segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Lições que aprendi no Rock in Rio 2013



E mais uma edição do Rock in Rio foi para a conta. Durante sete dias, headbangers de camiseta preta, meninas de shortinho jeans, “vipinhos” e “vipões” de todas as partes do país se encontraram sob o sol escaldante da Cidade do Rock. Seja pela telinha HD do Multishow ou diretamente de Jacarepaguá, o maior festival do Brasil reuniu uma cacetada de lições. Veja o que aprendi:

:: Chefe é chefe! O show de Bruce Springsteen foi épico, monumental. O cara cantou, dançou, tocou, pulou, correu e suou litros em mais de duas e meia de apresentação. E fez tudo isso com uma alegria de quem tá curtindo cada instante. Estou na dúvida sobre quem é mais simpático: Bruce ou Papa Francisco.

:: Ainda sobre Bruce Springsteen: esse senhor de 64 anos mostrou mais disposição em duas horas que o time inteiro do Flamengo durante todo o Campeonato Brasileiro.

:: Assim como em 2011, Dinho Ouro Preto ainda não descobriu que passou dos 17 anos.

:: David Guetta fez o show mais fácil da história do Rock in Rio: ligou o iPod, apertou o play e ganhou uma mala de dinheiro.

:: As fãs do David Guetta seriam as”periGuettas”?

:: No clima politicamente conturbado do país, as bandas nacionais deixaram recados politicamente corretos sobre as manifestações. Não tenho opinião formada sobre a validade dos depoimentos. A certeza é que tocando ou não no assunto, todos seriam criticados.

:: Florence, cantora do Florence and the Machine, fez uma apresentação onírica. Eu terminei o show acreditando que, a qualquer momento, ela se revelaria como uma elfa e voaria de volta para o seu país de origem na Terra Média.

:: O Canadá merece um embargo econômico ou sanções rigorosas da ONU. O país é a origem de Justin Bieber, Bryan Adams, Celine Dion, Shania Twain, Avril Lavigne, Nelly Furtado e, agora, o Nickelback. Tá certo que Neil Young, Rush e Wolverine são canadenses, mas nota-se um nítido desequilíbrio.

:: O cenário pop nacional está entregue ao marasmo. Da edição de 2011 para cá, tivemos vários repetecos no palco principal: Skank, Jota Quest, Frejat, Ivete Sangalo e Capital Inicial.  Só faltou o Paulo Ricardo.

:: Bon Jovi provou que é “sujeito-homem”. Pegar a Maria Bethânia diante de 85 mil testemunhas no local e outras milhões em rede nacional merece meu total respeito. Jon, sou teu fã!

:: Toda edição do Rock in Rio deve ter um banda mascarada. Em 2011, tivemos o ótimo Slipknot. Em 2013, foi a vez do esquisito Ghost BC. Corre à boca pequena que a família Medina já começou as negociações com Patati & Patatá.

:: Melhor tweet temático que li foi da @brunafeia: “Jessie J careca = linda. Eu careca = presidiária”.

::Mesmo fantasiado de garçom ou dançarino de gafieira, Justin Timberlake promoveu vários orgasmos femininos simultâneos.  

:: Que venha 2015!


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
 Amiguinho, blame Canada! Blame Canada!





terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eclipse total do coração

Leitor querido, preciso confessar! Há muito tempo eu queria usar esse título esdrúxulo em uma postagem. Faltava uma história que se encaixasse. Finalmente, surgiu. Obrigado, querida Guadalupe!

Os encontros entre Guadalupe e Serafim  estavam se tornando mais frequentes. Certa noite, nossa heroína aceitou o convite para subir ao apartamento dele, tomar um vinhozinho, ouvir uma música mais relaxante, ficar mais à vontade. Enfim, todas aquelas justificativas molengas para validar que duas pessoas fiquem peladas entre quatro paredes ao som do Kenny G.

Pronta para o combate, Guadalupe entrou no apê e se acomodou no sofá enquanto o rapaz se incumbiu de preparar um drink.

Antigamente, eu achava a expressão “fazer um drink” o ápice da sofisticação. Eu tinha aquela imagem hollywoodiana do sujeito de olhar calhorda preparando um Dry Martini. Hoje em dia, quando eu ouço alguém dizer que vai “fazer um drink”, eu penso “que cafona dos infernos”. Amadureci.

Enquanto isso,  Guadalupe ficou fazendo aquela análise minuciosa e neurótica do cafofo. Checou a decoração,  buscou sinais de bagunça e observou se tinha poeira sobre a mesa e migalhas de biscoito no sofá. Fez o pente-fino com olhos de águia e nível de exigência de recrutadora de executivos. Foi aí que aconteceu. A moça arregalou os olhos e sentiu o coração apertar.

Pausa na cena. Trilha sonora de “Kill Bill” quando a Noiva encara os inimigos. Segue a trama!

Perto da TV, Guadalupe identificou “Eclipse”, o terceiro voluma da Saga Crepúsculo. O marcador de página no meio do livro revelava a leitura em andamento.

- Taquelpariu... – sussurrou.

Quando Serafim voltou, a sala estava vazia. Guadalupe saiu à francesa.

Dias depois, as razões da sua fuga ninja vieram à tona em  um jantar mexicano. Entre amigos, tacos, nachos e algumas cervejas com limão, Guadalupe revelou a origem da sua frustração.

- Ah, não. Homem que lê livro romântico para chorar não é para mim. Se tivesse lido o primeiro livro, eu perdoaria. Se tivesse lido Dan Brown, eu perdoaria com ressalvas. Mas acompanhar a Saga Crepúsculo é demais! Ele já estava no meio de “Eclipse”, terceiro livro da série. Não dava, não.

