quinta-feira, 8 de julho de 2010

Banho de povo

Conheci a expressão "banho de povo" em Recife e adorei. Resumindo, trata-se da entrada do indivíduo em um ambiente com uma cacetada de pessoas por metro quadrado. É a ocasião em que a multidão se torna um organismo único, fedido e suado. Conheça algumas situações em que você corre o risco de tomar um banho de povo:

Estádio
Lembre-se, não pode ser qualquer um. Tem que ser um estádio em dia de clássico regional com título em disputa e calor de quase 40 graus (à sombra). Tipo Fla x Flu, Corinthians x Palmeiras, Grêmio x Internacional ou Remo x Paysandu. Só tenha atenção por onde você pisa. Se você estiver vestindo a camisa do seu time e entrar na torcida errada, pode trocar o banho de povo pelo banho de sangue.

Show aberto
Seja um show na praia de Copacabana ou no Parque do Ibirapuera, a muvuca é a mesma. Pode ser uma apresentação dos Rolling Stones ou uma interpretação de uma peça do Rachmaninoff, mas lá estará o banho de povo. E sendo em ambiente praiano, a experiência é ainda mais completa. Além de esmagado, você sai besuntado com suores das mais diversificadas fontes e a marola de ervas queimadas. Um luxo só!

Micareta ou bloco de carnaval
Você não sente vontade de espancar o cara lá em cima do trio elétrico quando ele grita "vamos tirar o pé do chão, galera"? Enquanto o miserável está lá no alto, confortavelmente instalado, o folião descobre na prática que dois (ou até três) corpos podem ocupar o mesmo espaço. Neste caso, o abadá funciona como absorvente de líquidos variados: cerveja, suor, lança-perfume, vinho fuleiro, coca-cola sem gás, perfumes alheios e o champanhe que cai dos camarotes 5 estrelas.

Metrô
Ah, o meio de transporte urbano dos sonhos: ar-condicionado e nada de trânsito. Bom, na teoria é uma beleza, mas tente pegar um metrô no Rio de Janeiro ou São Paulo lá pelas 18h de um dia últil. A comparação surrada à lata de sardinha é mixuruca diante do perrengue. Acho que fica mais parecido a uma lata de palmitos: todo mundo apertadinho e na vertical. O banho de povo fica ainda mais gostoso quando se percebe que a maioria dos passageiros está no batente desde cedo e uma parcela significativa considera o desodorante um bem supérfluo e desnecessário. Hmmm, delícia!

Ônibus
Por último, o hors concours do banho de povo: o busão nosso de cada dia. O maior representante do banho de povo agrupa características de todas as aglomerações citadas. Ele é muvucado como o estádio, aromaticamente exótico como o show na praia, ritmado como a micareta e claustrofóbico como o metrô.

Para concepção do banho de povo em grau máximo, imagine sair de 8 horas de trabalho sem ar-condicionado, pegar um metrô às 18h01, passar na FIFA Fan Festival de Copacabana, curtir um show do Parangolé e voltar no mesmo ônibus que a Torcida Young Flu.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, a muvuca é um patrimônio da humanidade desde tempos imemoriais. Desde que Adão e Eva começaram a povoar o planeta, as turbas já existiam. Mas não arranque seus cabelos, pois o cerebral He-Man tem um recadinho: com a maturidade, as pessoas começam a evitar as multidões. Perceba que as aglomerações são formadas em maioria pela molecada, que tem disposição, resistência ao suor alheio e pouco dinheiro. Vai na cola do He-Man, que tu se dá bem! Amiguinho, não entre em discussões acaloradas sobre futebol. Não vale a pena. Até a próxima!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

O paraíso é logo ali

Hoje, acordei com uma sensação de que o dia seria ótimo. Como meus amigos sabem, ando meio jururu e não é toda manhã que levanto com essa vibe. Sei lá, acordei me sentindo bem e tals. Até twittei tal alegria. Se ficar feliz sem razão é gostoso, imagina quando você descobre que o Surfista Platinado é o blog do mês da rádio SulAmérica Paradiso? Obrigado, Isabella, Léo Jaime e equipe!

Caramba, que orgulho! Rumando para a sua 3ª temporada, o Surfista Platinado é um hobby que conquistou o meu carinho e a minha dedicação. Oh, graças a mim? Nem pensar. Eu escrevo, mas quem retribui com olhos atentos, e-mails generosos, tweets divertidos e pitacos maneiros é você aí do outro lado da telinha.

É você, que bate ponto por aqui para conferir minhas aventuras, meus pensamentos e meus devaneios. Sem você, esse pardieiro não duraria um mês, imagine quase três anos. Então, sem falsa rasgação de seda e bem clichê:

OBRIGADO POR TUDO! TUDO MESMO!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A lição de Ringo Starr e a vida corporativa

Gosto das dicas do Max Gehringer. Mal e porcamente comparando, vejo o cara como um Mestre Yoda do mundo corporativo - com um senso de humor mais requintado, é claro. Mesmo sem a bagagem do titio Max, eu já aprendi uma coisa ou outra da vida profissional. A principal delas não veio de um palestrante de RH ou do Roberto Justus. Na verdade, veio do Ringo Starr, o pastor belga que eu tive quando era moleque.

É verdade. Eu tive um cão com nome de Beatle. E nem era um beagle. Beatle, beagle, sacou? Dããããã...

Ringo era um cachorro bonito pra cacete. Tinha a pelugem preta e espessa, uma imensa língua rosada, olhos castanhos e um jeitão desconfiado. Não satisfeito em ser lindo, o bicho era inteligente horrores. Além de obedecer a vários comandos de voz, ele tinha hábitos de higiene exemplares. Um dia, ele foi pego em flagrante fazendo xixi na área de serviço. Tomou um esporro federal da minha mãe e parece ter compreendido o recado. Desde então, o bicho jamais voltou a fazer as suas necessidades dentro de casa. Aliás, nem na sua casinha. Quando a natureza chamava, ele adubava o gramado do quintal.

Beleza, mas o que isso tem a ver com a vida profissional? Ora, meu pequeno jedi, o bizú vem a seguir.

O grande ensinamento do cachorro é bem simples: não faça caca por onde você passa, pois as pessoas podem ver e vão lembrar. Por outro lado, se você for legal, a sua reputação lhe precederá.

Botei até em "negritude júnior" para destacar bem a mensagem.

Falando português limpinho, se a sua imagem estiver maneira, as pessoas sempre terão algo bom a dizer a seu respeito. Quando você estiver na pindaíba, o seu passaporte de volta ao topo poderá ser carimbado mais rapidamente com os elogios de quem te conhece ou trabalhou contigo. E é batata: os bons comentários surgem espontaneamente e fazem diferença. Tem mistério nisso? Não tem, né? Mas é tão óbvio que a maioria das pessoas deixa de lado.

Com a petulância de adiantar a moral do He-Man, anote na sua agendinha esta valorosa lição: seja bacana com as outras pessoas. Na maioria das vezes, atitudes legais são como bumerangues. Elas sempre voltam para onde saíram.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, essa é boa, hein? Seu ciúme está aflorando e já tenta desestabilizar o meu espaço. Ok, ok... Só que a moral do sagaz He-Man vai além. O que você negligenciou em sua macilenta tentativa de instruir é um detalhe crucial, mané. Quando você estiver no bem-bom, nunca esqueça de estender a mão a quem precisa. Demonstre interesse pelas outras pessoas e elas farão o mesmo por você. Ah, o que seria de você sem mim? Amiguinho, não tire meleca em público. Vai que você é filmado e vira a cena mais bizarra da Copa do Mundo. té a próxima!!!

