se encontram mais lojas exclusivas de música hoje em dia. Se você quiser comprar um CD, as opções são uma megalivraria ou as Lojas Americanas ou uma loja online.

Os discos na lixeira me despertaram mais do que momentos de nostalgia musical. Uma coisa leva a outra e pensei em como a vida sempre reserva pequenas surpresas. Como há coisas valorosas perdidas em alguma lixeira ao lado da sua casa, só esperando (ou torcendo) para serem descobertas.

Vamos lá, pegue o exemplo dos discos na minha lixeira e faça metáforas para tudo mais: trabalho, relacionamentos, oportunidades e até aquela roupa que custava uma fortuna no Natal, mas está em promoção no shopping. É bom acreditar que tudo está em seu devido lugar, aguardando (e torcendo) para ser descoberto. É um tempero esperançoso para os dias conturbados em que vivemos.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que momento bonitinho da sua literatura pilantra. Você não falou de sacanagem nem de mulher. Se acervo da safadeza está em baixa? Enfim, He-Man é didático e vai começar pelo óbvio facinho: ninguém mais compra discos. O lance é fazer o download de uma ou outra música, captou? O segundo ponto é que o reconhecimento das pequenas coisas legais da vida requer uma certa visão. Muitas vezes, a oportunidade está ao seu lado (ao seu amiguinho, não ao lado do Surfista) e está quase te mordendo, mas ainda não foi percebida. A parada é que nós (menos eu, evidentemente) estamos condicionados a ver apenas o que nos interessa naquele exato momento. Todo o resto é superficial, é desnecessário. Não é bem assim. Amiguinho, dar em cima da mulher do outro amiguinho é feio! O mesmo vale para você, amiguinha. Não se faça de desentendida. Até a próxima!!!


PS: Em tempo: como uma pessoa pode jogar fora um disco dos Beatles? Como?


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sebastiana, a mulher-fera

Onofre e um grupo de camaradas decidiram conhecer os encantos de Florianópolis no verão. Como bons turistas, visitaram as praias famosas, fizeram passeios e foram caçar na lendária noite catarinense.

Sim, caçar também é um programa turístico. O checklist de viagem de homens jovens é: 1) tem atrações diversificadas?; 2) tem hospedagem barata?; 3) tem programação noturna com nativas tchutchucas e facinhas? Claro que a última questão tem peso maior na avaliação.

Bom, após visitar algumas das praias mais famosas da ilha, Onofre e seus comparsas foram se esbaldar em algum ambiente com som alto, birita e gente querendo ser feliz. Na primeira noite, ele conheceu Sebastiana, garota de ar angelical, 22 aninhos e olhos verdes faiscantes. Chope para cá, chope para lá, papo vem, papo vai... e os dois findaram a noite se atracando loucamente.

A química rolou e os dois trocaram telefones. Ela deu o número do celular e ele deu o número da pousada. Em vez de ocupar a função de uma arma de destruição em massa, Onofre contrariou a lógica e ficou "namoradinho" da nativa.

Após algumas noites de passeios de mãos dadas, chegou a hora de voltar para a dura realidade do Rio de Janeiro.

- Volto para casa amanhã.

- Vou sentir a sua falta, Onofre.

- Eu também.

- Vou te mostrar um lugar especial para você levar como lembrança.

No banco do carona da "namoradinha", Onofre pensou logo: "ih, me dei bem". E se deu mesmo. Segundo ele, ela dirigiu até um canto isolado com um visual deslumbrante de uma das praias de Floripa, Uma região que só os moradores conhecem. Mal chegaram e a Sebastiana se jogou em cima dele, arrancando sutiã, camisa, saia rodada e o que mais estivesse no caminho.

- Você me quer? – Sebastiana perguntou com aqueles olhos verdes incendiários. A resposta foi óbvia:

- Quero.

- Então mete esssa $%¨$#@# na minha &*$@!#%*, seu filho da $%*(!!!.

Misericórdia, que é isso? Onofre mal controlou o susto.

- Hã, como assim?

- Vai logo, seu Җ฿∞≈≠!!!

- Calma, querida.

- Calma é o $@*≠¥₩♪!!! Anda logo, seu !&*$ Җ∞≈!!!

Em questão de segundos, a loirinha fofa e dócil se tornou a caminhoneira mais desbocada de Santa Catarina.

- Amorzinho, preciso me concentrar.

- Que $*¨@!# Җ฿ de se concentrar! Vem, gostoso!

Ai, ai, ai...

Durante o ato, Onofre ouviu todos os termos chulos, palavrões e perversões conhecidos pela civilização ocidental. Na instante do orgasmo, Sebastiana encontrou também alguns xingamentos em polonês e tupi-guarani. Parecia um filme nacional dos anos 70 estrelado pela Matilde Mastrangi e pelo David Cardoso.

Não sabe quem é Matilde Mastrangi e David Cardoso? Coloca no Google e você também encontrará detalhes sobre filmes como "As Cangaceiras Eróticas", "Bacalhau", "A Noite das Taras" e "Tudo na Cama", dentre outras produções furrecas que dispensavam muitos figurinos e depilações. Relíquias trash da nossa história cinematográfica.

