segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A repórter inocente e o matador de noivas

Eu trabalho com uma equipe de comunicação em uma campanha política. Enquanto eu fico produzindo ações via web, uma parte do time vai a campo coletar informações. Diariamente, eles andam uma enormidade e voltam exaustos ao fim do dia. Dia desses, presenciei uma conversa sinistra com conclusão ainda mais assustadora. M. Night Shyamalan perde. Foi mais ou menos assim:

REPÓRTER: Ui, estou exausta. A gente anda muito. Ainda bem que Estácio me deixou descansar no carro dele...

FOTÓGRAFO: O Estácio? O motorista da van?

REPÓRTER: Sim, por quê?

FOTÓGRAFO: Ah, meu Jesus...

REPÓRTER: O que tem o Estácio?

FOTÓGRAFO: Você se aventurou hoje, menina.

REPÓRTER: Como assim? Me conta isso.

FOTÓGRAFO: Melhor não.

REPÓRTER: Conta logo.

FOTÓGRAFO: Que fique só entre nós, tá? É que ele degolou a noiva. Todo mundo sabe, mas nunca acharam provas. Ficou por isso mesmo.

REPÓRTER: Mentira!

FOTÓGRAFO: Tô te falando. Você duvida? Peraí. Ô, piloto, chega aqui.

Entrou na sala o segundo motorista.

REPÓRTER: Ela não acredita na história do Estácio e a noiva.

MOTORISTA: Qual história?

FOTÓGRAFO: Da noiva dele.

MOTORISTA: A que ele matou?

REPÓRTER: Ai, meu Pai...

MOTORISTA: Ele estrangulou a mulher.

REPÓRTER: Não tinha degolado?

MOTORISTA: Degolou depois de estrangular. Foi para garantir.

A repórter ficou mais branca do que já era.

FOTÓGRAFO: Você correu um risco muito grande.

REPÓRTER: Gente, tô com medo.

MOTORISTA: Precisa não. Fica perto da gente que tudo fica tranquilo.

Neste momento, alguém chamou a repórter apavorada em outra sala. Ela saiu. O Fotógrafo e o Motorista ficaram. Eu ouvia a história bizarra atento, mas sem dizer nada. De repente, tocou o telefone do Motorista.

MOTORISTA: Alô! Oi, sou eu. Sim, vou encontrar com ele daqui a pouco. Sim, eu dou o recado. Tá bom. De nada. Beijo. Tchau.

FOTÓGRAFO: Já é para a gente sair de novo?

MOTORISTA: Não. É a noiva do Estácio. Ele tá com o celular desligado e ela quer falar com ele. Pediu para a gente dar o recado. Depois tu me lembra?

FOTÓGRAFO: Pode deixar. E a repórter? A gente conta para ela?

MOTORISTA: Depois. Vamos deixar ela ficar com medo do Estácio por alguns dias.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que coisa feia. Pregar peças nos coleguinhas de batente. Ai, ai, ai. Isso é muito feio. Fico impressionando como malandro tem sintonia e criatividade na hora de sacanear terceiros. A repórter também foi muito inocente. Caiu na história muito fácil. A lição é simples: jamais acredite em histórias dantescas demais em um primeiro momento. Apure o fato antes de tomar conclusões. Essa moral foi mole demais. Assim, He-Man fica entediado. Amiguinho, limpe bem os pés antes de entrar na sua casa ou na de outras pessoas. Até a próxima!!!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quer ser meu amigo?

Vamos combinar uma coisa: de uns tempos para cá, as redes sociais se tornaram mais que vitrines dos indivíduos. Elas se tornaram registros dos sonhos e aspirações de milhões de pessoas. Olha, caberia até uma tese de sociologia ou antropologia sobre o assunto, mas eu prefiro me ater ao ângulo tosco deste comportamento. Ao trabalhar diretamente com análises e ações de marketing voltadas para orkuts e facebooks, descobri que esse pequeno universo reserva um manancial de bizarrices.

Sim, pois desde que as Casas Bahia facilitaram a compra dos computadores em 783 prestações sem juros e as lan houses se multiplicaram pelo Brasil, a web caiu no gosto do povão. Só que os PCs Positivos não têm um aplicativo para o bom senso. Diante deste cenário, pensei em algumas dicas rápidas para evitar que usuários incautos sejam ruborizados por uma irresistível onda de vergonha alheia.

1. Eu na PQP!!!
:: O perfil é seu, né? As fotos são suas, correto? Então por que diabos publicar fotos com legendas do naipe "Eu no Maracanã", "Eu em Cachoeira de Macacu", "Eu na padaria", "Eu na Rua Augusta"?
:: Seja coerente, pelamordedeus! Se você faz uma foto na piscina e coloca "eu na praia", a pessoa do outro lado da telinha vai achar que você é esquizofrênico.

2. A sereia da pedreira e o Capitão Caverna
:: Se você quiser exibir o seu corpitcho, tenha certeza da sua boa forma. Não estampe no seu avatar uma pança de mamute, dobrinhas de um boneco da Michelin ou o quadril em forma de lâmpada. E visual bicho-peludo-Tony-Ramos-primo-It, nem pensar! Em resumo, fotos sem roupa, só se estiver com a academia em dia. Faz foto vestidinho mesmo que fica muito bonito, viu?

