domingo, 23 de março de 2008

O caso da vítima inconformada - Parte II

Voltamos à aventura (verídica, vale ressaltar) de Sofia, bela mulher da Barra da Tijuca que teve seu carro roubado e estava diante do provável ladrão. Era mais emoção do que já tivera a vida inteira.

- Dona, avisa para eles que eu só levei o carro e não lhe machuquei. Avisa que eu não levei a bolsa, por favor.

Bingo!

Sofia e o bandido conversaram por quase uma hora. Ela propôs testemunhar positivamente em troca de todas as informações possíveis. Aparentemente novato na vida do crime, Vitorino abriu o bico e revelou o esquema dos carros.

Por um número de celular pré-pago ele recebia informações sobre uma lista de carros que estavam "sob encomenda". Vitorino confirmava o interesse e assumia o trabalho. Para localizar os carros pedidos, passeava por Ipanema, Leblon, São Conrado e Barra. Agia como um observador e fazia o roubo em poucos segundos. Como era branco e bonito, não despertava suspeitas depois.

Assim que estava com a encomenda nas mãos, recebia uma ligação do seu contratante e deixava o carro em um condomínio qualquer da Barra da Tijuca. As chaves ficavam atrás de um dos pneus. Em momento algum, ele via seu "patrão". Nos dias seguintes, ele recebia um depósito em sua conta corrente. Tudo limpo e profissional.

- Vitorino, eu quero meu carro. Dá teu jeito.

- Dona, eu não tenho a menor idéia de onde pode estar o seu carro. Juro por Deus.

A polícia decretou que iniciaria uma nova investigação, mas qualquer promessa de sucesso seria leviana. O delegado adiantou que talvez fosse necessário "comprar" o carro dos bandidos. Para sua surpresa, também adiantou que seria interessante se ela deixasse um "estímulo financeiro" para motivar a equipe. Sofia ficou indignada, mas topou para ganhar tempo. Dias depois, decidiu investigar por contra própria.
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- Vou recuperar meu carro. Escreve o que estou te dizendo - avisou ao marido incrédulo.

Durante as semanas posteriores, Sofia passou a ser figurinha fácil na delegacia. Já era até conhecida do carcereiro e tinha sempre acesso livre ao Vitorino. Os policiais achavam engaçado a dondoca rica brincando de detetive. Basicamente, o ladrão dava informações e ela apurava pela cidade.

Daí por diant, foram visitas a ferros-velhos, conversas com líderes de comunidade, telefonemas a seguradoras, contatos com firmas de segurança e por aí vai. Sem qualquer treinamento de criminalista, as investigaçãoes de Sofia conduziam para onde ela não esperava: a própria polícia. Tiras corruptos estavam envolvidos no esquema, mas cadê provas? Tudo era informal e sem fontes que se dispusessem a depor.

Três meses depois do roubo, Sofia recebeu uma ligação de um número secreto.

- Dona Sofia? - perguntou a voz.

- Sou eu. Quem é?

- A senhora está mexendo com um vespeiro. Pode ficar ruim para o seu lado.

Sofia sentiu um pavor que nunca havia experimentado na vida.

- Quem é?

- Olha, se a senhora continuar fuçando vai acabar perturbando gente perigosa que não pensaria duas vezes em meter uma bala na sua cabeça. Pense nos seus filhos. Sabemos tudo sobre sua família.

- Eu quero o meu carro de volta.

- Eu sei, eu sei. Como acho que a senhora não vai parar com essa história, só tenho duas opções: calar sua boca permanentemente ou cortar o mal pela raiz.

- Como assim? Não quero prejudicar ninguém.

- Escuta, admiro a sua persistência. Vamos encerrar esse papo de detetive. Seu carro está na Cidade de Deus - ele deu o endereço. - A chave está escondida embaixo de um dos pneus. Agora, não quero mais ouvir falar da senhora.

Desligou.

A Cherokee estava no local indicado. Estava empoeirada, mas sem arranhões ou depredação. Até o velocímetro indicava o pouco uso. Sofia cumprira sua promessa, mas decidiu vender o carro e comprar um modelo menos chamativo.
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- Chega de emoções - ela me disse.




QUAL A MORA DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinha Sofia, você tem uma perseverança digna dos aplausos do He-Man. Sua vontade e indiferença às críticas alheias devem ser exemplo para todos que tremem diante da primeira adversidade. Riscos existem em qualquer situação, mas esses perrengues enaltecem as conquistas e as vitórias. Nossa, estou tão Lair Ribeiro, tã Max Gehringer hoje. Amiguinho, cuidado com o volume do seu aparelho de som. Preocupe-se em não perturbar outras pessoas.

8 comentários:

Marcia disse...

Corajosa essa Sofia... Eu sou meio doida, mas medrosa, acho que não faria o mesmo.

Duas estranhas não tão estranhas disse...

Olá!

Adorei essa dona Sofia!
Sou muito determinada tbm,mas acho que um pouco acomodada com essa realidade,acho q meio q assimjilei q é normal.Algo que agora q reparei.Pq ficaria indignada,mas não iria fikr correndo atras não.Acharia caso perdido,q teria sido "desmanchado" e pronto.Ponto negativo p/ mim...rs

Beijão!

Miss T!

Srta. Engolidora de Anfíbios disse...

UHAushaauHSAH! Mtoo obrigada pelos votos de sorte na vida á 2-ou á 3!- amigo platinado!! E depois volte lah no Brejo pra contar sobre seu "trauma" de dar flores, pq isso é mais comum de acontecer do que como foi comigo...! hehehe!!
Abraço! =)

Dzinha disse...

Ai, que honra!!! Eu já me sinto uma heroína (aguentar aqueles adultos da escola é coisa pra super-herói).. agora fui convocada pra Irmandade!! Tô feliizzzzzz

Beijocas pra tu, Platinado. E um viva pra dona Sofia. Uma cabra destemida!!

drika disse...

wow!
agora ela aprende a não sair de casa sem seguro!

damaria disse...

Que pena que tem ares de ser uma história verídica (apesar da evidente coragem da Sofia). Do contrário poderia ter tido um enredo muito mais interessante..............

rafa disse...

hehe...adorei o comentário acima!

"assim ela aprende a não sair de casa sem seguro!"

realmente, foi corajosa..mas ao mesmo tempo imprudente pq nas atuais circusntâncias é melhor deixar p/ lá do q arriscar!
se bem q eu tb sou louca pelo meu carro..é quase um filho..entendo o q ela deve ter sentido! hAIUahiuAHIahiAHIahihA

bjo

Surfista disse...

MARCIA, poucas pessoas fariam o que Sofia fez. Não se sinta menor por isso.
DUAS ESTRANHAS, não ouse chamar a Sofia de "dona". E tome a lição dela para os demais perrengues da vida. Você sempre terá a escolha de desistir ou ir à luta.
SRA. ENGOLIDORA, qualquer dia desses eu conto o drama das flores.
DZINHA, outra que se atreve a chamar minha jovem amiga de "dona". Ela nem chegou aos 40. Vocês têm que perceber que todo PM chama as mulheres de madame.
DRIKA, é vero!
MARIA, explique. O que poderia tornar essa história ainda mais interessante? Acho que o bacana é que ela aconteceu.
RAFA, carro é quase um filho. Um filho lindo, possante, espaçoso, confortável, com ar-condicionado, direção hidráulica, muitos cavalos de potência etc etc