OBS: Macilento: emagrecido, pálido, descorado, cadavérico. Surfista Platinado também é cultura, rapá!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Todos os corações do mundo

Eu adoro futebol. Basta uma bola rolar em algum gramado nacional ou estrangeiro para que eu fique hipnotizado. Já me peguei vendo um jogo do Votuporanguense na Rede Vida. Já briguei com uma namorada na Copa de 2006 por causa de uma partida do Brasil. E, além de acompanhar os jogos, eu leio sobre o assunto com curiosidade de arqueólogo. Em ano de Copa do Mundo, o país respira o velho e rude esporte bretão – ainda mais com a internet consolidada na vida do povão. Não há como fugir do assunto, então vejamos o lado pitoresco desta época do ano:

Futebol total
De quatro em quatro anos, a TV fica refém do futebol. Nem a novela escapa. Se bobear, o Gianecchini comenta a partida entre Argentina e Coreia do Sul entre uma maldade e outra. Na internet, somos milhões de comentaristas e pitaqueiros. No cabelereiro, a revista Caras mostra como foi Brasil x Coreia do Norte no Antiquariu's. No "Fala que Eu te Escuto", os pastores cornetam a escalação do Gilberto Silva.

Mulheres
Em muitos concursos de Miss Brasil, o entrevistador pergunta à candidata Miss Alagoas sobre o seu time e o seu livro preferido. Ela responde protocolarmente "Brasil e 'Pequeno Príncipe'". Mas em mês de Copa, a mulherada se rende aos jogos com mais afinco. É o único período em que os homens ganham habeas corpus para ver futebol loucamente. "Amorzinho, é só uma vez a cada quatro anos", eles argumentam. "Hmpf!", elas resmungam, mas aceitam. Como represália, elas ficam de olho nas pernas dos jogadores, no sorriso do Kaká e no topete ridículo do Cristiano Ronaldo. "Ah, amorzinho. Eu só vejo esses jogadores de quatro em quatro anos", elas argumentam. "Hmpf!", eles resmungam, mas aceitam.

Bolão da Copa
Papai do Céu disse que ao se reunirem dois ou mais em oração, lá ele estaria. Durante a Copa, ao se reunirem dois ou mais pessoas, tem um bolão. Na empresa, no clube ou no boteco, as apostas correm soltas. Curiosamente, as pessoas que costumam faturar a bolada são aquelas que menos entendem de futebol. O entendido que acompanha todos os campeonatos do planeta jamais conceberia uma derrota da Espanha para a Suiça. A secretária que mal conhece o Corinthians, acha que a Suiça tem chocolates mais legais e crava lá: 1x0.

Álbum de figurinhas
Em 2010, a Panini riu à toa. A febre das figurinhas foi mais intensa e preocupante que a H1N1. Vagabundo estava matando trabalho para correr atrás do escudo da Nigéria ou do maldito Wayne Rooney, que ninguém tem para trocar. O diferente foi como as redes sociais deram uma mãozinho especial para as trocas. A internet a serviço do povo!

Galvão Bueno
"Ééééééééééééééééééé, do Brasiiiiiiiiiiil! Rrrrrrrrrrronaldinho!". É mais uma Copa no gogó do Galvão, moçada! Odiado por muitos e detestado por poucos, Galvão segue firme e forte no comando dos jogos da Globo. Nesta copa, o twitter piou o que um país inteiro clama há anos: Cala Boca, Galvão. Mostramos que quando queremos sacanear alguém, somos altamente organizado. E os gringos se desesperaram: "esses brasileiros sanguinários querem matar a pobre ave em extinção". Mal sabem eles...

Patriotada
Que beleza! Varandas coloridas, bandeiras nos carros e ruas enfeitadas realçam o nosso patriotismo. Que povo consciente, inspirado e unido. Canta o hino com a mão no peito e vibra com a pátria de chuteiras. No Brasil, ser patriota tem prazo de validade: acabou a copa, acabou o amor pela nação. E tudo volta a ser como antes.

Vuvuzelas
Ok, ok, é um elemento da cultura africana, faz parte da sociedade bafana bafana e blábláblá, mas, PQP, como é chata. Imagina ver um jogo com um desgraçado soprando esse troço nas suas orelhas? Meu medo é que a moda está chegando ao nosso país. Ai, ai, ai...

Meu nome é Jabulani
Tenho pavor dos nomes da moda. Você já imaginou quantos pais joselitos vão batizar os seus pimpolhos recém-nascidos como Jabulani, Bafana, Tchabalala, Maicon, Kaká e Vuvuzela? O governo deveria se antecipar e enviar informativos aos cartórios com uma orientação bem clara: "está sumariamente proibido efetuar registros com nomes escrotos relacionados à Copa do Mundo da África do Sul".

Pelé, o visionário
O Atleta do Século é o oráculo. Quem ele aponta como favorito se ferra antes das oitavas. O Rei elogiou a Espanha e veja o que aconteceu...

Argentina
E pelo Manual de Etiqueta do Dunga, devemos respeitar os adversários e enaltecer a esportividade. Viva o espírito olímpico e que se f#$@#%$, os filhos da !@!#$#@$ dos argentinos do car"#!#$*! Que vença o melhor, menos eles.


QUAL MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, aqui em Etérnia não tem Copa do Mundo. A seleção eterniana empatou com um combinado do Tibet e não se classificou para a festa maior do futebol. Dane-se! He-Man detesta futebol e ocupa seu precioso tempo depenando a Feiticeira ou dando um rolé com o Gato Guerreiro. Meu único e pálido interesse pela Fifa World Cup se restringe às torcedoras da Dinamarca. Amiguinho, pedir licença não tira pedaço. Até a próxima!!!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Homens não são todos iguais

Mulher se queixa de que os homens são todos iguais. Discordo. Homens são diferentes entre si, mas tão previsíveis quanto um hamster na gaiola. Falo por conhecimento de causa. Sou homem, pô!

Mas, as moças não podem se queixar de que compram gato por lebre. Às mais inexperientes (sei, sei, conta outra), eu sugiro cinco filmes que apresentam detalhes importantes sobre o modus operandi dos marmanjos. Saca só:

Ele não Está Tão a Fim de Você
Tem exageros, tem um final piegas e noveleiro, tem situações bem gringas, mas vá lá, o contexto é interessante. Nesta comédia lotada de rostos conhecidos e clichês, a mulherada pode aprender uma lição de ouro: quando o cara se interessa, ele liga. Carajo, isso é tão óbvio que chega a ser genial. Se o malandro não te ligar, minha doce leitora, é porque ele está em outra. E todo homem (ou 99,5% do total) quer comer a Scarlett Johansson.


Um Grande Garoto
Filmão inglês baseado em um livro igualmente legal do Nick Hornby. Basicamente, é a história de um sujeito com 30 e poucos anos (o Hugh Grant, no caso) que vive exclusivamente para pegar o maior número de mulheres possíveis. Ele é rico sem trabalhar, não tem consciência e dirige um Audi TT – três sonhos de consumo de muito malandro por aí. Bom, a lição valiosa é que homens são crianças que cresceram. Mulheres precisam saber lidar com esse detalhe ou vão ser trocadas por "God of War 3", do Playstation.