E não deu mesmo.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, ouça com atenção essa lição simples e dura: se você é homem, tem mais de 30 anos e ainda lê histórias românticas melosas, fique atento. Você corre o risco de não comer mais ninguém. Essa história de homem sensível é bonitinha e tals, mas com moderação. Leia Bukowiski. Amiguinho, fique atento à sua rua. Se você notar alguma criança perto de estranhos ou figuras suspeitas, procure ajuda. Até a próxima!!!



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Andar com fé

- Você é muito “hobbesiano”.

O chato de discutir com alguém culto é correr o risco de ser chamado de “hobbesiano” em tom de insulto e decepção. Minha namorada oportunamente desencavou Thomas Hobbes, perdido em lembranças das minhas distantes aulas de sociologia. A razão foi simples: assim como o moço pensador, eu não acredito na raça humana.

Nossa, que desesperançoso, hein? Mas é verdade.

Assim como o velho Hobbes, não tenho fé no bicho-homem. Na minha filosofia de botequim, penso que o tubarão, o leão ou qualquer outra fera do mundo animal ataca em busca de alimento ou por defesa. Mesmo dotado da feliz habilidade de pensar, o ser humano ataca por prazer e é capaz de barbaridades contra outro ser humano. Da mais tenra idade ao ocaso da vida, o indivíduo é pleno em seu egoísmo e maldade.

Nossa, que deprê, hein? Mas, peraí. Não vá cortar os pulsos ainda. As coisas vão melhorar – pelo menos, no enfoque desse texto.

Eis que o simpático novo Papa vem ao Brasil, mais especificamente ao Rio. Na sua bagagem sem luxo, ele traz seus utensílios pessoais, a guarda suíça, o Papamóvel e uma pequena multidão. Coisa miúda: umas 2 milhões de pessoas para a Jornada Mundial da Juventude.

Eu, católico batizado e crismado, nunca me liguei em um Papa antes. João Paulo II transmitia tranquilidade. Bento XVI me deixava com a pulga atrás da orelha. Francisco tem algo especial, algo conciliador que fica ainda mais evidente a seguir.

Confesso isso com distanciamento crítico. Eu admiro algumas pessoas, independente dos seus credos. Gosto da mensagem do Dalai Lama, do Chico Xavier do Pastor Martin Luther King e por aí vai. Gosto de figuras que me forcem a questionar a minha descrença com a raça humana.

Logo após a sua chegada, acompanhei o traslado do Francisco entre o aeroporto e o Centro da cidade. Em seu caminho, o Papa caiu em um engarrafamento súbito e seu Fiat Idea foi cercado pela multidão. O religioso continuou com as janelas abertas enquanto cumprimentava as pessoas. A guarda suíça deveria estar em alerta máximo. Eu, de olhos colados na transmissão via internet, estava em pânico.

Jesus, alguém vai dar uma facada no Papa!
 
Contrariando os pessimistas, Francisco não se feriu. Chegou sã e salvo e desfilou pelo Centro. Parou em uma esquina e escolheu uma criança para um rápido carinho. Foi um beijo uma benção express. Seguiu caminho.

Pouco depois, a imprensa localizou aquela criança beijada por Francisco no Rio. Era filha de uma evangélica que acompanhava a passagem do Papa. Caramba, isso é muito significativo. O chefe maior dos católicos beija uma criança evangélica, escolhida aleatoriamente entre milhares de outras. Papai do Céu, lá do seu escritório, sabe dar os seus recados.

Dias depois, vi o Francisco botar o pé na lama e visitar uma favela. Esse argentino é o Papa mais ágil que já vi. Subia escadas com destreza e caminhava com desenvoltura. Estava vendo a hora de Sua Santidade dar um duplo mortal carpado.

Mais uma vez, Francisco não se privou do contato com o povo. Abraçou, beijou e falou com quem bem ele quisesse, independente de classe, cor ou time do coração.

Juro por Deus, me emocionei. Sozinho em casa, eu chorei. Achei tão bacana. Tão humano. Nunca vi um padre fazer essas coisas, o que dirá um Papa.

Desde que me entendo por gente, ouço um ditado: “se quiser conhecer o caráter de uma pessoa, dê-lhe poder”. Hoje, estou feliz porque os velhinhos do Vaticano passaram a batina branca para o bom Chico, o argentino mais gente boa que se tem notícia.

Epílogo.
Fui até Copacabana ver o Papa e aquela multidão que estava lá para ouvir a sua mensagem. Aliás, “ver” é força de expressão. Vi Francisco passar pela Avenida Atlântica em uma fração de segundos. Um vulto branco sorridente. O que me chamou mais a atenção foi o povo. Pessoas de todos os lugares. Bandeiras hasteadas de países que nunca ouvi falar. Várias línguas entoando cânticos. Padres de batina preta esvoaçante cercados por jovens e velhos. Era um clima de réveillon, mas sem Cidra Cerezer e despachos para Yemanjá. Hoje, estou um tiquinho menos “hobbesiano”.  


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, epílogo? Enfim, a lição de hoje é sobre a coexistência. He-Man já ouviu pessoas esclarecidas dizerem que adorariam que houvesse uma única religião no mundo. Porém (tem sempre um porém), que fosse a religião delas. Hmmm, esquisito, não? He-Man, que é todo sabedoria e todo músculos trabalhados na maromba, acha que a palavra chave para tudo é a coexistência. Faça a sua parte e aceite a crença do coleguinha. Amiguinho, gavetas servem para organizar os seus pertences e não paras entulhar tralhas inúteis. Até a próxima!!!

Epílogo do He-man
Chorou, foi? Tadinho. Quer chupeta?



quarta-feira, 10 de julho de 2013

A parábola do restaurante natureba

No shopping center onde trabalho há uma praça de alimentação no formato padrão. Tem Bob’s, McDonald’s, Burger King, Giraffa’s e outros representantes da velha, sedutora e nociva junk food, além de alguns poucos restaurantes que servem o feijão-com-arroz nosso de cada dia. Do Big Mac ao filé com fritas, o indivíduo faminto acha de tudo - ou quase tudo. 