3. Gisele Bündchen wannabe
:: Se rolar aquela vontade de fazer um book amador, seja prudente. Poses, caras e bocas devem ser apreciadas com moderação ou você, amiga leitora, poderá cair em um dos milhões de sites de sacanagem com fotos garfadas em redes sociais. Pense duas vezes antes de posar de quatro, com bumbum empinado e dedinho na boca. Entretanto, se você quiser disputar uma vaga entre as dançarinas da Gaiola das Popozudas, vai fundo e me passa o link!
:: Preste atenção nas locações escolhidas. Fazer beicinho de Gisele Bündchen na laje do barraco é desaconselhável. Outra dica é dar uma geral o seu "estúdio", tirando calcinhas penduradas, roupa espalhada e uma garrafa de Guaraná Pakera, que pouco agrega à cenografia. Ah, dá uma olhada na locação e evite fotografar na obra, ao lado de paredes infiltradas, pintura descascando etc.

4. Maldito português "difíssiu"!!!
:: Como diz um dos mandamentos, "não assassinarás (o português)". Não existe "que eu seje" ou "que eu esteje". Exceção se escreve assim. "Mim" não faz nada, pois "mim" não conjuga verbo. "Ansioso" é com "s", pois a palavra primitiva é "ânsia". "Concerteza" e "derrepente" não constam no Aurélio.

5. As diferentes formas de chamar a atenção
:: Se você se chama Luziwanda, por que usar mil símbolos? ¥¥ £uzi₩@nd@ ¥¥ ??? Olha, seu nome não vai ficar mais maneiro com esses caracteres. Lamento!
:: Eu acredito que a pessoa que envia zilhões de recados animados (flashes, gifs e outros breguetes) para TODA a sua lista de amigos deveria pagar cestas básicas a uma instituição de caridade por seis meses. Eis um bom projeto de lei!

6. Johnny Bravo em ação!
:: Que ver um marmanjo com filme carbonizado? Confira murais de recados cheios de gatinhas escrevendo "Quem é você?", "Desculpa, de onde nos conhecemos mesmo?" ou "Não lembro de você". O cara deveria virar um avestruz e enfiar a cara na areia.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, a internet é a terra de Marlboro. Todo mundo publica o que bem quiser, comenta sobre tudo e dá pitacos em tudo. Se até você tem um blog há três anos, nada mais me surpreende. Então, deixe a criançada brincar de ser modelo, atleta, popular ou super-herói. Daqui a pouco, elas encontram um brinquedo novo e cansam do Orkut. Amiguinho, não assoe o nariz e limpe na manga da camisa. Eca! Até a próxima!!!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Operação Leprechaun

O 15 de janeiro de 2010 seguiu uma rotina de muitas outras sextas-feiras: acordar cedo, fechar as publicações do dia, verificar andamento dos projetos, fazer apresentações, almoço com os colegas e blablabá. A diferença é que ao cair da tarde, lá pelas 18h e um pouquinho, eu fui demitido.

"Demitido" é uma palavra pesada, fantasmagórica. Tem uma aura de incompetência, perebagem, inaptidão, fracasso, descartabilidade. Enfim, é feia e ponto.

Voltei para casa triste horrores (óbvio) e dirigi com dificuldade, graças às lágrimas que embaçavam a lente dos meus óculos. Confesso mesmo. Chorei. Não considero vergonha nenhuma, xará. Sinceramente, acho que o pranto justificado é carimbo de personalidade, coragem.

Juntei os cacos e na segunda-feira seguinte, eu me despedi da equipe. Duas amigas choraram e senti que eu tinha deixado uma boa impressão no final das contas. Quase entrei na onda, mas segurei as pontas e engoli o choro. Acabava ali um capítulo da minha vida e começava a Operação Leprechaun. E olha que eu nem sabia.

Segundo especialistas, o prazo de recolocação é de 6 meses, em média. Então, tá. Prometi que me arrumaria antes do dia 15 de julho.

Depois de tirar a poeira do currículo, eu caí no mercado. Neste período, meu humor era uma montanha-russa tresloucada. Em um dia, eu acordava cheio de energia e vigor. No dia seguinte, era um deprê sem tamanho. As pessoas queridas ao redor eram as mais afetadas e eu procurei me isolar.

O engraçado é que rolou uma corrente contrária: uma aproximação de muita gente. Uma galera significativa (incluindo pessoas inesperadas) manifestou uma imensa solidariedade e vontade de ajudar. Juro que nunca vou esquecer essa moçada. Como consequência, as entrevistas foram rolando e viraram uma nova rotina até divertida.

Se alguma profissional de RH estiver me lendo, deixo duas reclamações: 1) por que diabos aplicar uma redação com tema livre? Escrever sobre o nada é desestimulante e pouco avalia. 2) Se rolou uma entrevista, tenha a delicadeza de dar uma resposta, mesmo que negativa. Não acredito que ainda se convida um candidato para um processo seletivo (longo, às vezes) pra depois deixá-lo no vácuo. Caceta! Qualquer e-mail padrão com um agradecimento fajuto é válido. Custa copiar, colar e apertar o botão "enviar"? Vai quebrar o dedinho?

E tome montanha-russa: a alegria pelo convite e por avançar pelas etapas e a frustração por chegar às finais e encarar um "obrigado, mas não foi dessa vez".

Maio...

Em meados de maio, meu telefone tocou e recebi a notícia de que minha namorada, um dos únicos portos seguros que eu tinha, fora convidada para um mestrado em Dublin, Irlanda. Apoiei integralmente, mas fiquei bolado. Perdi o emprego e vou perder a mulher!

Aí, sem querer puxar a sardinha para a brasa da minha primeira-dama, mas tem que ser muito cabeçuda para ser brasileira, recém-formada, e ser chamada para um troço desses lá na terra da cerveja Guinness.

O tempo passava e as entrevistas seguiam na mesma gangorra. Fiz aniversário e não comemorei, continuei jururu, mas botei um novo prazo: "se eu não me recolocar até 28 de julho, vou me mandar para a Irlanda e seja lá o que Deus quiser".