Alta Fidelidade
O britânico Nick Hornby realmente sabe transmitir a essência do macho de verdade. Neste filme, a trama gira em torno da obsessão do John Cusack pelos cinco maiores foras da sua vida. Após terminar com a namorada, ele resgata os contatos das mulheres que o fizeram sofrer e tenta uma reaproximação. Anote na sua agendinha da Hello Kitty: homens sofrem horrores com rompimentos, mas são orgulhosos e não contam. Homens negam, mas se rasgam por dentro e raramente esquecem.


De Olhos bem Fechados
Em seu último filme, o psicótico (e magistral) Stanley Kubrick mergulha nas profundezas do ciúme masculino. De uma forma bem hardcore e tensa, ele apresenta Tom Cruise (em um raro bom papel) se contorcendo de ciúmes por conta de uma quase infidelidade da sua esposa Nicole Kidman. As mocinhas devem aprender que homens são maníacos ciumentos. Alguns têm solução, outros não. Shakespeare sabia disso há séculos e escreveu "Othello".


ABC do Amor
Quem diria que uma produção infantil poderia ser tão instrutiva. Pois esse simpático filminho gira em torno de um moleque de 10 anos que se descobre apaixonado pela coleguinha do karatê. Com várias sacadas bacanas, o roteiro mostra inseguranças, joguinhos, bobeiras e receios que os caras têm e não admitem. No final das contas, "ABC do Amor" mostra que os homens realmente são como o Leoni já cantou: "garotos como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos".



QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, quem te deu o título de porta-voz master da classe masculina? Tá se achando o He-Man, é? Vou já cortar as suas asinhas. Seguinte, homens são previsíveis, como você disse, mas são incoerentes. Cada caso merece atenção e reconhecimento antes de identificar o seu procedimento. Em todo caso, os filmes são legais. Amiguinho, ao encontrar uma pessoa que você não lembra o nome, evite chutar o nome da infeliz. Que papelão! Até a próxima!!!

Ah, aproveitando o embalo, o Homem Mais Poderoso do Universo manda um beijo para a leitora Ly Turano.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dia dos namorados macabro

O Dia dos Namorados mexe tanto com os nervos de casais felizes e solteiros convictos quanto resultado de do vestibular, FlaxFlu ou véspera de casamento. Mal e porcamente comparando, é como um filme do David Lynch: você pode odiar ou amar, mas jamais ficará indiferente.

Seja para se jogar em alguma festança de solteiros rancorosos ou batalhar uma mesa à luz de velas naquele restaurante bacana, a meta é uma só: acertar a mão. Pesquisando aqui e ali, descobri os sete pecados capitais (sob o ponto de vista masculino, é claro) na execução de um Dia dos Namorados a dois. Jogo rápido:

1. O presente é para ela, e não para você.
Já vi malandro comprar uma caixa de "24 Horas" e oferecer como presente para a namorada. O lance é que a respectiva companheira nunca gostou das aventuras de Jack Bauer. Na verdade, odiava. Neste caso, o presente era para ele ou para ela? Tic, tac, tic, tac... moleza, né?

2. Quem entende de moda é ela, não você.
Moda é uma ciência inexata, complexa e sem o menor sentido. Veja o exemplo da calça boca de sino: era in, ficou out, voltou a ficar in e está out de novo. Amanhã pode ser a nova tendência de Milão. Então, não tente adivinhar se aquele vestido laranja está na moda. Vai no pretinho básico que tem maiores chances de acerto.

3. Na dúvida, pergunte às universitárias.
Putz, moda é fogo (ou que nem a rima). Em alguns casos, até o pretinho básico pode ter pequenos detalhes, ocultos aos nossos inadvertidos olhos masculinos, que tornam a peça 100% out. Eu costumo escolher uma vendedora com o perfil da presenteada e, na dúvida, peçouma consultoria. "Por favor, me indica uma peça que você usaria. Algo em torno de X reais", eu pergunto. Na maioria das vezes, dá certo. Mulher adora dar pitaco.

Observação crítica: nessa época, vale perguntar "o que você gostaria de ganhar do seu namorado?". Se a infeliz alegar que não tem ninguém para chamar de "amoreco", mude de vendedora, pois esta pode estar cheia de ódio no peito. Ah, e, na dúvida, não liga para a sua ex.

4. Criatividade tem limites na hora do presente
Eu tive uma namorada que fazia aulas de canto. Ela mandava bem, por sinal. Pegando o gancho na sua afinidade com a música, decidi comprar um presente musical: uma pandeirola. Acho que eu devia ter tomado açaí com chá de cogumelos. Ela nunca usou o raio da pandeirola. Desde então, eu penso: "será que ela vai usar este troço ou será um devaneio da minha mente desequilibrada?". Com esse leve exercício de consciência, você desistirá de comprar garrafas de whisky, camisas de futebol, jogos de Playstation e coisas do gênero.

5. Planeje a night com cuidado
Assim como o item 6 das 10 Dicas do Primeiro Encontro, pense financeiramente antes de sair reservando uma mesa no Fasano e uma suíte imperial no Sheraton. Você pode agradar sem esbodegar o seu limite do cartão de crédito. Pense em um lugar mimoso, mas seja sensato. Putz, pedir sensatez é um problemão.

6. Não fique bêbado
Pelamordedeus, não encha o pote de cana e perca a linha neste dia. Lembre-se que ela espera um programa romântico, e isso não inclui levar você para tomar glicose no hospital. Se seu organismo for fraco para a bebida, peça uma taça de vinho para ela e uma latinha de guaraná Dolly para você. Se ela questionar a sua macheza, a sua ogrice, bota a culpa na Lei Seca.

7. Seja genuíno
Não, não é para ser como o companheiro José Genoíno, do PT (vide foto ao lado). Eu quero dizer, seja autêntico. Seja você mesmo. Seja essa flor de pessoa que conquistou a sua namorada. Ela surtou e aceitou ser a sua Primeira Dama do jeito que você é, então não precisa fazer estripulias.

E Feliz Dia dos Namorados para solteiros, casados, enrolados e afins!!!


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você anda muito Gloria Kalil ultimamente. Cheio de listinhas, regrinhas e blábláblás. Tá querendo ganhar uma coluninha na revista Gloss? Aliás, acho a Gloss genial: é uma Marie Claire wannabe que não tomou o seu prato de Cremogema e não cresceu. Sabe o MiniMe e o Dr. Evil? É a Gloss e a Marie Claire. Ah, voltando a você e seu momento guru... bom, agradeça ao Papai do Céu pela Internet ser esse espaço democrático e por você não morar na China. Escreva o que quiser. Vai que funciona, né? Amiguinho, ao usar o elevador é educado retorná-lo ao térreo. Até a próxima!!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Smirnoff é um bom camarada

Mulheres ficam mais divertidas quando bebem. Ao contrário dos homens, elas perdem a aura de elegância e viram gente como a gente. Henriqueta, por exemplo, me contou a bela história de um dos maiores porres dos seus 23 aninhos.

Liberta, DJ!

Henriqueta chegou à festa de formatura com certo atraso e resolveu recuperar o tempo perdido imediatamente. Sem qualquer rodeio, foi ao balcão da birita e olhou no fundo dos olhos do barman.

- Eu quero um drink, mas não quero que você faça essas bebidinhas aguadas para tapear. Capricha na vodka.

- Demorou!

Quinze minutos depois, Henriqueta já estava na garupa do Bozo. Daí para frente, ela deu um trabalho imenso para a amiga-anja-da-guarda.