Eis que há algumas semanas, uma loja abriu com uma proposta diferente. No cardápio, poucas frituras, ingredientes naturais, sucos variados e saladas coloridas. Minha primeira reação foi uma certa desconfiança e uma boa dose descrédito.

Não levei fé na sobrevivência de uma restaurante natureba entre os gigantes dos cheeseburgers. Sinceramente, botei até prazo para que o simpático estabelecimento fechasse as suas portas.

Tolinho eu...

No dia de inauguração, uma fila estava lá em frente ao caixa do restaurante. Contrariando minha alergia a filas, fui conferir. Como toda estreia, falhas aconteceram, mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Os pratos estavam saborosos e o nível de calorias bem baixinho. Nos dias seguintes, os ajustes melhoraram o serviço e o público continuou lá. Até a moçada que tem orgasmos com o cheiro de um Big Mac aprovou o sanduíche de peito de frango grelhado com suco de graviola.

Mas por que motivo eu estou compartilhando essa historinha sem grandes pretensões com você? Simples, pequeno gafanhoto. Este caso bobo é uma metáfora para uma porção de situações nas quais questionamos se o povão é realmente aberto a opções de qualidade. Posso estar esperançoso demais com a bárbara raça humana, mas a lojinha de alfaces e brócolis me levou a uma conclusão otimista: se houver uma alternativa bacana (por menor que seja), a massa funkeira corresponde. Se a TV oferecer um programa legal, haverá audiência popular. Se as rádios tocarem músicas mais elaboradas, haverá ouvintes também acostumados apenas com Michel Teló. Se a polícia usar menos gás de pimenta, as confusões vão diminuir. Se políticos dignos conseguirem espaço para apresentar boas propostas, os eleitores podem corresponder nas urnas.

Claro que são especulações originadas apenas de um inocente restaurante de comida natural. Mas se o nosso Gigante acordou por causa de 20 centavos, acho que qualquer fagulha de esperança merece atenção.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, titio He-Man aqui vai falar sério com você, pois o tema exige muita sensatez e ponderação. Mentira, não vai, não. Bom, eu e minha galera estamos acostumados com as lutas por melhores condições de vida. Em Etérnia, o povão vive em amplas campinas verdejantes. Todo mundo tem bolsa-magia e tecnologia de ponta. É uma beleza! Mas o malvado Esqueleto quer acabar com esse imenso clima de hotel-fazenda e impor suas leis cruéis. Sabe qual é o paralelo entre Etérnia e o Brasil das manifestações? Sabe? Sabe? Eu também não sei, quando eu descobrir, eu te falo. Amiguinho, use o seu direito de consumidor e não aceite produtos ou serviços de baixa qualidade. Até a próxima!!! 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Super-Angelina em ação

Angelina Jolie tinha tudo para ser apenas mais um sex-symbol. Sem muito esforço, ela já cumpre todos os pré-requisitos para a posição: gostosíssima, charmosa, olhos expressivos, personalidade e os lábios mais deliciosos da raça humana. Pronto. Não precisaria fazer mais nada para faturar os seus milhões de dólares, animar os banhos de adolescentes tarados e preencher as páginas de revistas de fofocas. Só que a patroa do Brad Pitt quebrou o protocolo e desceu do pedestal. Angelina se humanizou.

Entre um filme e outro, Angelina teve a audácia de se envolver em temas mundanos. A atriz se embrenhou em cafundós africanos, levantou bandeiras políticas e correu o Terceiro Mundo se envolvendo em causas humanitárias.Ficou ainda mais influente e assumiu o cargo de embaixadora da ONU, matando de inveja muitas musas de porcelana. E não parou por aí. Nas suas viagens, ela poderia trazer um postal ou um imã de geladeira, mas levou para casa bebês  de várias nacionalidades e etnias. Angelina praticamente criou a versão baby dos Black Eyed Peas.

E quanto todo mundo imaginava que a filha do Jon Voight já tinha aprontado todas as suas (belas) presepadas, eis que ela vem a público e declara fez uma dupla mastectomia para reduzir as chances de ter um câncer de mama. Até então, eu nem sabia o que significava a palavra “mastectomia”. Descobri e fiquei estarrecido.

Carajo, rapaz! Angelina Jolie arrancou os peitos. Minha namorada fica bolada quando corta a franja, imagina decepar as tetas.

Pois é, pensei assim mesmo. Minha musa tirou os seios que já deram de mamar a seis filhos e alguns maridos. Rapidinho, algumas figuras sugeriram um golpe da Angelina para aparecer. Caceta, e desde quando ela precisa fazer uma bizarrice dessas para ganhar espaço na mídia? Se ela entrar na fila do açougue, já vira capa de alguma revista Contigo da vida.  

A revista Contigo ainda existe? Quando eu era pequeno, eu conhecia a Contigo, a Amiga e a Manchete. “Aconteceu, virou Manchete”.

Exagero, descalabro ou maluquice, a atitude da nossa heroína foi corajosa ao extremo. Alguém que vive da própria estética se sujeitou a uma mutilação feroz. Sei que ela colocou próteses, mas não deve ser a mesma coisa. Só sei que, mais uma vez, ela fez o que julgou correto.

E você sabe o que eu concluo dessa história toda? Perdoem-me o atrevimento, mas afirmo que Angelina é o maior símbolo feminista desta segunda década do século XXI. É musa, mas arregaçou as mangas e assumiu posições diante de questões internacionais. Mais que isso, foi além dos discursos de ar-condicionado e visitou países que eu não saberia nem localizar no mapa - e ainda arrastou o maridão e a prole nessas peripécias. Foi rebelde, ganhou um Oscar, continuou gostosa, tirou os seios e se expôs como pouquíssimas. Angelina é uma força da natureza e exemplo para mulheres que ainda ficam de mimimi quando quebram a unha.