Eis que ouvi dois conselhos:

- Meu amigo, o que seria de nós se não fizermos uma loucura? Quando você vai achar de novo uma mulher que valha uma maluquice dessas? O que você está esperando? - disse uma amiga de 30 anos , três casamentos e dois filhos no lombo. Em agosto, ela embarcou para a Cingapura com o atual marido francês. Sim, ela é maluca e eu fui padrinho do primeiro casório.

- Seu trouxa, um ano não faz a diferença na nossa vida profissional. Você não iria virar gerente ou diretor neste período. Pega um pau de arara e vai ser um retirante na Irlanda. Você vai ser um imigrante exótico - gentilmente comentou um amigo dos tempos da faculdade.

Em julho, o mês da decisão, a Operação Leprechaun assumiu o controle e mexeu seus pauzinhos:

1. Em certo dia, logo no início do mês, acordei arretado e decidi ir para a Europa. Fechei um curso para conseguir visto de estudante, renovei o passaporte e marquei a minha passagem para o final de setembro.
2. No dia 13 de julho, fui convidado para assessorar a comunicação de dois candidatos do Rio de Janeiro.
3. No dia 14 de julho, fui convidado para trabalhar em uma empresa na Barra. Uma daquelas que nunca respondeu aos meus e-mails para dar um sinal de vida. Fiz que nem mamãe ensinou e a Rita Lee cantou: "não, obrigado".

Aliás, você percebeu a data? 14 de julho... um dia antes do prazo de seis meses. Eu teria conseguido. Eu cumpriria o prometido.

Setembro, hoje...

Minha namorada já está na Europa há alguns dias e bate uma saudade com jeito de saudade mesmo. Aquela sensação de falta, sabe? Estou trabalhando 10 horas por dia para eleger os dois candidatos e deixar uma missão cumprida e dois contatos fortes para a minha volta (caso eu volte). A cada dia que passa, eu sinto a barriga esfriar um pouco mais – um dos efeitos da Operação Leprechaun. No final das contas, o espantoso é que tudo se encaminhou para esta viagem. Todos os acontecimentos me guiaram para Dublin.

Chame de insanidade, chame de destino, predestinação, condenação, providência divina... eu chamo de inexplicável. Só sei que meu pote de ouro tem cabelos dourados e está lá do outro lado do oceano me esperando. Hora de seguir o arco-íris.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
AMIGUINHO?
Amiguinho, que história comovente. Se bobear, você pode ser convidado para contá-la em um programa choroso qualquer. Que fofo! Titio He-Man estará ao seu lado. Aliás, se você tivesse perguntado, eu teria dado força. E vamos invadir a terra da Enya, dos Commitments e do U2. Amiguinho, urna não é lixeira. Até a próxima!!!

PS. Putz! Abusei no tamanho do texto. Foi mal!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Terceira Temporada!

Quem diria, não? Três anos de aventuras do Surfista Platinado. Confesso que estou muito orgulhoso dos rumos que o blog tomou. Através dele, fiz amigo, babei por musas e levei alguns momentos de diversão para algumas pessoas. Até entrevista em rádio eu dei. Enfim, aumentei a minha paixão por escrever. Tudo graças à você, aí do outro lado da telinha. Tu mesmo!

Enquanto sopro as três velinhas, aproveito para informar que logo não estarei mais entre vós. Em breve, partirei para a maior aventura (ou loucura) da minha vida. Vou deixar o sol tropical, os botecos da Lapa, as areias da Barra da Tijuca e os grandes amigos presepeiros. O céu estrelado será o mesmo, mas visto pelo hemisfério norte, lá do norte da Europa. Até logo, calor do Rio. Olá, frio irlandês!

Bomba, hein?

Pois é, o Surfista Platinado será internacional por tempo indeterminado. Serei um gringo na terra dos leprechauns e dos trevos. A razão? Uma musa, claro. O que mais me faria atravessar o Atlântico e abandonar uma vida. Chame de insanidade, chame de destino, predestinação, condenação... chame do que quiser. Eu fico com os versos da Maria Gadu: "Todos caminhos trilham pra a gente se ver / Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu / Eu ligo no sentido de meia verdade / Metade inteira chora de felicidade".

Nos próximos dias, eu conto tudo que me levou à esta decisão. Adianto que nunca vivenciei seis meses tão intensos.

Slainte!

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, parabéns para você e blablablá. A modéstia eterniana me impede de comentar que você deve grande parte da sua longevidade bloguiana ao bom e velho He-Man. Seus textinhos são ok e, de vez em quando (eu disse "de vez em quando"), você tem uns brilharecos. Nada comparado às magníficas intervenções deste que vos escreve. Então, sorte a sua que eu possuo passaporte internacional e posso entrar em qualquer país! Vamos invadir a Irlanda, coleguinha platinado! Ih, a modéstia passou. Amiguinho, limpe os pezinhos antes de entrar na casa dos outros (e na sua também). Até a próxima!!!

TOP 10 - Temporada 2009/2010

Ah, quase esqueci do tradicional top 10. Eis o que mais curti na temporada 2009/2010.

:: O que fazer quando se sofre por amor?
Por quê?
Porque é uma questão universal e a bola foi levantada por um leitor que caiu de paraquedas por estas bandas. Acho que foi um dos meus textos mais comentados.

:: A vida em reprise
Por quê? Ainda numa onda de refletir sobre o sentido das coisas, escrevi esse depoimento sobre o medo lascado que tenho da rotina.

:: A fina arte da revanche
Por quê? Ah, histórias de vingança sempre atraem a nossa atenção. Ainda mais quando ela fica estampada na pele do vilão.