Amiga-Anja-da-Guarda: utensílio essencial às mulheres que bebem. A Amiga-Anja é aquela que fica sóbria e toma conta da colega manguaçada. Entre as suas utilidade está evitar que ela exagere no vexame, segurar a cabeça da moribunda na hora de vomitar e salvá-la dos tarados. Homem não tem Amigo-Anjo. Quando o sujeito fica bêbado, o camarada filma e bota no Youtube para zoar depois.


Quase à 1 hora da manhã, Henriqueta teve uma epifania de que deveria ligar para o ex-namorado e dizer um montão de verdades. Com muita dificuldade, catou o nomezinho do infeliz na agenda do celular e ligou. Disse tudo aquilo que estava engasgado. Falou, falou, falou e falou.

- Não vai dizer nada, seu babaca? Responde, vai? Otário! Manézão!

A Amiga-Anja pegou o telefone e percebeu que a amiga tinha esquecido de apertar o botão de discagem. Ufa!

Já vendo o mundo no universo paralelo do rebolation, Henriqueta foi dançar. Na primeira música, quebrou o salto do sapato. Tirou os calçados e bailou que nem o Luis Caldas: com os pés no chão viscoso. Cansou de requebrar e foi rever o amigo do bar. Tomou mais um drink calibrado na vodka e teve uma ideia legal: "ora, por que não escalar a pilastra?".

Com vestido caro, maquiagem borrada e descalça, Henriqueta se atracou à pilastra e tentou chegar ao teto. A Amiga-Anja foi resgatá-la de novo.

Não satisfeita, Henriqueta subiu em uma cadeira para (sic) "ter uma visão melhor da festa". Só não caiu por intervenções da Amiga-Anja e do santo padroeiro dos pinguços.

Fula da vida, a Amiga-Anja decidiu que o caso estava perdido. Ela tinha que levar Henriqueta para casa, para o hospital ou para o AA – o que estivesse mais perto. Para fechar a noite, Henriqueta chamou o Raul no pé do manobrista.

No dia seguinte, Henriqueta acordou com os pés imundos, suando com aroma de Smirnoff, sentindo um gosto de vassoura na boca e com uma dúvida terrível:

- Onde foram parar os meus sapatos?

QUAL A MORA DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, reza uma lenda que mulher quando fica bêbada, tira o sapato, diz que ama alguém e chora. Henriqueta só seguiu a cartilha no quesito do sapato. Enfim, vamos aos recados rápidos e diretos: 1) um Engov antes e um Engov depois, 2) durante o porre, o bêbado deve se hidratar, e 3) para finalizar, se não sabe brincar, não desce para o play. Só isso! Estou sem muita inspiração hoje. Amiguinho, mesmo dentro da bagunça, tente organizar minimamente as suas coisas. Até a próxima!!!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O primeiro encontro em 10 dicas

O primeiro encontro é coisa séria. Tal evento deve ser encarado como pênalti em final de Copa do Mundo, entrevista de emprego ou assinatura de tratado entre israelenses e palestinos. Em resumo, qualquer vacilo bota toda a campanha no lixo.

Por essas e outras, bolei mais uma lista de bizús óbvios. Sim, pois é no campo do inequívoco que estão as maiores probabilidades da vacar tomar, lépida e faceira, o rumo do brejo. Então, vamos ao que interessa:

1. Tome um banho!
Mesmo que não seja fim de semana ou dia santo, faça as pazes com o chuveiro, com o shampoo e com o sabonete. Não precisa fazer um dia de noiva, mas uma chuveirada é essencial. E na mesma toada, escove os dentes e guarde um Halls preto no bolso para qualquer emergência.

2. Limpe o seu carro
Seguindo o princípio da limpeza, dê um trato no seu possante – principalmente, no interior. Tire roupas sujas, sapatos velhos, lixo, restos de comida e outros itens que denunciem a sua falta de higiene. Nem preciso lembrar para você prestar atenção em camisinhas (usadas ou não), recadinhos amorosos, roupas íntimas e brincos alheios, né? Ah, bom...

3. Apague queimações de filme em redes sociais
Não tem jeito, nossa vida está na Internet e as redes sociais podem conspirar a favor ou contra. Se você tiver um perfil no Orkut ou no Facebook, sua situação é delicada. Deixa de ser mané e saia de comunidades do tipo "Namorada boa é namorada corna", "Eu boto chifre", "Eu tomo cachaça no café da manhã" e afins. Aproveite o embalo e apague esporros de outras mulheres ou declarações negativas. Aqueles recados fofinhos podem ser mantidos para efeitos de marketing. Fêmeas são competitivas e gostam de puxar o tapete das concorrentes.

4. Vista-se adequadamente
A escolha do pano que você vai usar é importante. Atente ao estilo da sua musa e ao local escolhido para o encontro. Se vocês combinaram uma noite no Buraco da Lacraia, não cai bem o figurino mauricinho. Por outro lado, se a opção foi pelo Antiquarius, pense duas vezes antes de usar aquele jeans mulambento, aquela camisa desbotada do Iron Maiden e o All Star velho de guerra. Se você tiver dúvidas, faça como eu: peça ajuda a uma mulher (preferencialmente, uma que não lhe desperte segundas intenções). Elas têm o feeling.

5. Cuidado com os assuntos escolhidos
Veja bem: você está sendo analisado. A escolha dos assuntos é determinante na manutenção do interesse dela. Sendo assim, evite fazer piadas machistas, esculhambar (ou elogiar demais) a sua ex-namorada, falar que nem um papagaio e criticar tudo. E, pelamordedeus, não conte as desgraças do seu passado, não comente a sua preferência por sexo bizarro e não revele a sua predileção pelo cinema pornô da Suécia.

6. Escolha um local de acordo com as suas possibilidades financeiras
Pelo capítulo 2, parágrafo 4, versículo 8 e linha 2 do Manual do Primeiro Encontro dos Seres Humanos, é de bom tom que o macho se ofereça para pagar a conta. No caso, você. Entendeu? Assim, opte por um estabelecimento dentro da sua verba, mas que não seja um pé-sujo ou o dogão cavernoso da saída do baile funk. Lembre-se: é feião você ir a um restaurante fino e sugerir que ambos rachem uma salada verde com água mineral (sem gás). Se ela se oferecer para pagar, agradeça, mas negue. Se ela insistir, é charminho. Se ela insistir muito, sugira que esta gentileza seja usada em um próximo encontro. Ah, essa é boa, hein?

7. Evite olhar bundas alheias
Concentre-se, garoto! Durante o encontro, mantenha os seus olhos de caçador na presa, isto é, ela. Nada de ficar olhando outras mulheres. Fazer ruídos animalescos, então, nem pensar. Também seja discreto ao olhar o decote da sua acompanhante. Não me racha a cara de vergonha.

8. Na hora do vamo-ver
Se você se comportou direitinho e fez tudo certo, a moça vai lhe conceder algumas bitocas. Demonstre pegada, mas sem exagero. Atenção para os "três nãos": 1. No carro, não force o kekete, empurrando a cabeça dela para a sua linha de cintura, 2. Não sugira logo uma passadinha no motel, 3. Não troque o nome da infeliz. A melhor atitude é deixá-la no comando. Ela dita o ritmo e conduz as ações.