Sem disfarçar o terror, Onofre acompanhou a nova transformação de Konga, a mulher-gorila, em Poliana, a doce filhotinha que é o orgulho do papai. Voltou para o Rio e ainda tem pesadelos com Sebastiana e sua estranha forma de demonstrar chamego.

- Vem, seu %&*$ Җ∞≈!!!

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, He-Man se amarra em uma safadeza ao pé do ouvido. Aliás, o Todo Power He-Man se amarra em qualquer tipo de safadeza e está sempre com a sua espada justiceira pronta para qualquer serviço. Voltando ao nosso tema, sapequices no ouvidinho esquentam o momento e deixam bem claro que o lance está fluindo. Mas, assim como tudo na vida, tudo precisa ter a sua dose certa. Sair vomitando obscenidades ensandecidamente não aumenta o tesão de ninguém. Bom, pelo menos ninguém normal da cachola. Amiguinha, por mais tarada que você seja, não caia no erro de Sebastiana. Seja econômica com as suas expressões serelepes. No caso do amiguinho Onofre, a dica valiosa é desconfiar sempre: loirinha, olhos verdes, tchutchuca e solteira? Querendo dar? Tem algum caroço nesse angu. Amiguinhos, nesse verão bizarro, prefira os banhos frios com duchas fortes. Até a próxima!!!

Ah, He-Man também é cultura: falar palavrões compulsivamente é uma vertente da Síndrome de Tourette chamada coprolalia.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O começo, o fim e o meio

Fui ao cinema ver "Ninja Assassino" e fiquei bolado. Não exatamente com o filme, mas com um programa que vi logo em seguida e o conjunto que se formou. Na TV, a atração não tinha uma ligação óbvia com a história do guerreiro e a sua saga de vingança contra o clã que o tornou uma máquina de matar. Era um documentário apresentado pelo Pedro Bial sobre a morte. Melhor dizendo: sobre o eterno temor do homem pelo seu inexorável fim.

O ninja amargurado esquarteja dezenas de inimigos. Bem longe do Big Brother, Bial divaga sobre a busca pela juventude infinita. Um protagonista procura a redenção através da morte por atacado. O outro conversa com estudiosos, artistas e filósofos sobre a vida.

Parêntesis: gosto muito dos textos do Bial. O cara é um artesão das palavras. Veja como ele transforma os dilemas do Big Brother em tramas quase shakesperianas. Admiro o cara. Confessei.

Tanto já se escreveu sobre a morte com humor. Evandro Mesquita e a Blitz disseram: "todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer". Uns poucos três mil anos antes, a grega Safo de Lesbos (sim, lá da ilha do velcro) cutucou as divindades dizendo "se a morte fosse um bem, os deuses não seriam imortais". Jim Morrison, do Doors, nunca bateu bem da cachola, e teorizou sobre o dia de bater as botas: "quero uma morte lenta, para aproveitar cada segundo". Sei, sei... e morreu doidaraço em uma banheira em Paris.

E também lembro que o Caetano Veloso já comentou sobre o tema. Se não me engano, ele disse: "vida eterna? Ser eu mesmo pela eternidade é uma ideia desesperadora".

Putz, imagina ser o Caetano por todo o sempre. Caceta!

Sabe, cada um teoriza como quiser, mas eu não tenho medo da morte, mas tenho pavor dos anos anteriores. O estado de dependência, a perda da lucidez, o esquecimento... isso sim é desagradável – usando um grande eufemismo. Quero ser um velhote esperto, como os coroas joviais de "Cocoon". Quero chegar aos 90 com o pique do mestre Hélio Gracie. Quero contar minhas presepadas aos meus bisnetos sempre aumentando um tantinho.

O biso era sinistro, moleque. Aliás, ainda é.

Aubrey de Gray, um cientista cabeçudo com jeitão que mistura um rabino e o ZZ Top, declarou com bases científicas que em 30 anos será descoberto o elixir da vida eterna. O homem só perecerá se topar com um ninja fulo da vida ou com um trem desgovernado. Será o infinito ao alcance de todos.

Quando eu era pequeno, uma cigana leu a minha mão e disse que a minha linha da vida é muito longa. Que bom! Ah, a vida é tão legal. No carnaval a gente olha para a folia e até se irrita com a alegria quase obrigatória dos trios elétricos ou das passistas. No Natal, a gente fica boboca com a filha ou sobrinha que abre aquele sorrisão com o presente do Papai Noel. No dia a dia, a gente olha para a pessoa amada e pensa "quero te amar para sempre". Ou até morrer. Seja lá o que vier primeiro. Tanto faz.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, tá certo que o seu momento de pensamento íntimo nem foi depressivo, mas, taquelpariu, hein? Você não tinha outro tema para abordar nem plena semana pré-carnavalesca? Enfim, já que você está cheio de frases dos outros, anota uma do Homer Simpson: "viva cada dia como se fosse o último. Um dia, você acerta". Ah, outra parada importante. Saca as palavras soberanas do He-man: viva da forma como você deseja ser lembrado. Já é um bom começo. Amiguinho, puxar a cadeira para uma dama nunca será brega. Até a próxima!!!