Mal e porcamente comparando, acho que Angelina está fazendo em nosso tempo um estardalhaço equivalente ao que fizeram Leila Diniz, Simone de Beauvoir, Luz del Fuego, Lady Diana Spencer, Amelia Earhart, Madonna e Carrie Bradshaw em suas respectivas épocas. Que bom!

Ok, ok, Carrie Bradshaw é um personagem, mas, para mim, significou a modernização do conceito de feminismo.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
SHE-RA?
Amiguinho, diante da sua reflexão sobre o universo menininha, tomei o lugar do meu irmão sarado e naturalmente gostoso He-Man. Aliás, muito me impressiona ficar de fora da sua citação às referências feministas. Logo eu, que sou a líder dos rebeldes de Etéria, tenha uma espada com mais usos que um canivete suíço e uso uma roupa de chacrete. E digo mais, antes de Ronda Rousey ser campeã mundial de MMA, eu já embolachava muito vagabundo que se achava forte. Enfim, apontada a minha revolta, permita-me um rápido e sucinto esclarecimento final: Angelina é foda e o resto é moda. Simples assim. Amiguinho, tenha noção de ocasião e não discuta a relação em eventos dos seus amigos. Espere o melhor momento. He-Man volta no próximo texto. Até breve!!!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Baixaria

“Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão”

Comecei pegando pesado, hein? Nesse trechinho do memorável “Samba da Benção”, o grande mestre Vinicius de Moraes mostrou que é tipo um Wolverine: o melhor naquilo que faz. E o que Vinicius faz de melhor é transformar o sublime em poesia (e vice-versa).

Sempre me derreti pela mulher charmosa, quase arrogante. É aquela empáfia de plena segurança de quem sabe que é bela, inteligente e maliciosa. Mas essa brincadeira tem um limite muito tênue. Por mais que tenha consciência da sua própria beleza, a moça precisa ter a sagacidade de se fingir comum, trivial. Pelo menos para mim, mulher bonita que se vê bonita, se assume bonita e faz imensa questão de vender uma imagem de perfeição dá preguiça. Simplesmente, cansa logo. Angelina Jolie continua deslumbrante na fila da padaria. Para ela, não há necessidade de forçar a barra.

Já esbarrei com várias meninas desse estilo. A magia dura 30 segundos. Com boa vontade, 45 segundos. A beleza se dissipa e sobra apenas aquele ar antipático, meio pedante. Quando acaba o encantamento, eu me afasto e procuro algo melhor para fazer da vida. Diógenes, amigo menos ético, prefere aplicar uma lição de humildade nas falsas princesas.

Certa vez, uma dessas gurias entrou no bar onde estávamos. Ela parecia se mover em câmera lenta Full HD. Cada passo parecia ter um trilha sonora. Os cabelos serpenteavam. Tudo conspirava a favor dela, mas... mas não rolou. A menina tinha aquele olhar de nojo e a expressão de repulsa, como quem pensa “que infortúnio! Alguém soltou gases ao meu redor”.

Sabe a Kristen Stewart? Pois é.

A moça veio até ao balcão e parou ao nosso lado. Diógenes se virou para ela, inclinou o corpo e disparou com tom de voz cafajeste:

- Gordinha, gordinha... ah, se eu te pego.

A gordinha, quer dizer, a menina enumerou todos os palavrões conhecidos pelas culturas ocidentais desde que Jesus Cristo jogava bolinha de gude na Galileia. Cara, foi poético!


QUAL A MORA DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, a vida é a melhor professora de humildade. Às vezes, as lições chegam na forma de salafrários geniais como o bom Diógenes. Mire-se no exemplo de He-Man, que é belo, musculoso, loiro, usa franjinha e é adorado por milhões de fãs. É muito amor, amiguinho. Ah, a lição final! Amiguinho, fique atendo às agendas de vacinações da sua cidade. Visite um posto médico e evite uma moléstia qualquer. Até a próxima!!!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tempos velozes e furiosos

Com a sua licença, vou ser nostálgico. Bom, isso não chega a ser novidade, mas é sempre bom colocar as cartas na mesa com antecedência.

Quando eu era moleque, havia uma euforia diante das novidades. A chegada de um disco inédito dos Guns’n’Roses ou do Nirvana era celebrada como se fosse a vinda do Messias e sua patota. Lembro do alvoroço e do ti-ti-ti quando Axl e seus comparsas anunciaram a chegada do “Use your Illusion” – dividido em dois discos. Teve clipe no Fantástico e matérias da MTV, na época em que a MTV era legal e tinha a Astrid, a Cuca e o Zeca Camargo no seu cast.

Cada filme ou disco inédito era esperado com fervor e curtido com ardor quase religioso. Eram tempos de “Vingador do Futuro”, “Indiana Jones e a Última Cruzada”, “Jurassic Park”, “Exterminador do Futuro 2” e as aventuras do Van Damme no cinema poeirento da rua. O primeiro filme 3D que vi foi um da franquia de “A Hora do Pesadelo” e tinha os efeitos tridimensionais mais xexelentos da história da sétima arte. Mas era legal usar aqueles óculos coloridos e fingir que tinha visto a imagem saindo da tela.

Eram tempos de chamar a gatinha para pegar uma matineé de “Ghost” e depois tomar um milk-shake de ovomaltine no Bob’s. Se rolasse uns beijinhos na sala escura, seria a vitória total. Depois, ainda rolava intermináveis papos ao telefone - até o papai ou a mamãe mandarem desligar.

- Você é sócio da Telerj? Desliga esse telefone, pô!

Tinha também locadora no bairro, onde eu era amigo do balconista e ele reservava os lançamentos para mim. Era o tempo de pegar vídeo de sacanagem escondido dos pais. Certa tarde, eu peguei “A Bela e a Fera” e a “A Professora Gulosa”. Só mostrei “A Bela e Fera”.