9. Risque do seu vocabulário algumas frases
Haja o que houver, jamais fale: "tá um pitéu, hein, nêm?", "tu não é blitz da Lei Seca, mas tá fechando o trânsito", "estou amarradão. Não saio com uma mulher há uns dois anos", "que legal. Depois podemos jogar Playstation lá em casa", "vou levar deixar o meu celular ligado, pois um dos meus sete filhos pode me ligar", "este é o meu primeiro encontro heterossexual", "ó, comprei umas vinte camisinhas. Tem uma que até canta". Enfim, você entendeu, não?

10. Seja sincero
Ao deixar a moça em seu domicílio, cuidado com as suas promessas. Se prometer ligar no dia seguinte, ligue. Se prometer um novo convite, faça-o. Meu camarada, evite juras de amor eterno, declarações de amor à primeira vista, planos para um futuro a dois e outras presepadas de quem quer comer logo. Por mais tapadinha que seja a sua dama, certas conversas não enganam nem a mais retardada

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, você anda muito confiante sobre as suas técnicas ninjas de acasalamento. São regrinhas aqui, dicas acolá. Todo cheio dos mi-mi-mis. Daqui a pouco vai escrever um livro pela Editora Sextante e figurar nas prateleiras das Lojas Americanas Express. Entonces, como todos sabem, He-Man dispensa listas, pois é o ser mais farpado e pegador do Universo - Teela, Feiticeira e até a Maligna não me deixam mentir. Meu tronco definido e minha franjinha loira são ímãs para o sexo oposto. Saca as beatlemaníacas enlouquecidas e descabeladas? Esse é o efeito que causo sendo apenas um. Eu sou o Fab One e assim como o Bruno está se lixando para a torcida do Flamengo, eu não estou nem aí para a sua lista. Espero que dê um help aos meros mortais. Amiguinho, Twitter não é msn. Até a próxima!!!

sábado, 15 de maio de 2010

O meu sangue ferve por você

Tenho um amigo baixista de banda de rock que curtia N'Sync e Britney Spears. Um outro camarada tem vinte e poucos anos e é devoto do Roberto Carlos. Mais surreal é um grande amigo, lutador de jiu-jitsu casca-grossa, que era tão fã de Sandy e Júnior que viajou até São Paulo para ver um show e ainda foi fotografado com uma faixa da dupla na testa. Onde quero chegar com essa queimação de filme alheia? Simples. Praticamente, todos gostam de algum som ligeiramente vergonhoso. Veja o meu caso: eu confesso que me amarro no Sidney Magal.

Para começar, acho comovente um sex-symbol dos anos 1970 e 1980 se chamar Sidney. Convenhamos, Sidney não é nome de muso. Magal, então é triste. Mas contrariando a lógica, o danado fazia as suas mães sentirem arrepios do cóccix ao pescoço e criou o estilo cigano-taradão.

Bom, admito que de uns anos para cá, Mestre Magal anda meio esquisitão. Deve ser a idade...

Sidney Magal é visceral quando canta o amor, colega. Na imortal "O Meu Sangue Ferve por Você", o sujeito puxa o sentimento lá das entranhas. A introdução da música é baixa, mas firme. É o princípio de uma avalanche: "Teu! / Todo teu / Minha! / Toda minha / Juntos essa noite / Quero te dar todo meu amor...". Depois vem o grito de paixão quase primitivo: "Oooohhhh! / Eu te amo! / Oooohhhh! / Eu te amo, meu amor / Oooohhhh! / Eu te amo! / E o meu sangue ferve / Por você...".

E Magalzão não tem dor de corno. Se a mulher amada sair da linha e pular a cerca, a ameaça é de morte: "Se te agarro com outro / Te mato! / Te mando algumas flores / E depois escapo". Já em outro sucesso, "Dos Meus Braços Tu Não Saíras", o recado é o mesmo: "Não, não, não, amor / Dos meus braços tu não sairás / Se tentares me abandonar, / Nem sei de que serei capaz". Politicamente correto é o escambau! O cantor manda o papo reto sem indiretas ou metáforas.

Se exige a fidelidade, Magal retribui com pegada. "Tenho! Um mundo de sensações / Um mundo de vibrações / Que posso te oferecer / Tenho! Ternura para brindar-te / Carícias para entregar-te / Meu corpo prá te aquecer". Ao mesmo tempo, outro clássico do seu cancioneiro revela sua veia boêmia e autenticamente cafajeste: "Sou, como você já sabe, Amante Latino / Eu gosto das mulheres da noite e do vinho". Porém, no verso seguinte, ele amolece e cede ao amor por sua musa: "Mas se você me quiser, te levo comigo / E para toda a vida te dou meu abrigo".

Acho que foi em "Amante Latino" que o Sidney lançou o visual cigano-taradão-com-camisa-aberta-e-calça-colada.

Falando nessa fase cigana, o hit maior é a inesquecível "Sandra Rosa Madalena", que apresenta uma dançarina lasciva e sexy. Sidney fica babando pela morena, que foge ao clichê da musa doce e delicada. Sandra é uma mulher do povo! "Ela é bonita, seus cabelos muito negros / E o seu corpo faz meu corpo delirar / O seu olhar desperta em mim uma vontade / De enlouquecer, de me perder, de me entregar / Quando ela dança todo mundo se agita / E o povo grita o seu nome sem parar / É a cigana Sandra Rosa Madalena / É a mulher com quem eu vivo a sonhar".

Pois é, Mestre Magal é o som de gosto duvidoso que, volta e meia, aparece no meu CD-Player e faz com que eu perca linha em festas de casamento - com direito a flor entre os dentes e tudo.

PS. Confissões: quando era pequeno, eu vi "Amante Latino" no cinema. Entrei achando que era um filme dos Trapalhões. Não lembro do filme, mas recordo que achei muito estranho aquele monte de gente dançado em volta da fogueira e o Didi que não aparecia nunca. Ah, o cara da foto sou eu, depois de alguns copos de Red Label, em performance Magal.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, foto sua? Não tenho comentários ou lição. Estou estarrecido com esta sua manifestação Robert. Tenho compromisso agora e não vou longar o blablabla. Vamos ao encerramento: amiguinho, quando disser "eu te amo", seja sincero. Até a próxima!!!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Manual do acanhado

Eis um tema facinho de desenvolver, pois a carapuça serve na medida para este que vos escreve. Bom, hoje em dia já domei a timidez até um ponto saudável, mas houve um tempo em que ficar diante de uma mulher gerava uma cacetada de efeitos colaterais: pernas bambas, boca seca, gagueira, mãos trêmulas e por aí vai.

Mas, no fim das contas, não é que acabava agradando? Bibi tem razão quando menciona o charme dos tímidos. Só faço uma ressalva: tudo tem seu limite. Por mais que a impressão seja bacana, a mulherada também espera atitude dos moços – introvertidos ou descolados. Falo por experiência própria. Nessa hora, o sujeito deve dominar seus medos e receios e cair dentro. Claro que isso não acontece da noite para o dia, mas e daí? A graça fica justamente nas pequenas vitórias.

Para facilitar o processo, pesquisei aqui e ali (entre aventuras pessoais e papos com amigos e amigas) e me atrevo a formular os Dez Mandamentos do Tímido Engajado. Ei-los:

1. Não ficarás mudo - Meu caro, mostre sua voz. Mulheres gostam de falar, mas também cansam e é nessa hora que você entra.

2. Não falarás demais - Esta complementa a dica anterior. Fale, mas ouça em proporção dobrada. Mocinhas buscam caras atenciosos e isto quebra o seu galho perfeitamente.

