segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Missão dada, missão cumprida

Manhã de segunda-feira. Fiz algo comum à maioria dos meus dias: li o jornal. Mas dessa vez foi diferente. Em vez de rumar direto para a seção de esportes, o segundo caderno foi a primeira opção. O motivo não poderia ser outro além do show do Police no Maraca.

Sim, eu estava entre os 74 mil privilegiados que acompanharam Sting, Summer e Copeland retornarem ao Brasil depois de mais de duas décadas. Bicho, eu tinha quatro anos naquele distante 1982. Não tenho idéia do que eu ouvia, mas tenho certeza que passava longe do rock do Police. Pois é, voltando ao jornal, a crítica foi positiva e fez justiça a um showzaço. A meiuca meio chatinha ficou longe de comprometer. Bom, lendo os deslumbres do Globo e relembrando a noite de sábado, confirmei que momentos importantíssimos da minha biografia se passaram na multidão de algum show.

Minha primeira vez foi em mil-novecentos-e-sei-lá-quando, quando papai e mamãe se sujeitaram a me levar para ver Balão Mágico e Fofão - em playback. O repertório já fugiu da mente, mas lembro da excitação de ver uma (!!!) banda ao vivo. Tá bom, não era uma banda, mas seja generoso com Simony, Jairzinho, Toby, Mike e Fofão. Gostei do negócio e de lá pra cá foram centenas de apresentações de diferentes estilos.

Pinçando alguns estupidamente marcantes, destaco o rock puro e visceral do Neil Young no Rock in Rio 3. Aquele palco gigante e o bom e velho cowboy descarregando toneladas de música numa simplicidade comovente. Nesse mesmo festival, o show do R.E.M quase me fez chorar. Também quase dei um tapa na careca do Michael Stipe quando ele veio cantar "Man on the moon" dentro da multidão. O cara ficou a poucos metros da minha pessoa. Fora isso, o show todo foi emocionante.

Não chorei nesse dia, mas disfarcei as lágrimas quando Eddie Vedder mandou "Daughter" diante de uma Praça da Apoteose lotada. Isso sim foi apoteótico. Esperei anos para ver Pearl Jam e não me controlei. Só fiquei ligado para não dar mole durante minha choradinha. Se alguém visse, eu botaria a culpa na Nova Schin vendida a R$ 5,00. Deus me livre!

Ah, já vi Roberto Carlos ao vivo e confesso que corri para tentar pegar uma rosa do Rei. Tomei uma cotovelada de uma senhora de sessenta anos quando me espremi pra pegar a flor.

- É para minha mãe, tia.

- Não sou sua tia.

Velha danada!

Já vi Gilberto Gil do backstage, com direito a comida japonesa e cerva gelada liberada. Por diversas vezes fui pular em rodas punks em shows do Iron Maiden, Prodigy, Offspring e até nos bons tempos do Raimundos. Los Hermanos? Esses eram chapas de faculdade e já fui dar uma moral para eles em um showzinho sem-vergonha na Casa da Matriz. "Anna Julia" nem estava no setlist.

No fundo, eu me sinto como se estivesse cumprindo minha obrigação com a boa música (e com a mais ou menos também. Oras, já fui conferir até Double You). Aliás, reformulando: cumprindo uma missão com a música que faz sentido para minha história. Rolling Stones, U2, Manu Chao, Roger Waters, Nando Reis, Coldplay, Caetano Veloso... até The Doors eu consegui ver. E dane-se que o Jim Morrison não estava lá. Ian Astbury quebrou o galho direitinho. A figurinha que falta no álbum chama-se Chico Buarque.

O show do Police teve várias razões para entrar no meu Top Five. Citando algumas: banda afiada, clássicos do rock, produção de altíssimo nível, performance histórica, fãs de todo Brasil e a minha primeira vez no Maraca. Explico: os únicos shows que presenciei no Maracanã foram do Flamengo. Nem Papai Noel descendo de helicóptero eu vi. Mas, dessa vez eu estava lá, sentado na arquibancada onde costuma ficar a Raça Rubro-Negra. Ali naquele espaço tão conhecido, eu vivi um instante único. Enquanto titio Sting mostrava vitalidade, minha gatinha disse algo que nunca dissera antes. Talvez torcendo para que o som alto ocultasse sua voz ou que eu estivesse com algumas Skols a mais na cabeça, não importa. O que vale é que ela falou pela primeira vez "eu te amo".



QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Que fofo , amiguinho! Eu também te amo. Você é tão bonitinho que quase arrancou lágrimas do He-Man velho de guerra. Fico feliz que a música esteja presente na sua trajetória. Os shows citados colaboraram muito para que se tornassem marcantes. Seria difícil curtir o momento no show da Banda Calypso, não é mesmo? Enfim, espero que você e sua gatinha estejam felizes, mas que as histórias salientes do seu passado continuem ganhando registros por aqui. Ela perdoará. Amiguinho, nunca esqueça das palavrinhas mágicas: "por favor".