::A história de Adélia e o folião duplo
Por quê? Porque é uma divertidíssima presepada carnavalesca de uma amiga querida.

::A missão de Zé Américo e a mulher de fogo
Por quê? Presepadas e estripulias fazem parte deste blog, mas nunca soube de uma aventura que acabasse com incêndio e calote.

:: Diários de bicicleta
Por quê?
Depois desta aventura, eu entendi a razão do ciclismo ser um dos esportes mais perigosos do mundo.

:: O meu sangue ferve por você
Por quê? Ora, um texto em homenagem ao grande mestre Sidney Magal não carece de explicações.

:: O primeiro encontro em 10 dicas
Por quê? Em uma bateria de listinhas, este foi um dos meus favoritos por tratar de um assunto delicadíssimo.

:: Armani Code
Por quê?
Porque tem uma musa e uma história bonita. Quer coisa melhor?

:: A capa da Playboy
Por quê?
Você deixaria a sua amada posar pelada? Questão sinistra, hein?


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, comentar listinhas particulares não faz parte do meu job description...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O oficial de pernas curtas

Começo usando logo um clichêzão: de médico e louco, todo mundo tem um pouco. Lupcínio não era médico. Era louco mesmo. Aos vinte-e-poucos anos, já era capitão da Aeronáutica e frequentava as aulas da PUC vestindo uniforme das forças armadas com divisas e o escambau. Era um militar típico, com barba e cabelos impecáveis, conservador, sério e origem de família extremamente católica. Enfim, era um milico nato.

Lupcínio começou a namorar Zulmira, que também estudava na PUC. O casal parecia ter tudo a ver, pois a família dela também tinha um pezinho no quartel. Em um dos almoços de domingo, a guria levou o seu amado para conhecer a parentada toda, inclusive o avô, Dr. Arquimedes.

- Então você é da Aeronáutica, meu filho? – puxou papo o ancião Dr. Arquimedes.

- Sim, senhor. Com muito orgulho.

- Eu tive uma passagem por lá também, meu filho. Foi coisa pequena, mas inesquecível.

Tal e qual o Vovô Simpson, Dr. Arquimedes desencavou histórias da sua juventude. Lupcínio ouvia tudo com atenção e pontuava os causos com as suas próprias experiências, incluindo a citação a nomes dos seus superiores.

Vovô Arquimedes se recolheu após o papo e deixou o garoto com os papos da família. No dia seguinte, o bicho pegou.

Vovô Arquimedes não era apenas um ex-soldadinho da Aeronáutica. Era um brigadeiro reformado com mais medalhas que o Michael Phelps em três olimpíadas. E os seus contatos com a corporação continuavam firmes e fortes, especialmente no que diz respeito aos nomes dos oficiais de altas patentes. Zeloso pela netinha, ele desconfiou das referências de Lupcínio, gente que nunca ouvira falar. Temendo pela própria memória, ele lançou os nomes citados em todas as bases do Brasil e exterior. Dias depois, descobriu que eram todos inexistentes.

A casa caiu...

Um belo dia, Lupcínio estava na PUC, curtindo a aula de O Homem e o Fenômeno Religioso, quando foi visitado por um advogado da Aeronáutica e um oficial de alta patente. Ambos queriam alguns esclarecimentos sobre a sua farda, suas divisas e a história de ser capitão aos vinte e poucos anos.

Lupcínio caiu em desgraça e quase foi preso. Sumiu da PUC, da vida de Zulmira e dos colegas que me brindaram com esta história. Aliás, não sumiu totalmente.

Epílogo...

Meses depois, uma ex-colega de Lupcínio estava em Niterói, simpática cidade do outro lado da Baía de Guanabara, e passou por uma igreja. Sua atenção foi fisgada por uma presença conhecida no altar. Ela parou, entrou e, boquiaberta, reconheceu o ex-milico-fajuto vestido de padre e rezando a missa.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, somos todos passíveis a uma mentirinha aqui ou ali. Até o He-Man, Master of Universe, por mais que isso não ocorra quase nunca. Mas quando as mentirinhas granham proporções astronômicas, a brincadeira vira aquela doença chamada mitomania, um distúrbio em que o cidadão inventa uma história absurda e passa a viver nela. É fogo, amiguinho! Como a mentira tem pernas curtas, o safado... quero dizer, o mitômano sempre corre o risco de ser apanhado dentro das suas próprias epopeias. Amiguinho, fuja das fofocas com o vampiro foge do alho. Quando tiver algo a dizer, não use intermediários. Até a próxima!!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A maldição da calcinha bege

Mais um texto resgatado do período em que eu batia ponto no divertido Caixa Preta. O tema foi o efeito assombroso que as calcinhas beges causam na libido masculina. Pelo menos, a moral da história é inédita. Vamos ao que interessa:

Era uma vez...

Uma das mais preciosas lições que aprendi com as mulheres é: "elas sempre estão no comando". Anote isso, pequeno jedi, e guarde na carteira ou cole na porta do seu armário para que você nunca esqueça. Por mais que, vez ou outra, elas caiam de paixão por um homem, a vantagem é sempre feminina. Com toda essa dianteira, eu fico pasmo como elas ainda caem em armadilhas tão estúpidas. Detalhes insignificantes que apagam o fogo de qualquer garanhão e diminuem o maior dos tesões. Coisinhas mínimas. Coisinhas... beges.

Argh, bate na madeira! Como eu odeio o bege. Vade retro!

Pensa comigo, minha amiga leitora, você conhece um cara bacana. Ele consegue adjetivar substantivos compostos, opina bem na maioria dos assuntos, lhe dá atenção, é boa pinta, aparenta tomar banho com relativa frequência e demonstra desejo pelo sexo oposto. "Esse é meu número", pensa você. Eis que o galante pretendente chama você para um programa a dois. Você aceita e logo planeja a produção. Aí, eu me pergunto:

Na hora de montar o figurino, o que passa por sua cabecinha para escolher logo aquela maldita calcinha bege?