3. Fugirás do rótulo de amigo – Se você quiser entrar numa de amiguinho, vai entrar pelo cano. O amiguinho não vai pegar a mulher que deseja.

4. Jamais farás tipo – Se a moça está te dando bola é porque gostou de ti, então não inventa moda sobre você mesmo. Seja autêntico ou você fará o tipo otário.

5. Assumirás tua timidez - Caso você tropece nas palavras, gagueje ou comece a suar frio, confessa a sua situação. Aposto que você somará pontos pela honestidade e ela achará um charme.

6. Evitarás movimentos bruscos - Meu caro acanhado, evite gesticular como um italiano. Você pode se empolgar e derrubar a taça de vinho no vestido novo dela ou acertar uma bordoada involuntária no nariz da pretendente. Aí sim, será a morte!

7. Não usarás cantadas velhas – O que funcionou com seu avô pode não funcionar com sua tchutchuca. Seja original e lembre-se do 4º Mandamento.

8. Mostrarás que tens pegada – Se mesmo diante da sua timidez, a mocinha resolveu te dar uns beijos, você precisa mostrar a que veio. Aperte a guria para que ela sinta que você tem punch. Mostre que você é acanhado, mas não é lerdo! Mas, vá com calma: pediu para parar, parou!

9. Exercitarás o olhar – Essa dica exige treinamento. Quando estiverem conversando, concentre-se nos olhos dela. Evite ficar olhando para o chão, para o teto ou para qualquer ponto que não seja as pupilas da guria (isso inclui o decote sensacional que ela está usando). Penetre-a com o olhar.

10. Terás sempre o pensamento positivo – A timidez é um dragão que é abatido aos poucos. Procure perceber os seus progressos e fique feliz com eles. Aos poucos, você se sentirá mais seguro e suas ações corresponderão aos avanços.

Ah, e nunca se esqueça das sábias palavras de Leoni: ""garotos como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos".

PS. Este texto foi originalmente publicado pelo Surfista Platinado no Caixa Preta em 2007. Como a coluna foi extinta, resolvi resgatar algumas ideias. Ah, neste período, Bibi (do blog Solteiras no Rio de Janeiro) foi minha companheira de textos. Hoje em dia, ela não está mais solteira e se dedica ao twitter com igual talento.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN? (INÉDITO)
Amiguinho, que bonitinho. Os bons filhos à casa tornam. Fico amarradão em reencontrar textos que ganharam o mundo (virtual) de volta ao seu berço. Vou te dar uma moral antes de revelar que desconfio de uma preguiça lazarenta em seu ser. Bom, comentar lista é fogo até mesmo para o ultracabeçudo He-Man, porque cada um tem a sua e sempre haverá alguém para questionar. É assim com a lista de convocados para a Copa, lista de compras, ranking das maiores torcidas do Brasil e por aí vai. Então, He-Man ficará enchendo liguiça até achar que pertubou o suficiente. Bom, já achei. Amiguinho, doar as roupas que você não usará mais demonstra muito altruísmo. Até a próxima!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

A capa da Playboy

Pequenas polêmicas de mesa de bar rendem pauta. Particularmente, acho que três ou quatro rodadas de chope são sementes para as melhores inspirações deste blog.

Era uma vez...

Papo vem, papo vai, sabe-se lá de onde surgiu o comentário:

EU: Lindinha, você se formou em relações internacionais. Deveria seguir carreira de assessora parlamentar em Brasília.

ELA: Gostei da ideia.

EU: E na pior das hipóteses, pode virar musa da capital federal e posar para a Playboy. Lembra da Mônica Veloso?

ELA: Tá maluco?

AMIGO: É sempre um plano B.

AMIGA (NAMORADA DO AMIGO): Não vejo problema. Você é bonita, novinha e tá com tudo em cima.

ELA: Vocês estão falando sério? Nem pensar.

AMIGA: Nem um Paparazzo? Paparazzo é charmoso. Rola só um peitinho discreto e uns biquinis atochados em preto e branco. Eu posaria.

AMIGO: Pois é, e ainda tem aquele Photoshop maroto para corrigir as pequenas imperfeições.

EU: Eu gerencio o projeto e fico com uma módica comissão de 20%.

ELA: Não acredito no que estou ouvindo. Alguém perguntou se eu posaria pelada para a Playboy, a Sexy ou o Paparazzo?

EU: Estranho seria se topasse para a revista do Globo Rural.

A conversa se estendeu por mais algum tempo – mais precisamente até a próxima rodada de cerveja. Daí para frente, a gente passou a debater o BBB, a política de direitos humanos na China e a influência direta dos celulares wifi no crescimento de arroz no Vietnã.

Mas ficou a questão: você deixaria a sua mulher posar para a Playboy?

E você, mocinha com corpo maneiro e autoestima em dia, toparia ser clicada em trajes sumários – ou sem eles?

Provocações à parte, eu pensaria "mulher minha pelada na parede de mecânico? Nem por um decreto". Aí vem aquele diabinho no ouvido: "pensa na moral de falar para a cuecada toda que você está pegando a capa da Playboy. É que nem Mastercad, não tem preço". Sob o ponto de vista feminino, o capetinha usaria um argumento mais assertivo: "R$ 600.000,00 + cachê rechonchudo para mostrar sua bela cútis em algumas festas e eventos badalados. Vai?".

Vamos combinar, 600 mil dinheiros fazem qualquer moça reavaliar seus conceitos sobre a dita nudez artística.

E você aí do outro lado da tela? O que você acha? Posaria? Deixaria posar?


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, bêbado é uma desgraça. Não pode tomar uns gorós além a mais e já começa ter ideias estapafúrdias. Ih, é a primeira vez que escrevo "estapafúrdias". He-Man é realmente um oceano incomensurável de palavras – um ás da língua (entenda como quiser). Ah, o tema? Claro, claro. Cada um com o seu cada um e com os seus valores. Tem gurias que ficam sem roupas rapidinho e sem receber um centavo por isso. Outras, porém, podem se sentir seduzidas pelos encantos do vil metal. Que seja. Cada um com o seu preço. E se serve de consolo, os holofotes só ficam sobre a modelo da capa durante 30 dias. No mês seguinte, outra donzela assume o lugar nas prateleiras das bancas. Bom, a menos que a sua edição seja um fracasso de vendas, que nem umas e outras que se aventuraram recentemente. Aí você vira chacota e pauta para o programa do Leão Lobo. Amiguinho, não jogue chiclete no chão. Dá uma raiva filha-da-%#¨$%¨% quando se pisa em um chiclete. Até a próxima!!!

PS: Taí um texto que vai bombar nas buscas do Google. Vou colocar mais lenha na fogueira: mulher pelada, capa da Playboy, bunda, Paparazzo, peitão, sacanagem, nua, estrela. Tá bom, né?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Como perder uma garota com apenas uma pergunta

Sou o que chamam de internet heavy user. Tenho Orkut, blog, MSN, twitter, Facebook, LinkedIn, gmail, hotmail e yahoo. Também conheço ferramentas de pesquisa, editores de conteúdo online, medidores de audiência, HTML, plano de navegação, gírias e jargões do ambiente web. Vou colocar o meu currículo em seguida? Não. Só contei esses detalhes para reforçar que, mesmo tão inserido na matrix, sou 100% devoto das relações reais. Tipo olho no olho (sem web cam), sacou? Eu penso assim e Adélia, a foliã que duplicava gente no carnaval mineiro, também.

