sexta-feira, 10 de agosto de 2007

No limite da razão


Para ler ouvindo "Mulheres", do Martinho da Vila.

***

Era para ser mais uma tarde de trabalho pouco emocionante, mas, para mudar o rumo das coisas, tocou o meu celular. No outro lado da linha estava a lendária Janaína. Ela conseguiu esse título ao "amarrar" o sujeito mais mulherengo que conheci. Ao ver um rabo de saia, Rodolfo parecia um alcoólatra diante de uma dose de J&B.

- Doug, terminei com o Rodolfo. A gente pode conversar hoje?

Janaína perdeu o título de "lendária", mas topei ajudar.

- Claro. A gente se vê hoje à noite.

Sou defensor do pensamento que "amigo de mulher é cabeleireiro (raio de palavra difícil de escrever), decorador e maquiador", mas jamais me negarei a estar presente para ajudar no que for necessário. É só não encostar muito.

Bom, chegamos a um bar da moda lá pelos lados da Barra da Tijuca e fui todo ouvidos ao drama da Janaína. Ela estava sofrendo e poucas coisas me comovem mais que uma mulher penando. Se for bonita, então eu sofro até mais que ela.

- O que houve? Qual a razão do fim, afinal?

- Você sabe que ele tinha um diário, né? E que nesse diário ele anotava todas as mulheres que já rodaram, né?

Claro que eu sabia.

- Não, de jeito nenhum – homem é cúmplice.

- Pois é, tinha. Eu descobri e – pausa para ela mexer na bolsa – olha só.

Janaína jogou algumas fotocópias ao lado da minha tulipa de chopp escuro. Eu li. Abre aspas:

(...)
Marcela: nota 6,5
Cassandra: nota 4,75
Paulinha Furacão: nota 8,5
Carolzinha Veneno: nota 8,0
Lúcia: nota 7,0
Professora Cândida: nota 6,75
Camila da Loja Gang: nota 9,0
Janaína Amorzinho: Nota 8,0
Betina da Padaria: nota 5,5
Andréa Bodyboarder: nota 7,75
Cinthia Malhação: nota 4,75
Fernandinha Night: nota 9,0

Fecha aspas.

Fiquei sem saber o que dizer.

- Reparou que não está na ordem alfabética?

Silêncio. Bebi quase que toda a tulipa de uma golada só e pedi outra.

- Amigo, você viu que está em ordem cronológica? Que filho da mãe! Traidor safado!– ela trovejou quase em lágrimas.

- Complicado – o que eu poderia argumentar diante da prova do crime?

- Sabe, mulher é um bicho trouxa. Quando ama, perdoa. Dá um jeito.

Linda frase. Anotei mentalmente.

- Por que você não o perdoou?

- Por causa dessa maldita nota 8,0. Eu sou lá mulher de levar nota 8,0?
***
Cabeleireiro, cabeleireiro, cabeleireiro. Só pra fixar como se escreve essa joça.

5 comentários:

b_b_rj disse...

Huahauahuahuauahaaa..."Cabeleireiro, cabeleireiro, cabeleireiro"...Bjs e bom dia.

Vulgo Dudu disse...

Os nomes das moçoilas são excelentes! ahahaha... Betina da Padaria tomou logo um 5! E o tal do Rodolfo nunca deu nota 10 pra nenhuma delas?

Muito bom! Abs!

Barbie disse...

Nossa uma desilusão dupla!!!
Uma por ter sido traida e outra por não ter conseguido tirar pelo menos dez... Tomare que ela supere o trauma... rsrsrs... Bjinhos

Surfista disse...

VULGO, Rodolfo era um cara exigente ou frígido.
BB, nunca mais esquecerei como se escreve cabeleireiro.
BARBIE, pelo que eu sei, o trauma passou.

carlamorim disse...

Douglas!! Adorei!!
A história é verídica mesmo???! Não né?! rss Sei lá! Tem de tudo nesse mundo!!!
Soltei uma gargalhada com "É só não encostar muito".
10!