Minha querida, o sujeito pode lhe convidar para assistir a uma missa do Padre Marcelo Rossi, mas você tem que estar precavida. Seja lá qual for a hora do dia ou da noite, escolha aquela pecinha preta. Se você quiser fazer uma graça, escolha a vermelha. Se você estiver muito otimista, não escolha nada. Vai com uma folha de parreira. Mas jamais cogite uma lingerie bege.

Bate na madeira! Toc, toc, toc.

Vou tentar explicar a situação por analogia. Voltemos ao encontro com o galã citado. O programa é legal e o cara está jogando bem. Ele usa Polo Black, é gentil na medida certa, tem boas piadas e, melhor ainda, desperta os seus arrepios na nunca. "Vou dar pra ele", decide você. Nessa hora, o controle está na sua mão e ambos concordam em dar um pulinho no motel para analisarem a decoração medieval. Os beijos acalorados fazem o casal esquecer da arquitetura e roupas são arrancadas ferozmente. Nessa hora, você se depara com uma cueca do Ursinho Pooh. Aposto um jantar que você pára e pensa "mas que zorra é essa?".

Multiplique essa frustração por mil e você compreenderá o que um homem sente ao se deparar com um item bege debaixo da saia da mulher desejada. Entre ele e o objeto de desejo e volúpia, uma tenebrosa calcinha bege. Se for no modelo calçolão, aí é pedir o chapéu e ir para casa.

Amiga, leitora de Marie Claire ou admiradora da Marília Gabriela, seja uma revolucionária. Convoque amigas, vizinhas e até a sua mãe e faça como suas rebeldes antecessoras. Monte uma fogueira em tons beges e mande brasa. Se faltar querosene, pode me chamar que eu paro qualquer atividade para ajudar. Seria um ato para o bem da nação masculina.

Faça um favor para si e para seus namorados, peguetes, amantes, maridos ou frequentadores eventuais: não permita que nada na cor bege exista em seus guarda-roupas, especialmente nas gavetas. Garanto que novos horizontes se abrirão em sua vida sexual.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você está muito relapso com o blog. Além de deixar este muquifo às moscas por um tempão, ainda tem a cara de pau de retornar com um "vale a pena ver de novo". Ah, qual é? O meu contrato não prevê que eu gaste a minha extraordinária sabedoria em republicações. Mas, como o seu público não tem nada a ver com isso, vamos à genial moral da história. Buenas, a calcinha bege é feiona? Sim. Mas e daí? O que interessa está além do bege, captou? Pronto. Rapidinho. Amiguinho, não fique aos berros no telefone, pois as outras pessoas não precisam participar da sua conversa. Até a próxima (que espero não demorar tanto)!!!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O monstro do armário feminino


Alguns acontecimentos são bem particulares ao universo feminino. São coisicas micras, mas extremamente ligadas à essência de toda mulher. Podemos citar a gravidez, a menstruação, as cólicas e o nosso tema de hoje: o desespero de estar diante de um armário cheio de roupas, mas não encontrar nada para vestir.

Antes de cair matando nesta peculiaridade fêmea, vamos verificar a linha de raciocínio do macho que não toma mel, mas mastiga a abelha.

Os homens, mesmo os mais metrossexuais e papagaiados, vestem um jeans, uma camiseta branca, o All Star companheiro e estão prontos para o que der e vier. Algumas peças do vestuário do macho transcendem a um nível superior. Já presenciei desabafos de namoradas aflitas diante da paixão do seu par por uma bermuda surrada e xexelenta. Minha mãe, por exemplo, cultiva um ódio jurado por um tênis Adidas preto que adoro. O bichinho está quase rasgado, quase furado, mas é o meu calçado mais confortável. Ela não entende tanto apego.

Mulheres não compreendem a cumplicidade entre um homem e certas peças do seu armário e ponto final.

Mas voltemos ao dilema da moça diante do seu armário lotado. O móvel tem calças, vestidos, blasers, casacos, cintos, lenços, saias, echarpes, blusinhas, camisetas e shorts das mais variadas cores, modelos e procedências, mas ,miraculosamente, nada serve. Até as incontáveis combinações entre peças não agradam. Isso se não contarmos com a importância crucial do sapato.

Putz, o sapato...

Homem tem tênis e sapato social para trabalhar ou ocasiões mais sofisticadas. Mulher tem rasteirinha, sandália, scarpin, tamancos, botas, Keds, galocha e aquela Havaianas florida que brilha no escuro. E, espantosamente, nada combina com as milhões de roupas desejadas para aquele exato momento. Nem aquele sapatinho lindo que foi comprado ontem em uma promoção im-per-dí-vel.

Quase em pânico, elas separam uma combinação X, mas testam outras 15. Plenamente insatisfeitas com tudo, voltam à primeira escolha.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, aqui em Etérnia, a gente não passa esse perrengue. Teela tem uns dois closets lotados com o mesmo maiô de chacrete. É meio anos 80, mas nunca sai de moda. A Feiticeira muda a combinação das penas de forma tão discreta que ninguém nota. Vai me dizer que você acha que ela nunca trocou de roupa no Castelo de Grayskull? Eu, por exemplo, seria outra pessoa sem a tanga felpuda e as botas do Conan. Putz, esta moral não está condizente à virilidade e masculinidade do imponente He-Man. Escorreguei na análise. Enfim, quando uma moça lhe perguntar se gostou da roupa, seja rápido na resposta: "Uau! Está linda! Esta roupa é nova?". Você somará pontos preciosos. Vai por mim, que tu se dá bem. Amiguinho, visite um dentista pelo menos uma vez por ano. Até a próxima!!!