Falando em sacanagem, a Playboy era a principal fonte de peitinhos famosos. As gostosas da capa eram conhecidas do grande público e tinham a beleza duvidosa típica daqueles anos. Convenhamos, era quase uma roleta-russa e você podia esbarrar com a Luciana Vendramini na flor da mocidade ou com a Elba Ramalho nos tempos em que cabelo rebelde era fashion.

E os videogames? Tinha jogo de pistola no Phantom System, “Super Mario Bros” no Nintendo e Alex Kidd no Master System. Pouco depois tinha a explosão de cores do Sonic em extraodirnários 16 bits de tecnologia. Eu nunca soube ao certo a potência de 16 bits, mas deve ser mais sinistro que o jogo da cobrinha no celular da Nokia. De qualquer forma, a revolução das revoluções veio com “Street Fighter II” no fliperama do shopping. Quem era apelão, escolhia o Ryu, mas quem fosse habilidoso arrebentava qualquer um com o Blanka, o primeiro lutador brasileiro a fazer bonito internacionalmente. Depois dele veio o Royce Gracie atropelando adversários em um evento de lutas que valia tudo. Naquele tempo, era o terror. Violência brutal e hardcore. Se ninguém morreu naquela época de amadorismo e estrutura mambembe, ninguém morre mais agora.

Hoje em dia, não há mais euforia com a chegada de alguma novidade. Sinto que há uma tensão, uma apreensão sobre o que há de ainda mais novo e o que ainda pode estar a caminho. O indivíduo compra o IPhone 5 pensando no iPhone 6 ou no Galaxy S8. Os filmes chegam em trilogias. Os vampiros brilham ao sol do crepúsculo e as heroínas têm cara de tédio. O 3D funciona de verdade. Os telefones fazem tudo, inclusive ligações. O videocassete foi para o limbo das máquinas de escrever. UFC é um sucesso. Royce Gracie perdeu para o Matt Hughes. Os discos podem ser comprados via celular. As gostosas da Playboy continuam gostosas, mas não sei quem são elas. Luciana Vendramini continua uma delícia. A MTV está um saco. Tudo é muito rápido. Muito furioso. Não dá para curtir as novidades. Tudo está conectado. O suspense é menor. Tenho medo de virar um dos gordinhos de “Wall-E”, mofando diante de um computador e esquecendo que a vida está lá fora ansiosa por ser descoberta – e aproveitada.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, deixa de ser chorão. A lição é que as lembranças da adolescência sempre estão atreladas a uma sensação de felicidade pueril. Você era garoto e o mundo ao seu redor era maneiramente adequado. Pergunta se algum moleque espinhento de hoje em dia trocaria a sua vida e o seu Facebook por viver naquela época em que “Barrados no Baile” era a coisa mais cool do mundo? É ruim, hein! Você só vai virar um gordinho do Wall-E se quiser. Saia já deste computador e vai ver a vida lá fora, pô. Amiguinho, mantenha o seu banheiro limpo e arrumado.  Até a próxima!!!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mara Maravilha


Essa história não tem qualquer relação com cantoras e apresentadoras infantis dos anos 1980. Qualquer relação é mera coincidência.

Vamos a uma história sobre saliências adolescentes durante a Copa do Mundo dos Estados Unidos. Aquela do Romário e do Roberto Baggio, lembra? Se você não lembra, não faz diferença, pois o que importa neste relato é a aventura sexual de Cosme, hoje homem feito, mas moleque espinhento em 1994.

Ah, Cosme contou o causo, mas não liberou a publicação desta história. Na verdade, vai ficar bolado comigo por relatar suas peripécias. Depois eu tento me redimir com ele. E vamos ao que interessa.

Em meados dos anos 1990, a internet banda larga ainda era desconhecida. Aliás, a internet ainda era quase uma tecnologia do Dr. Spock, o orelhudo de “Jornada nas Estrelas”. Neste cenário, os meninos com hormônios ferventes faziam suas descobertas com as didáticas revistas Playboy ou com as primas mais saidinhas. No caso do Cosme, o mapa da mina era a Gilcimara, babá do bairro da Tijuca que era bem conhecida pela vizinhança. Segundo a lenda, após uns tragos a mais, Gilcimara assumia a identidade não muito secreta de Mara Maravilha, a boa samaritana.

O esquema era simples: depois dos jogos do Brasil, todos estavam comemorando e Mara Maravilha era raptada para prestar aulas gratuitas de anatomia e sexologia ao Cosme. A cada vitória da Seleção Canarinho, Cosme tinha um encontro marcado com a babá e fazia valer a energia contida em seus então 13 anos.

Com a confiança vem a desatenção. Lá pelas quartas de final, o Brasil sapecou a Holanda e Cosme foi lá bater o seu ponto sagrado com a Mara Maravilha. Só que neste dia, a emoção com o gol do Branco nos 3 a 2 foi tanta que ele decidiu fazer um upgrade na relação. Em vez de usar as acomodações do playground do prédio, Cosme teria suas lições de educação sexual a domicílio. Pena que a mãe de Cosme não comungava da mesma comoção futebolística e resolveu voltar para casa mais cedo.

Quando tudo parecia que ia dar errado para o jovem Cosme, aí é que deu errado mesmo. Mamãe abriu a porta do quarto e encontrou o seu pimpolho acoplado na babá.

- Cosminho, o que é isso?

Perceba você o grau retórico desta pergunta, amigo leitor e amiga leitora. O que poderia ser, dona Mãe do Cosme? Uma brincadeira de cavalinho? Um canguru perneta? MMA?  Custava usar um pouco a imaginação, senhora?

Assim que Mara Maravilha se evadiu do recinto com índices de velocidade dignos de Usain Bolt, Cosminho tomou aquele esporro protocolar vindo da sua zelosa mãe. Depois do sermão quase interminável, Dona Mãe do Cosme botou o moleque de castigo. O Seu Pai do Cosme soube do acontecido e foi mais pragmático. Providenciou algumas camisinhas e fez um adiantamento da mesada para que ele tivesse a mínima prudência de levar a moça para um motelzinho limpo.