14 comentários:

Bibi disse...

Que lindo, sócio!!! Final comovente, sério, eu sou manteiga derretida e quase que choro!

Mas me fez refletir... de Chiclete com Banana a Chico Buarque (é, eu já fui), alguns dos momentos mais emocionantes da minha vida eu passei em shows.

Já recebi pedido de namoro em micareta, reencontrei amigos queridos no meio de um show do Pedro Mariano, conheci um grande amor no The Waillers... Mtas histórias pra contar e sempre com fundo musical ;)

Bjinho!

Dudu disse...

Cara, vc é do meu time (e nao to falando só do mengão não)!

Já vivi altas paradas maneiras nesses mega-shows, consegui intrigar todos aqueles fãs de Foo Fighters ao cantar todas as músicas do R.E.M. (exceto The Lifting e She just wants to be, até então inéditas), pulei pacas nas rodinhas punk em shows mais pesados (também, meu tamaninho ajuda muito) e tive a felicidade de ter algo semelhante a esse seu com a sua gatinha. Mas, sinceramente, esse seu foi FODA (pelo timing e pela ocasião)! Parabéns mesmo, viver essas paradas é, infelizmente, privilégio para poucos.

Bom, deu vontade de continuar esse papo num post... Como já falei disso, vou catar no banco de dados e dar uma requentada :)

Bob disse...

Eu tb curtia balão mágico. Mas nunca fui num xou de verdade. Não gosto de multidão. Fiquei traumatizado com um xou q teve aki em sp, da daniela mercury qdo tava no auge, qse fui esmagado.

Em março tem Interpol e esse to realmente afim de ir, mas ainda não sei.

Vulgo Dudu disse...

Que fofo, amiguinho!

Esse momento é realmente mágico. Lembra-me aquela cena de "Quanto mais idiota melhor", na qual Wayne escuta Cassandra cantando uma música romântica enquanto, na verdade, ela está se esgoelando ao som de "Fire".

Abs!

Marcia disse...

Nossa...fiquei emocionada..Escutar eu te amo é incrível qdo é inesperado. Aconteceu comigo tb outro dia.

Anônimo disse...

E a mais pura verdade, Lindo, e a cd dia q passa o sentimento aumenta mais, viu? Bjinhos

Surfista disse...

BIBI, você está em fase mulézinha. Até receita de pudim faz você se derreter. :))
DUDU, pois é, companheiro. Conta essas histórias que eu as lerei.
BOB, a melhor forma de apagar medos é enfrentá-los de frente. E o que diabos você fazia em um show da Daniela Mercury??? Vai ver o Interpol que promete ser classe A.
VULGO, vivi meu momento Wayne.
MÁRCIA, é incrível mesmo. Fico feliz por você.
ANÔNIMA (NÃO TÃO ANÔNIMA), dias de estréia. Como se não bastasse o momento lindo de sábado, eis que você comenta aqui pela primeira vez. Assim, o Surfista Platinado fica bobo.

Anaïs Nin disse...

Hmmm rosa do rei ainda vai. Pior a minha avó que comeu um pessego dado na boquinha pelo wando. Graças a Deus ela não tirou a calcinha para dar a ele, porque a única utilidade teria sido pro pobre tentar vôo livre usando a calcinha ao invés de para-quedas rsrs
bjos

Anônimo disse...

Foi um grande show mesmo! Da arquibancada deve ter sido muito melhor. No gramado foi perrengue para entrar e conseguir cerveja...

Coincidência ter lido sua história fofa sobre shows, pq justamente hj lembrei das bandas de carnaval do Petropolitano. Eram muito bons tb, obviamente guardadas as devidas proporções.

Lembro tb de um show do Tom Jobim no Arpoador. Inesquecível. A tampa do Piano era espelhada e um canhão de luz apontado para ela. O reflexo podia ser visto do Vidigal. Espetáculo.

É isso meu bom. O amor é lindo e seja feliz!

Abs.

O Noivo

Surfista disse...

ANAÏS NIN, essa do pêssego foi de tirar o chapéu. Se sua avó tiver mais peripécias dessas, me passa que eu escrevo!
NOIVO, o show da arquibancada foi excelente. Cerveja acessível, zero empurra-empurra, assentos a rodo e boa visibilidade (do telão, pelo menos).

Bibi disse...

SABE O QUE EU ACHO??????? Sócio, o cara que me fez derreter é um Helio daqueles... hehehehe

Renata disse...

REM e Prodigy - L I N D O S !!!!

Prodigy mudou minha vida... Eu era uma gurizota de 16 anos!!!!

E eu nem gostava de REM até o show...

Renata disse...

Manu Chao - mto bom ler o post...

Minha memória não é mto boa para lembrar de shows perfeitos q eu já fui!

Vale mencionar Kraftwerk e Tim Festival - Belle and Sebastian, Bjork e Daft Punk!

Drika disse...

um momento desse é capaz de calar uma multidão!


eu chorei com black e giving to fly