Bom, Adélia, lépida e faceira, foi bater perna em São Paulo. Aliás, ao contrário da maioria das fêmeas normais, para a nossa heroína "bater perna em São Paulo" significa passear em alguns dos inúmeros pontos culturais da cidade. Fazer compras e dar um pulinho na 25 de Março não estavam no roteiro.

Adélia ficou hospedada em um hotel e percebeu uma certa movimentação no saguão. O recepcionista informou que se tratava de um congresso de comunicação em andamento. Como o mundo se resume a um ovo de codorna (e esse povo de comunicação é uma tribo que se esbarra em qualquer canto do planeta), a carioca encontrou a namorada de um amigo no grupo.

Ah, que surpresa. Dois beijinhos. Você por aqui. Pois é. Como estão as coisas? Tudo legal. Blablabla.

A namorada-do-amigo estaca acompanhada de outros rapazes. Segundo Adélia, alguns até interessantes. Um deles puxou assunto.

- Você é do Rio?

- Sou.

- Veio passear?

- Isso mesmo.

- São Paulo é ótima. Você vai conhecer vários lugares da hora.

Glossário: Da hora = maneiro, legal, bacana, supimpa, u-huu.

- Eu sei.

- Qual o seu @ mesmo?

- Hã?

Pausa de três segundos. Que raio de pergunta foi essa? Seria uma gíria em Sampa?

- Seu @, seu twitter.

- Ahhhhhhhh... não tenho. Odeio internet.

Adélia mentiu. Ela é tão heavy user quanto eu, mas ficou indignada com a pergunta. O cara bonitinho não se interessou pelo seu nome. Perguntou o seu twitter e isso soou muito preocupante. Ela imaginou o cara se lambuzando com mel em frente a uma webcam.

Eca!


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, Adélia se deparou com um nerd em escala altíssima. Não ria, não, Surfista, pois você joga nesse time também. Tira onda de atleta, mas tem um nerdzinho preso no seu peito e querendo se mostrar para o mundo. Eu sei. Ah, e esse encontro surreal é um sinal de como as relações estão cada vez mais codificadas. Como Mestre do Universo e PhD em sociologia eterniada, He-Man sabe o nó que essa vida dupla (real e virtual) pode dar um nó na cabeça das pessoas. Pode ser uma questão de "sentir-se seguro" no ambiente web ou meramente um reflexo do quanto é natural ter uma persona @. Por essas e outras, He-Man não tem twitter. Se você encontrar algum, é fake. Amiguinho, não acredite em pastas de dente milagrosamente clareadoras e shampoos que prometem deixar os seus cabelos como os da Ivete Sangalo. Até a próxima!!!

Liga retrô

Muita gente tem pavor de ser chamada de saudosista. Verdadeiro pânico. Eu não. Particularmente, eu curto este sentimento tão latino: a saudade. Ora, só sentimos falta do que foi bom. Não conheço viv'alma que lembre com carinho de uma perna quebrada ou da morte da avó.

Mais do que a saudade das passagens marcantes na vida de cada um, considero fascinante como certos momentos unem tanta gente. E poucos fatos unem tantos quanto os esportivos. Ah, o que seria das nossas segundas-feiras sem o jogo de domingo? Mais do que pauta, o esporte é retrato de toda virtude e mazela que configura o ser humano – da corrupção à superação.

Por exemplo, eu sinto saudade do Chicago Bulls dos anos 1990. Melhor dizendo, eu sinto falta das partidas do Michael Jordan pedalando sobre uma passarela invisível antes da enterrada. Ou então, do raciocínio na velocidade da luz, a precisão do arqueiro zen e da frieza de cirurgião antes do arremate nos últimos segundos. Para ele, o relógio sempre foi cúmplice.

Mais perto de nós, eu sinto saudade daquela seleção de basquete liderada pela Hortência e pela Paula. Sinto saudade do Oscar. Sem qualquer cerimônia, o time masculino brasileiro invadiu a corte norte-americana em Indianápolis e os derrotou no seu jogo mais querido. Mal e porcamente comparando, é como se a equipe da Etiópia passasse o rodo em Kaká, Luis Fabiano, Robinho e companhia em pleno Maracanã lotado.

E falando em Maracanã...

Ainda me arrepio só de lembrar daquela falta marcada aos 43 minutos do segundo tempo da decisão do campeonato carioca. Petkovic chutou aquela bola em 2001, mas o grito de gol ecoa até hoje. Assim como ainda tremo ao lembrar do gol de barriga do tricolor Renato Gaúcho, da cabeçada matadora do alvinegro Maurício ou da finalização indefensável do cruzmaltino Cocada.

Eu sinto saudade do futebol do Zico, do Dinamite, do Maradona, do Romário, do Batistuta e de tantos outros que viraram figurinha nos álbuns da Copa. Lembro também de craques que não botaram a bola na rede. Quem? Gustavo Kuerten. Putz, o garoto tirou o tênis dos clubes endinheirados e o instalou nas mesas de bar. O povo passou a discutir o técnico novo do Corinthians e a chave de Roland Garros.

Eu sinto saudade das Olimpíadas de Barcelona 1992. Lembro do arqueiro que acendeu a tocha com uma flecha de fogo. Dizem que ele errou. E também lembro da bola incendiária de Marcelo Negrão, que garantiu a medalha de ouro do nosso vôlei e vingou a geração de Bernard e Montanaro. Mais democrático, o vôlei abraçou a mulherada com uma geração que protagonizou confrontos épicos contra a Cuba. Só não rolava dedo no olho porque tinha uma rede entre Márcia Fu e Regla Torres. Hoje em dia, Cuba não é mais o bicho-papão. Ficou apenas a saudade do nosso vilão favorito. Uma sensação semelhante a que sentimos pelo Darth Vader... ou pelo Alain Prost.

No limite da chatice de velho, a Fórmula 1 de antigamente era muito mais divertida. Era dever cívico acordar cedo em pleno domingo para ver os pegas entre Ayrton Senna, Alain Prost, Nelson Piquet e Nigel Mansell (com aquele bigodão de Freddie Mercury). Depois deles, Schumacher brilhou sozinho e tivemos que aturar o Rubinho por anos a fio.

Tanta coisa óbvia (outras nem tanto) para se sentir falta no esporte. E acho que a nossa geração é muito feliz com as suas lembranças. Meus pais não têm muitas imagens de gols, pontos ou cestas dos ídolos de 1970 ou 1960. São raras imagens sem cor e embaçadas. Nós temos acesso fácil. Basta colocar no youtube o nome do ídolo a qualquer momento. É tão fácil ser nostálgico, que acaba sendo banal. É como foto digital. Antigamente, foto era um evento. Hoje em dia, qualquer celular faz uns 200 retratos com uma resolução bacaninha.

Saudosista? Sim. Romântico? Pra cacete! Aposto que você também tem lembranças esportivas (e afetivas). Divida uma com a gente.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que sentimental. Está na crise dos 30? Daqui a pouco, você resgata os discos do Sergio Mallandro na Oradukapeta. Aliás, a Porta dos Desesperados ainda é um clássico incomparável da TV brasileira. Pronto, já dei a dica para um próximo texto. Enfim, He-Man será curto, grosso, incisivo e paulocoelhiano em sua explanação: conhecer o passado nos ajuda a ver melhor o futuro, mas quem vive de passado é museu e sala de troféus do América FC. Captou ou quer que eu desenhe com legendas coloridas? Amiguinho, evite usar canetas esferográficas abertas no bolso da camisa. Você pode manchar o tecido. Até a próxima!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Diários de bicicleta

Há cinco meses, eu estava na mesa de cirurgia arrumando o menisco e os ligamentos do joelho esquerdo. Tudo deu certo, mas ainda estou vetado de corridas, futebol e jiu-jitsu. O que sobrou: a bike velha de guerra.