Com dinheiro no bolso e planos maléficos, Cosme esperou pela semifinal para recuperar o tempo perdido com Gilcimara, quer dizer, Mara Maravilha. A babá até tentou resistir, mas acabou cedendo. No entanto, exigiu uma condição: que não fosse mais na sua casa nem no playground, pois já tinha passado vergonha demais.

Achei nobre...

- Claro que não, meu tesouro. Vamos para um lugar especial. Confia em mim.

Mara Maravilha abriu um largo sorriso e foi. No entanto, Cosme aplicou todo o dinheiro fornecido pelo pai em cinema, futebol de botão e gibis, mas para cumprir a sua promessa, rebocou “o seu tesouro” para os fundos da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, lá na Tijuca.

Veja que ideia bestial digna de um garoto novo de 13 anos. Que lugar melhor para comer a babá da rua do que os fundos da Igreja em noite de jogo da Copa do Mundo? Que primor!

Tinha tudo para dar errado. E deu mesmo. Cosme, o avarento, e Mara Maravilha, a solícita, foram pegos novamente com a mão na massa pelos fiéis da Igreja. Cosme quase foi excomungado e Mara Maravilha usou as migalhas da sua dignidade e nunca mais deu para o moleque. Pelo menos, o garoto acompanhou o jogo completo entre Brasil e Itália, com direito ao Galvão Bueno berrando “é teeeeetra! É teeeeetra!”


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, He-Man vai ser bem objetivo em seus ensinamentos: não tente comer a babá nos fundos da igreja. Não tente comer a babá no seu quarto, quando a sua mamãe pode surgir a qualquer momento. Não tente comer a sua babá sem trancar a porta. Só  tente comer a babá se a sua alcunha for Mara Maravilha. Aliás, isso não é um nome de guerra. Isso é marketing pessoal puro. Amiguinho, organize as suas atividades no trabalho, na faculdade ou onde quer que seja com anotações. Até a próxima!!!


segunda-feira, 18 de março de 2013

Quem quer ser um popstar?

Se tem uma coisa que me irrita neste infinito cosmo chamado internet é a seção de comentários das publicações. As pessoas têm um prazer escroto em falar mal de tudo. Seja por ideologia ou pela satisfação pessoal de “trollar” grupos específicos, as interações da moçada com o que brota na web são das mais torpes. Cá entre nós, dentre todos os assuntos que são alvos dos rebeldes espinhentos ou dos reacionários de ar-condicionado, o que mais me enfurece são as críticas ao Brasil. Claro que o direito à expressão é livre e irrestrito, mas detonar simplesmente por detonar é de lascar.  Quem estiver achando ruim poderia fazer o favor de arregaçar as mangas da camisa Tommy Hilfiger, sair da poltrona acolchoada e fazer alguma coisa para melhorar o cenário. Não que isso me torne melhor que você, mas eu fiz isso. Há alguns anos, fui dar aula de redação em um curso pré-vestibular destinado a alunos carentes.

Olha, foi uma experiência formidável. Mesmo sem ganhar um centavo, eu me sentia recompensado. Sinceramente, eu me senti muito mais digno e fiel aos meus princípios de defender a educação como o pilar de qualquer sociedade desenvolvida.

Nossa, como falei bonito agora! Confetes próprios.

Além das regras de redação, eu tentava estimular na moçada o prazer em escrever. Para isso, eu buscava aproximar os temas à realidade dos alunos. Além de conversarmos, eu sugeria pautas como filmes, música, notícias que estavam bombando e até fofocas do mundo das subcelebs. Para cativar o público, vale tudo.

- Galera, esta noite vocês vão escrever sobre os seus ídolos, sobre pessoas que vocês admiram. Não vale dissertar sobre o papai ou a mamãe. Tem que ser alguém conhecido, para que eu possa avaliar a importância dele na sua vida. Quero o mínimo de trinta linhas. Bola rolando!

Amigo leitor do outro lado da telinha fria, juro que achei que seria o tema mais mamão-com-açúcar desde o lendário “minhas férias” da 3ª série. Só que não foi bem assim...

Depois de cinco minutos, todos continuavam olhando para o vazio com as canetas entre os dentes ou com a cabeça apoiada na mão. Dez minutos depois, a sala estava com aquele silêncio de mausoléu.

- Galera, tudo bem? Vocês estão com dificuldade em escolher alguém legal?

- Na verdade, professor, a gente não tem ídolos – respondeu um dos alunos representando a turma. Fiquei chocado.

Eu também nunca fui tiete de ninguém. Nunca vesti camisa do Bob Marley ou usei a boina do Che Guevara, mas sempre tive figuras as quais admiro por sua contribuição a um mundo melhor ou por feitos notáveis. Minha lista é curta. Sou fã do Zico porque ele é um ser humano fantástico e jogador sublime. Admiro Ayrton Senna por suas ações dentro e fora das pistas. Gosto do Nelson Piquet pela sua rebeldia e talento. Respeito a Lady Diana Spencer por (tentar) sair da imagem da princesinha na torre do castelo e usar sua imagem por causas nobres. Ainda me arrepio quando leio as poesias de Vinicius de Moraes. Tenho imenso carinho pelo Gilberto Gil e sua história dentro da história do Brasil. Acho que esse é o time de pessoas públicas que curto. Fora eles, só um ou outro. Por que os meus alunos tinham tanta dificuldade em lembrar de alguém digno de nota?

Não sei, mas tenho teorias sobre o caso. O conceito de celebridade sempre esteve ligado à idolatria. Quando eu era bem pequeno, lembro da Menudomania. Depois, as menininhas da rua se contorciam pelos New Kids on the Block. Pouco depois, os garotos vestiam camisas com a cara do Kurt Cobain ou do Renato Russo, ambos recém-finados.