PS. Quer ver uma mulher aterrorizada? Ligue para ela e diga: "vamos jantar naquele restaurante que você sempre quis. Passo aí em 15 minutos. Daqui a pouco, eu interfono para você. Até já. Beijo".

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Manual para aquele que não entende (quase) nada de vinho

Com o inverno bombando e o friozinho instalado em boa parte do Brasil, um bom vinho torna-se essencial para reuniões sociais ou programas a dois. Novidade nenhuma, né? Mas esta nobre bebida ainda é cercada por uma névoa de dúvidas: que vinho escolher? O que é Malbec? O que é um enólogo? Quem só conhece Sangue de Boi deve queimar no mármore do capeta?

Divagando sobre o assunto, a querida Maria (do ótimo Blog da Maria) e eu trocamos figurinhas sobre este delicioso assunto. O texto partiu dela. Dei alguns pitacos e voilá: um manual maroto para aquele que não entende (quase) nada de vinho.

***

Embora hoje muita gente já demonstre uma certa curiosidade por conhecer os vinhos mais a fundo, nem todo mundo tem tempo, dinheiro, interesse ou paladar aguçado para se dedicar a tal tarefa. E, afinal, não há necessidade de tanta burocracia para um prazer tão simples. Então, eu (Maria) separei algumas dicas, baseadas em situações pessoais, deixando bem claro que meu conhecimento de vinhos se resume a: sentar, pedir, beber, achar bom ou achar ruim, e deixar o conhecimento técnico-científico para os experts. Então vamos lá:

1. Experimentar. Nos últimos dez anos, o mercado brasileiro de vinhos melhorou muito. Hoje, é possível encontrar boas garrafas a preços razoáveis, tanto nacionais quanto estrangeiras. Assim, quando for ao supermercado, arrisque comprar alguma coisa dentro do seu orçamento naquele dia e experimente. Às vezes, há um funcionário na própria seção de bebidas para lhe dar uma ajudinha.

2. Ainda na experimentação, há outra estratégia legal: combinar com os amigos de ir a uma casa de vinhos e estabelecer um preço. Cada um escolhe uma garrafa dentro daquela verba e todo mundo experimenta. Também, se não for muita gente, dá pra fazer isso no próprio supermercado e depois seguir pra casa de alguém para a "degustação". Uma coisa é certa ao seguir esta dica: você se divertirá com os amigos!

3. Interessante pode ser a combinação de preços com nacionalidades ou tipos: espumantes brasileiros, brancos chilenos, tintos espanhóis etc. É uma orgia de cores, sabores e nacionalidades.

4. Bom senso é importante. Uma taça do vinho da casa em qualquer lugar é altamente arriscado. A chance de beber um vinho de garrafão que mais parece Fanta Uva é imensa. É melhor pedir uma cerveja ou provar uma dose antes.

5. Ao sair com alguém para jantar, há inúmeras possibilidades. Deixe a outra pessoa escolher, caso ela saiba um pouquinho mais sobre vinhos do que você. E se você é a convidada que sabe um pouco mais, não abuse só porque é o cara que vai pagar a conta.

6. Pedir dicas ao garçom, ao mâitre ou seja lá quem se responsabilize por isso no local é válido. Na verdade, quase sempre é uma boa ideia. Mas,lembre-se de dar uma faixa de preço para não tomar um susto depois.

7. Geralmente, vinhos caros são bons. Mas, pagar pelo que você não pode é tanta pagação de mico quanto ficar rodando a taça o tempo todo com aquele ar de especialista francês.

8. E por falar nisso, se você não fez um curso de vinho, o ritual completo é dispensável, afinal, você estará apenas representando mesmo. Então, ao ser servido para a experimentação, rode um pouco a taça, com cuidado pra não molhar o vestido novo da sua companhia. Cheire o vinho pra se certificar que não há cheiro de vinagre. Dê uma olhada na rolha e cheire-a pra ver se não tem odor de mofo ou outro aroma ruim. Se houver qualquer coisa errada, recuse.

9. Como muitas outras, a relação com vinhos depende essencialmente da sinceridade a respeito do que você gosta ou não gosta. Beber vinho é uma questão de sentido e sentimento, e não ciência. Então não se intimide e divirta-se!

Tim-tim!

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, agora você deu para fazer crossovers entre blogs. Sorte a sua que a convidada é gente do mais fino trato. Aliás, He-Man explica o que é esta bagaça. Na linguagem dos quadrinhos, crossover é quando dois personagens de editoras diferentes se encontram em uma mesma história ou revista. É como Super-Homem VS. Hulk, Batman encontra Homem-Aranha ou X-Men VS. Turma da Mônica. Ah, o Homem Mais Poderoso do Universo está tão nerd hoje. Amiguinho, use o computador apenas com as mãos bem limpas. Caso contrário, seu equipamento vai ficar todo melecado. Até a próxima!!!


PS. Se tudo der certo, você terá uma vontade intensa de beber vinho agora.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tchau, vuvuzela!

A Copa acabou. A Espanha foi campeã e eu estou quase perdendo o timing de escrever algumas considerações sobre a festa máxima do futebol. Então, antes que as vuvuzelas se tornem uma lembrança distante (obrigado, ó Deus!), vamos ao que interessa:

- E falando nelas, a Copa da África do Sul serviu para constatar que as vuvuzelas são obras do demônio e foram criadas para atormentar os homens de boa vontade.