Minha antiga bicicleta estava perdida em algum lugar do porão do prédio dos meus pais. A primeira missão era encontrá-la e torcer para que ela não tivesse sido devorada por ratos, traças, aranhas, ferrugem e outras pragas. Quase que milagrosamente, a magrela estava inteirinha, aguardando ver a luz do sol novamente.

Beleza! Então, entrei na fase do planejamento: como capturar a bike e voltar pedalando até o meu prédio. Analisei o trânsito da Barra da Tijuca, as ciclovias, a previsão do tempo e a melhor rota. Passei até no Google Maps para saber a distância exata – 7,4 km.

Moleza!

Ao fim de uma tarde de tempo nublado e temperatura amena, fui salvar a velha companheira de pedaladas. Escolhi o fim do dia por causa da segurança: com a hora do rush, as vias estariam engarrafadas e eu correria menos riscos de ser atropelado por uma Kombi da linha Barrashopping – Cidade de Deus. Calibrei os seus pneus, verifiquei se tudo estava inteiro e me lancei ao caminho.

Quinze minutos depois, eu já estava com a língua batendo no peito, o joelho esquerdo doendo pra cacete e a camisa o Flamengo encharcada de suor. Meu lendário preparo físico se escafedeu. A ciclovia estava detonada e o passeio suave se tornou uma réplica urbana do rally dos sertões.

Para piorar, a bicicleta começou a fazer uns barulhos esquisitos. Tive a impressão de que ela iria se desfazer. Quase na metade do trajeto, percebi que o pneu de trás havia murchado e não havia um mísero posto de gasolina por perto. O esforço físico aumentou, mas decidi prosseguir assim mesmo. Poderia ser pior. Poderia chover, mas a meteorologia garantiu tempo bom.

Kabrooooooooooommmmmmmmmm!!!

Começou a chover.

Climatempo filho da...

Faltando uns três quilômetros, a ciclovia acabou. Sobrou apenas a calçada, que ainda não havia sido pavimentada. Com a chuva, a terra batida virou lama e eu parecia um piloto de MotoCross. Pelo menos, o joelho consertado parou de doer.

Lembra do tal planejamento e a escolha pelo fim do dia para pegar o trânsito lento, engarrafamentos e blábláblá? Pois nesse dia, o Rio de Janeiro teve o melhor trânsito desde que as carruagens da Corte de Portugal trafegavam pela cidade. Os carros zumbiam nos meus ouvidos como se tivessem saído de Need for Speed – Underground 2.

A missão de fazer algum exercício no joelho e dar uma voltinha com a bicicleta velha ganhou um objetivo muito maior: chegar vivo em casa.

Quase duas horas depois de ter saído do prédio dos meus pais, cheguei em casa. Eu estava imundo, dolorido, exausto e furioso com a previsão do tempo. A bicicleta? Guardei na masmorra do meu prédio. Vai ficar de castigo por um bom tempo.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você é patético! Fica reclamando do passeio na chuva e esquece de que o seu joelho dodói nem doeu tanto assim. E quanto à bicicleta, bem feito! Quem mandou ser muquirana. Quebra o cofrinho e compra uma bike nova no crediário, pô! Amiguinho, fique de olho no vencimento das suas contas. Pagar juros é um pé no saco. Até a próxima!!!

Ossos do ofício

Lá pelos 13 ou 14 anos de idade, descobri os tais filmes de saliência. Assim como eu, a molecada da rua também se interessou em descobrir mais sobre as produções de vuco-vuco. Uma das programações preferidas da turma de adolescentes espinhentos (incluindo algumas amiguinhas que se aventuravam a nos fazer companhia) era assistir alguns filminhos em grupo – com direito a debate e comentários sobre os melhores momentos.

Era como se fosse uma mesa redonda de futebol, mas dedicada às produções de sacanagem. A diferença é que neste caso a bola nunca entrava.

- Ser ator pornô deve ser o melhor trabalho do mundo – comentou um dos meninos.

A nossa base de análise eram sempre as produções americanas cheias de loiras peitudas, magrinhas, com cabelos armados e franjas esquisitas. Era uma carreira artística que dispensava anos de estudos das artes cênicas. Pois é, isso realmente despertava os nossos pensamentos e parecia um bom plano de carreira: comer várias garotas e ainda ser paago por isso.

O tempo passou, eu cresci e cheguei à conclusão de que não seria um emprego tão maneiro assim por alguns fatores:

Fator muvuca: imagina você ter que acasalar cercado por uma pequena multidão: tem operadores de câmeras, iluminadores, contra-regras, fotógrafos, maquiadores, diretores, assistentes, produtores e, se bobear, até estagiários. Toda equipe tem estagiário. Por que uma equipe de produção de filme de safadeza não teria um? Acho até mais adequado que um figurinista.

Fator diretor: você está lá se concentrando para botar as mãos à obra (bom, não necessariamente as mãos) e tem um desgraçado dando pitacos. "Levanta a perna", "revira os olhinhos, meu bem", "pára, pára, que vou fazer um close", "tá faltando amor nesta cena. Vamos fazer de novo". Ah, vá para o inferno, pô!!!

Fator inesperado: uma coisa é contracenar com loiras americanas de busto avantajado. Outra coisa é o cast nacional. Já pensou em chegar para trabalhar e o diretor impiedoso informar "hoje você vai trabalhar com a Rita Cadilac"? Ou pior "hoje você vai trabalhar com a Gretchen". Ok, ok... mas dá para tomar umas pílulas antes?

Vamos combinar, é muito engraçado usar o termo contracenar no ambiente dos filmes eróticos.

Fator frustração: a atriz está urrando de prazer e você se sente o imperador dos orgasmos múltiplos. De repente, o diretor (ele, de novo) grita "corta!". A moça se desatarracha, veste um roupão e vai tomar um cafezinho enquanto lê a revista Caras. Ué, cadê o frenesi? Cadê aquela reação enlouquecida? Neste meio, você tem que saber lidar com o faz de conta e ficar numa boa. Bom, pelo menos não há ilusão. Ou tu vai me dizer que uma mulher nunca simulou contigo? Sei, sei...

Fator vergonha: o jantar de Natal está preparado e a sua tia lá do Tocantins vem te ver depois de muitos e muitos anos. "Você está trabalhando com o quê, meu filho?". "Então, tia, sou ator". "É mesmo? Que novela você fez?". "Não faço TV. Só cinema de tarja preta". "Como assim? Filmes sobre drogas?". "Não, tia, filme de sacanagem mesmo". E o pior: como arrumar uma namorada compreensiva e liberal?

E você, encararia este emprego?

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que história é esse de vários adolescentes juntos vendo filmes de saliência? Hmmmm, que estranho. Enfim, cada profissão tem seus prós e contras. O ofício do ator pornô não é diferente. He-Man, com seu corpo invejado e seu sex-appeal inconfundível, já recebeu vários convites para estrelar uma produção dessas, mas recusou a todos. Sabe como é, né? Depois da espada de Greyskull, a indústria cinematográfica jamais seria a mesma. Amiguinho, evite várias tomadas ligadas em um mesmo benjamin. Até a próxima!!!