Agora, há uma profusão de gente que arrebanha multidões por prazos curtinhos. Acho muito curioso as adolescentes se descabelarem pelo Luan Santana, Justin Bieber, Michel Teló, Lady Gaga, vampiro Edward, Mulher Melancia e pela próxima figura cool que vai brotar no YouTube. Sem desmerecer quem curte essa moçada, sinto que todos eles têm carreiras tão sólidas quanto a do É o Tchan. Espero que façam o pé de meia antes que os seus fãs cresçam e fiquem com vergonha própria.

Ainda navegando pelo universo dos ídolos, fiquei muito surpreso pela comoção após o falecimento do Chorão. O cantor entrou para o Olimpo do rock nacional e eu nem sabia disso. Depois do susto, achei bacana, sabia? Mesmo com todos os seus problemas e altos e baixos, Chorão nunca perdeu a sua atitude e identificação com o seu público. Saquei isso depois. Hoje, se algum aluno meu dissertar sobre o legado do Chorão, não vou me surpreender.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, os tempos são outros e por mais que as celebridades se multipliquem que nem Gremlins na chuva, alguns nomes continuam imortais. Zico, Kurt Cobain, Renato Russo, Camus, Eric Clapton continuam lá. A diferença é que o oceano de futuros convidados da Luciana Gimenez é tão grande, que fica um pouco mais difícil pinçar as figuras com bons trabalhos. Porém, mesmo assim, os bons feitos se sobressaem e acabam ocupando o seu lugar na hora devida – mesmo que não seja em vida. He-Man, que é um ícone imortal de uma geração, sabe disso e já cansou de ver popstars surgirem e se apagarem. Aliás, para o seu governo, o É o Tchan vai retornar com a sua formação original. Imperdível! Amiguinho, cuidado com a comida quente. Vá com calma para não queimar a língua. Até a próxima!!! 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

29 jeans

Faz um calor lazarento no Rio. Os dias são fumegantes e a sensação é a de que existe um forno de pizza ligado exclusivamente para você – sem pausa. O dia mal nasce e o termômetro da rua já decreta assustadores 30 graus. Isso enquanto está passando o Bom Dia Brasil. Por conta dessa quentura estúpida, tenho priorizado roupas claras. Nessa de usar trajes mais leves, resgatei uma calça marfim tamanho 42. Até aí nada de extraordinário, mas o que chamou a minha atenção neste dia foi de que esta peça foi um presente de aniversário de 18 anos. Acho que tenho uma patologia psicológica travestida ema uma dificuldade lascada de me desfazer de algumas coisas. Por isso, eu tinha 29 calças jeans no meu armário.

Caceta! Nem a minha namorada vaidosa já teve 29 calças jeans.

Ela ficou tão chocada com a quantidade de jeans que estão penduradinhos no meu guarda-roupas que fez questão de contar: 29 jeans, fora algumas calças sociais e uma cargo com estampa militar.

Em minha defesa, eu alego que estou longe de ser um consumidor maníaco de calças jeans. Na verdade, eu pouco compro roupas, pois não tenho paciência para lojas lotadas e a etapa de experimentar essa ou aquela peça. Gosto de umas duas ou três marcas e sou fiel a elas. Aí vou acumulando a calça que ganhei no Natal, com aquela que comprei na liquidação do lápis vermelho, com aquela outra que ganhei de aniversário há cinco anos e por aí vai.

Quando eu era adolescente, eu colecionava gibis da Marvel. Chegou uma etapa da vida que eu tinha mais de 1.000 revistas empilhadas em um único armário. Eu guardava o dinheiro que recebia para ir à escola e gastava tudo em quadrinhos. Já crescido, sofri horrores quando tive que desfazer dos meus amados gibis. Ainda hoje guardo algumas revistas com valor afetivo maior. Não chegam a 50.

Na faculdade, a fixação era com CDs. Eu garimpava lojas e sebos procurando títulos raros ou discografias completas do R.E.M. ou do Pearl Jam. Em poucos anos, a prateleira foi lotando e, pimba!, não aguentou mais. Com o advento da música digital, eu poderia me sentir à vontade para me desfazer de tantos discos, certo? De jeito maneira! E o carinho pelos disquinhos, com seus encartes e histórias? Como é que fica? Não dá para ter afeto pelo mp3, pô!

Olhando friamente para meu apartamento, eu tenho um acúmulo de tralhas adoráveis. Tenho sei-lá-quantos DVDs (ainda não migrei para os blu-rays), trocentos livros e uma cacetada de breguetes do Flamengo, que não faliu até hoje por minha causa. Sou um dizimista confesso do Mengão.

Mas os livros são toleráveis, não? Na verdade, o acúmulo de livros nunca é demais. Até se você cismar em guardar caixas e caixas de romances da Danielle Steel ou suspenses jurídicos do John Grisham. Vou além: até se você quiser guardar a saga Crepúsculo e todos os seus afluentes, eu acho digno.

Entre tantas tranqueiras, eu tenho uma favorita. Sim, sou capaz de identificar um item no oceano de tralhas! No fundo de um baú, ainda guardo o meu primeiro kimono. É um Atama encardido, rasgado, esburacado e desgastado pelos anos. Ele marca o ano que fiz vestibular e que decidi ser um cara mais corajoso. Já pensei em me desfazer dele, mas e a dó que bate no coração? Como é que fica? O kimono continua lá.

Enquanto eu juntava todas essas tranqueiras, os jeans foram se acumulando até a admirável quantidade de 29 peças enfileiradas em cabides brancos iguais. Mas para toda patologia há uma cura – ou princípio de cura. Outro dia, minha namorada invadiu o meu closet e botou ordem.

- Tem jeans demais aqui. Vamos limar uma porção. Vamos! Você consegue. Escolhe aí.