- Franz Beckenbauer fala inglês que nem o Arnold Schwarzenegger. Sempre que eu ouvia uma entrevista do Kaiser, eu imaginava Arnoldão vociferando "I'll be back".

- As discussões femininas sobre futebol foram profundas. Tipo "qual jogador da Copa você pegaria?". Até onde acompanhei, o goleiro da Grécia estava bem cotado. Pois é, os goleiros são de matar.

- Falando em pegação, Iker Casillas pegou tudo dentro de campo... e fora dele também. A repórter que o diga.

- A musa do torneio foi paraguaia. E isso não é uma piada.

- Não sei se eu estou forçando a barra, mas achei o Joachim Low (técnico da Alemanha) parecidaço com o Moe (um dos Três Patetas). E pegando o gancho alemão, o Özil também lembra muito o comediante Fernando Caruso.

- Já que o Joachim Low entrou em discussão, digamos que ele foi protagonista da cena mais grotesca da Copa. Ah, ou você "digeriu" numa boa a cena das melecas?

- Pelé acertou!!! O Rei indicou a Espanha como a sua favorita e, pimba!, os espanhóis ganharam! Peraí, um polvo também acertou. Aliás, o simpático molusco mostrou que entende muito de futebol. Hmmm, seria a lógica dos bolões, onde quase sempre dá zebra?

- Galvão mobilizou a primeira grande campanha do Twitter. Passou a onda, Galvão continua falando e sua conta bancária continua abarrotada.

- Não sobrou nenhuma piada inédita sobre o Dunga.

Inté 2014!

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, ainda sobre a Copa? Você parece aquela turma que comemora as festas juninas em agosto. Mas, vá lá. Enquanto os canais ainda estiverem transmitindo os repetecos dos jogos da Espanha, você está minimamente no contexto. Enfim, acabou a Copa e podemos falar sobre outras trivialidades. Amiguinho, não tente adivinhar os caminhos. Pedir informação é muito, muito, muito mais sábio. Até a próxima!!!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O paraíso é logo ali - Parte III (Fechando a trilogia)

Da esquerda para a direita: Isabella Saes, Fernando Caruso, Léo Jaime e o Surfista Platinado - pela primeira vez botando a cara no blog (e sorrindo, para mostrar que tem todos os dentes).

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, se vergonha alheia matasse, o Homem Mais Poderoso de Etérnia seria um cadáver agora. Todo pimpão na foto, hein? Mas, vá lá, confesso uma leve brisa de orgulho por seus minutinhos de fama. Mas lembre-se: se não fosse pelo meu carisma incomensurável, seu bloguinho seria mais um na infinita highway da Internet. Parabéns, rapazinho!

O paraíso é logo ali - Parte II

Moçada, hoje, dia 12/07, a partir das 17h, vou participar do programa Hora do Blush, da rádio SulAmérica Paradiso. O convite surgiu depois que este humilde cafofo foi eleito o Blog do Mês pelo programa. Como sou arroz de festa, topei e vou conversar rapidamente com Isabella Saes, Léo Jaime e Fernando Caruso. Como você pode ver, estarei em ótima companhia, diga-se de passagem.

Então, lá pelo horário do chá das 5, sintonize em 95,7 FM (se estiver no Rio) ou dê um pulinho lá no site da SulAmérica Paradiso e ouça a Hora do Blush. Aproveite o embalo, e participe também do programa mandando tweets (@sparadiso) ou e-mails (horadoblush@sulamericaparadiso.com.br).

E mais uma vez, obrigado pelos seus pitacos e olhos sempre atentos. Esse momento especial está acontecendo (perdão pelo "gerundismo") graças à você, aí do outro lado da telinha.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Banho de povo

Conheci a expressão "banho de povo" em Recife e adorei. Resumindo, trata-se da entrada do indivíduo em um ambiente com uma cacetada de pessoas por metro quadrado. É a ocasião em que a multidão se torna um organismo único, fedido e suado. Conheça algumas situações em que você corre o risco de tomar um banho de povo:

Estádio
Lembre-se, não pode ser qualquer um. Tem que ser um estádio em dia de clássico regional com título em disputa e calor de quase 40 graus (à sombra). Tipo Fla x Flu, Corinthians x Palmeiras, Grêmio x Internacional ou Remo x Paysandu. Só tenha atenção por onde você pisa. Se você estiver vestindo a camisa do seu time e entrar na torcida errada, pode trocar o banho de povo pelo banho de sangue.

Show aberto
Seja um show na praia de Copacabana ou no Parque do Ibirapuera, a muvuca é a mesma. Pode ser uma apresentação dos Rolling Stones ou uma interpretação de uma peça do Rachmaninoff, mas lá estará o banho de povo. E sendo em ambiente praiano, a experiência é ainda mais completa. Além de esmagado, você sai besuntado com suores das mais diversificadas fontes e a marola de ervas queimadas. Um luxo só!

Micareta ou bloco de carnaval
Você não sente vontade de espancar o cara lá em cima do trio elétrico quando ele grita "vamos tirar o pé do chão, galera"? Enquanto o miserável está lá no alto, confortavelmente instalado, o folião descobre na prática que dois (ou até três) corpos podem ocupar o mesmo espaço. Neste caso, o abadá funciona como absorvente de líquidos variados: cerveja, suor, lança-perfume, vinho fuleiro, coca-cola sem gás, perfumes alheios e o champanhe que cai dos camarotes 5 estrelas.

