quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O começo, o fim e o meio

Fui ao cinema ver "Ninja Assassino" e fiquei bolado. Não exatamente com o filme, mas com um programa que vi logo em seguida e o conjunto que se formou. Na TV, a atração não tinha uma ligação óbvia com a história do guerreiro e a sua saga de vingança contra o clã que o tornou uma máquina de matar. Era um documentário apresentado pelo Pedro Bial sobre a morte. Melhor dizendo: sobre o eterno temor do homem pelo seu inexorável fim.

O ninja amargurado esquarteja dezenas de inimigos. Bem longe do Big Brother, Bial divaga sobre a busca pela juventude infinita. Um protagonista procura a redenção através da morte por atacado. O outro conversa com estudiosos, artistas e filósofos sobre a vida.

Parêntesis: gosto muito dos textos do Bial. O cara é um artesão das palavras. Veja como ele transforma os dilemas do Big Brother em tramas quase shakesperianas. Admiro o cara. Confessei.

Tanto já se escreveu sobre a morte com humor. Evandro Mesquita e a Blitz disseram: "todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer". Uns poucos três mil anos antes, a grega Safo de Lesbos (sim, lá da ilha do velcro) cutucou as divindades dizendo "se a morte fosse um bem, os deuses não seriam imortais". Jim Morrison, do Doors, nunca bateu bem da cachola, e teorizou sobre o dia de bater as botas: "quero uma morte lenta, para aproveitar cada segundo". Sei, sei... e morreu doidaraço em uma banheira em Paris.

E também lembro que o Caetano Veloso já comentou sobre o tema. Se não me engano, ele disse: "vida eterna? Ser eu mesmo pela eternidade é uma ideia desesperadora".

Putz, imagina ser o Caetano por todo o sempre. Caceta!

Sabe, cada um teoriza como quiser, mas eu não tenho medo da morte, mas tenho pavor dos anos anteriores. O estado de dependência, a perda da lucidez, o esquecimento... isso sim é desagradável – usando um grande eufemismo. Quero ser um velhote esperto, como os coroas joviais de "Cocoon". Quero chegar aos 90 com o pique do mestre Hélio Gracie. Quero contar minhas presepadas aos meus bisnetos sempre aumentando um tantinho.

O biso era sinistro, moleque. Aliás, ainda é.

Aubrey de Gray, um cientista cabeçudo com jeitão que mistura um rabino e o ZZ Top, declarou com bases científicas que em 30 anos será descoberto o elixir da vida eterna. O homem só perecerá se topar com um ninja fulo da vida ou com um trem desgovernado. Será o infinito ao alcance de todos.

Quando eu era pequeno, uma cigana leu a minha mão e disse que a minha linha da vida é muito longa. Que bom! Ah, a vida é tão legal. No carnaval a gente olha para a folia e até se irrita com a alegria quase obrigatória dos trios elétricos ou das passistas. No Natal, a gente fica boboca com a filha ou sobrinha que abre aquele sorrisão com o presente do Papai Noel. No dia a dia, a gente olha para a pessoa amada e pensa "quero te amar para sempre". Ou até morrer. Seja lá o que vier primeiro. Tanto faz.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, tá certo que o seu momento de pensamento íntimo nem foi depressivo, mas, taquelpariu, hein? Você não tinha outro tema para abordar nem plena semana pré-carnavalesca? Enfim, já que você está cheio de frases dos outros, anota uma do Homer Simpson: "viva cada dia como se fosse o último. Um dia, você acerta". Ah, outra parada importante. Saca as palavras soberanas do He-man: viva da forma como você deseja ser lembrado. Já é um bom começo. Amiguinho, puxar a cadeira para uma dama nunca será brega. Até a próxima!!!

8 comentários:

Vanessa disse...

Surfista (fiquei fiel ao blog),
Pela primeira vez sou obrigada a concordar com o Hem-man...esse tema na (quase) sexta-feira de Carnaval? rs
Mas falando sobre o tema do post, o Irvin Yalom (Quando Nietzsche chorou) diz que a proximidade da morte eh a grande prova a que o ser humano se sujeita...eu mudi um pouco o meu conceito de morte por conta do livro dele ;)

Surfista disse...

VANESSA, foi mal. Não resisti ao tema, mas nem foi em um momento deprê. No fundo, foi uma maneira de celebrar a vida.

Prometo deixar textos mais felizes programados.

Surfista disse...

Hmmm, quem tem histórias de carnaval para contar? Escreva para o e-mail do Surfista Platinado e conte (resumidamente) a sua presepada momesca. Se estiver na vibe platinada, eu dou um tapinha do texto e publico. Como sempre, a identidade do folião será preservada, por mais cafajeste que seja a epopeia.

Vanessa disse...

Imagine surfista...apenas ri muito com a colocacao do Homer. By the way, a visao do autor que mencionei eh justamente essa,a de que a experiencia dele com doentes terminais eh a de viver cada minuto que resta, ao inves de lamentar o que nao se fez. Convenhamos que para isso eh preciso viver uma vida bem vivida, nao eh?

RUInaldinho disse...

Surfista, c pode sim falar disso em plena sexta de carnaval, afinal de contas, quem, dentre os que comentaram, tão na rua brincando? kkkkkk...brincadeira, gente.
Enfim, a morte não me preocupa mesmo, inevitável que é. O que preocupa mesmo é não ter sequer corrido atrás dos meus sonhos. Ao menos isto estou fazendo...depois, vou tentar ver aqueles lugares que só estão em fotos ou na minha imaginação...abraço!

Madame Sadô - Masô disse...

Bem, se você chegar aos 90 anos exatamente do jeito que deseja, puxe a cadeira pra mim. Saberei como agradecer.

Maria disse...

Várias considerações a respeito:

1) Bial é phoda. Casava com ele.
2) Hélio Gracie era muito phoda. E um fofo. De vez em quando ele aparecia nuns aniversários de um colega meu, era um velhilho gracinha demais :)
3) Ontem li um texto (um dos melhores) no cronicadeumamorlouco.wordpress.com em que o autor diz que não somos geração saúde mas geração hipocondria. Tenho medo dessa coisa de "prolongar a velhice" (pq prolongar a infância, ninguém conseguiu ainda).
4) Eu não sei se tenho medo da morte.
5) Cara, texto meio punk pra véspera de carnaval, hein? O que que 'cê anda bebendo?

JUJUbildes disse...

Oi, Doug!
Espírita que sou, não tenho medo da morte. Mas tenho sim, do iminebte sofrimento antes dela...
É aquela história: só os bons morrem dormindo... Acho que assim não se deve sofrer mesmo.
Engraçado que a morte é um tema corriqueiro em meus pensamentos. Penso muito na minha hora... em como será louco não estar mais aqui para ver o céu, o sol, as pessoas que gostamos... Doido, né?
Beijos!