E lá fui eu separa os mais velhos, os mais feios e os mais fora da moda – segundo critérios dela, que eu mesmo desconheço, mas confio. Mulher tem tino para essas coisas. Dispensei uma porção de calças e mandei para a igreja. Ainda tenho muitos jeans guardados, mas eu me sinto uma pessoa melhor agora.

QUAL A MORA DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, pode ser sincero com o seu camarada aqui. Você fez esse rodeio todo para deixar implícito que ainda tem o mesmo corpo que tinha aos 18 anos, certo? Você é um calhorda. A mensagem final do He-Man é uma só: DESAPEGA. Amiguinho, fique de olho no prazo de validade das gororobas que você guarda na geladeira. Até a próxima!!!




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O conto da fada verde


O Carnaval passa. As histórias ficam. E uma ocorrência que merece nota é o encontro (verídico) entre o Professor Honório e uma das suas pupilas.

Era um vez...

Honório estava curtindo a passagem de um bloco na praia da Barra. Com o calor dos infernos, a pouca roupa era predominante nas alegres foliãs. Tranquilamente, o nobre professor acompanhava o vaivém das beldades com admiração quase penitente.

- Professor! Professor!

Honório ouviu o chamado e percebeu uma fadinha acenando ao longe. Ele correspondeu o cumprimento e, para a sua surpresa, reconheceu uma das suas alunas da PUC, que logo veio ao seu encontro. Segundo ele, a guria estava um espetáculo, como a maioria das estudantes de comunicação da memorável Pontifícia Universidade Católica. Papo vai, papo vem, o bloco passava e a fadinha de asas verdes continua empolgada com a conversa.

Essa fada. Essa fadinha. Cacófatos oportunos!

- Vamos sentar ali no quiosque e tomar uma água de coco.

- Claro.

Honório analisava friamente a situação e vivia o dilema da ética segundo a perspectiva poética do Seu Jorge: “pego. Não pego. Pego. Não pego. Pego. Não pego”.

Mais papo vai. Mais papo vem. O último fiapo de ética e escrúpulo que restavam na consciência de Honório era justamente a idade da fadinha verde.

- Qual a sua idade mesmo?

Deus, faça com que ela seja maior de idade!

- 18, professor.

- Pode me chamar de Honório. Esquece esse lance de professor.

- Qual a sua idade, professor? Quer dizer, Honório.

- 19 anos – respondeu sem pestanejar.

- Ah, professor, você tá brincando.

- Tô não.

- Tá sim. Fala a verdade, professor.

- Tenho 19 anos.

- Ah, seu bobo.

- Verdade. Tenho 19 anos a mais que você.

Silêncio.

- Errrr... professor, vou ali com as minhas amigas e volto já.

- Claro, querida.

Honório ficou no quiosque rindo consigo mesmo. Bebeu a água de coco às gargalhadas. Perde-se a conquista, mas não se perde a piada jamais.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você sabia que a maioria dos professores detesta ser chamado de professor quando estão à paisana? E faz sentido. Se você encontra o seu encanador na rua, você sai gritando “Ei, encanador. Tudo beleza?”. Soa estranho, não? A lição principal é não chamar o professor de professor quando ele não está dentro da escola ou universidade. A exceção é se ele for o Professor Xavier. Péssima piada final. Boto a culpa na ressaca da folia. Amiguinho, cuidado com as dores musculares crônicas. Busque tratamento adequado e evite perrengues posteriores. Até a próxima!!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Tudo vai dar certo


Todo mundo fica triste em algum momento da vida. Eu fico triste. Você fica triste. Tirando o exagero do poeta que acredita que “tristeza não tem fim, felicidade sim”, os momentos em que estamos para baixo são inerentes às nossas vidas. Óbvio, mas faz parte do show.
  
Tudo vai dar certo.


Eu fico triste quando o Flamengo perde. Fico triste quando brigo com a namorada. Fico triste quando eu me aborreço com a família. Fico triste quando tenho dor no pescoço. Fico triste porque meu joelho não me permite mais jogar futebol depois da cirurgia. Até dias de chuva me deixam jururu. Em casos extremos, eu faço coro com o Zeca Baleiro e até beijo de novela me faz chorar. Fico arrasado quando pessoas me desapontam, mas nada me deixa mais cabisbaixo do que a frustração de saber que posso falhar com as pessoas ao redor. Esse é o pior sentimento: a angústia de fracassar.

Tudo vai dar certo.

Quando estou nessa vibe, eu não consigo disfarçar. Fico em um estado estranho de autismo: olhar fixo em lugar nenhum, boca fechada, movimentos lentos, poucas palavras e frieza de cirurgião cardíaco. Enfim, uma péssima companhia. Chato pra cacete, melhor colocando.

Tenho andado bem chateado com tudo. Melancólico. Sem brilho nos olhos. Não reclamo sobre essas coisas. Fui criado/treinado para segurar a onda e me virar. E assim eu faço, mas é terrível armazenar a tristeza como um tênis fedido embaixo da cama. Não se vê, mas incomoda horrores.

Tudo vai dar certo.

Mas aí é que a vida dá o seu recado e mostra como os seus problemas são pequenos diante da dor verdadeira. Indo para o trabalho, eu estava ouvindo rádio e fiquei sabendo de um história de cortar o coração envolvendo a tragédia de Santa Maria. Diante da dor inclassificável de perder uma filha, um casal ainda não teve a força necessária para tirar do refrigerador um sanduíche mordido pela garota antes de sair para a Kiss. O quarto continua arrumado como se ela estivesse viajando. O pão mordido às pressas, pois ela estava prestes a perder a carona, ficou na geladeira. Ouvi essa história e outras, como a de um bombeiro que encontrou um celular que tocava insistentemente no bolso de um rapaz morto. No display: “Mamãe 144 ligações perdidas”. Fiquei pequetitico, envergonhado pela minha tristeza banal.

Tudo vai dar certo. Eu sei.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
#ForçaSantaMaria