Metrô
Ah, o meio de transporte urbano dos sonhos: ar-condicionado e nada de trânsito. Bom, na teoria é uma beleza, mas tente pegar um metrô no Rio de Janeiro ou São Paulo lá pelas 18h de um dia últil. A comparação surrada à lata de sardinha é mixuruca diante do perrengue. Acho que fica mais parecido a uma lata de palmitos: todo mundo apertadinho e na vertical. O banho de povo fica ainda mais gostoso quando se percebe que a maioria dos passageiros está no batente desde cedo e uma parcela significativa considera o desodorante um bem supérfluo e desnecessário. Hmmm, delícia!

Ônibus
Por último, o hors concours do banho de povo: o busão nosso de cada dia. O maior representante do banho de povo agrupa características de todas as aglomerações citadas. Ele é muvucado como o estádio, aromaticamente exótico como o show na praia, ritmado como a micareta e claustrofóbico como o metrô.

Para concepção do banho de povo em grau máximo, imagine sair de 8 horas de trabalho sem ar-condicionado, pegar um metrô às 18h01, passar na FIFA Fan Festival de Copacabana, curtir um show do Parangolé e voltar no mesmo ônibus que a Torcida Young Flu.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, a muvuca é um patrimônio da humanidade desde tempos imemoriais. Desde que Adão e Eva começaram a povoar o planeta, as turbas já existiam. Mas não arranque seus cabelos, pois o cerebral He-Man tem um recadinho: com a maturidade, as pessoas começam a evitar as multidões. Perceba que as aglomerações são formadas em maioria pela molecada, que tem disposição, resistência ao suor alheio e pouco dinheiro. Vai na cola do He-Man, que tu se dá bem! Amiguinho, não entre em discussões acaloradas sobre futebol. Não vale a pena. Até a próxima!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

O paraíso é logo ali

Hoje, acordei com uma sensação de que o dia seria ótimo. Como meus amigos sabem, ando meio jururu e não é toda manhã que levanto com essa vibe. Sei lá, acordei me sentindo bem e tals. Até twittei tal alegria. Se ficar feliz sem razão é gostoso, imagina quando você descobre que o Surfista Platinado é o blog do mês da rádio SulAmérica Paradiso? Obrigado, Isabella, Léo Jaime e equipe!

Caramba, que orgulho! Rumando para a sua 3ª temporada, o Surfista Platinado é um hobby que conquistou o meu carinho e a minha dedicação. Oh, graças a mim? Nem pensar. Eu escrevo, mas quem retribui com olhos atentos, e-mails generosos, tweets divertidos e pitacos maneiros é você aí do outro lado da telinha.

É você, que bate ponto por aqui para conferir minhas aventuras, meus pensamentos e meus devaneios. Sem você, esse pardieiro não duraria um mês, imagine quase três anos. Então, sem falsa rasgação de seda e bem clichê:

OBRIGADO POR TUDO! TUDO MESMO!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A lição de Ringo Starr e a vida corporativa

Gosto das dicas do Max Gehringer. Mal e porcamente comparando, vejo o cara como um Mestre Yoda do mundo corporativo - com um senso de humor mais requintado, é claro. Mesmo sem a bagagem do titio Max, eu já aprendi uma coisa ou outra da vida profissional. A principal delas não veio de um palestrante de RH ou do Roberto Justus. Na verdade, veio do Ringo Starr, o pastor belga que eu tive quando era moleque.

É verdade. Eu tive um cão com nome de Beatle. E nem era um beagle. Beatle, beagle, sacou? Dããããã...

Ringo era um cachorro bonito pra cacete. Tinha a pelugem preta e espessa, uma imensa língua rosada, olhos castanhos e um jeitão desconfiado. Não satisfeito em ser lindo, o bicho era inteligente horrores. Além de obedecer a vários comandos de voz, ele tinha hábitos de higiene exemplares. Um dia, ele foi pego em flagrante fazendo xixi na área de serviço. Tomou um esporro federal da minha mãe e parece ter compreendido o recado. Desde então, o bicho jamais voltou a fazer as suas necessidades dentro de casa. Aliás, nem na sua casinha. Quando a natureza chamava, ele adubava o gramado do quintal.

Beleza, mas o que isso tem a ver com a vida profissional? Ora, meu pequeno jedi, o bizú vem a seguir.

O grande ensinamento do cachorro é bem simples: não faça caca por onde você passa, pois as pessoas podem ver e vão lembrar. Por outro lado, se você for legal, a sua reputação lhe precederá.

Botei até em "negritude júnior" para destacar bem a mensagem.

Falando português limpinho, se a sua imagem estiver maneira, as pessoas sempre terão algo bom a dizer a seu respeito. Quando você estiver na pindaíba, o seu passaporte de volta ao topo poderá ser carimbado mais rapidamente com os elogios de quem te conhece ou trabalhou contigo. E é batata: os bons comentários surgem espontaneamente e fazem diferença. Tem mistério nisso? Não tem, né? Mas é tão óbvio que a maioria das pessoas deixa de lado.

Com a petulância de adiantar a moral do He-Man, anote na sua agendinha esta valorosa lição: seja bacana com as outras pessoas. Na maioria das vezes, atitudes legais são como bumerangues. Elas sempre voltam para onde saíram.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, essa é boa, hein? Seu ciúme está aflorando e já tenta desestabilizar o meu espaço. Ok, ok... Só que a moral do sagaz He-Man vai além. O que você negligenciou em sua macilenta tentativa de instruir é um detalhe crucial, mané. Quando você estiver no bem-bom, nunca esqueça de estender a mão a quem precisa. Demonstre interesse pelas outras pessoas e elas farão o mesmo por você. Ah, o que seria de você sem mim? Amiguinho, não tire meleca em público. Vai que você é filmado e vira a cena mais bizarra da Copa do Mundo. té a próxima!!!

OBS: Macilento: emagrecido, pálido, descorado, cadavérico. Surfista Platinado também é cultura, rapá!