quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Um engov antes e outro depois...

Pois é, acabou a folia. Chegou a hora de guardar a fantasia (ou abadá, se for o caso). Também é tempo de rezar para que não surjam sapinhos na sua boca. Ah, acabou o carnaval, mas nada impede que as lembranças permaneçam. Sabiamente cantou o Metallica: "the memory remains".

Enfim, para o bem ou para o mal, a lembrança não é como uma bebedeira, que se esvai com um engov antes e outro depois. Leva um tempinho para sumir e é nesse período que as melhores histórias brotam. Especialmente, sobre as presepadas que aconteceram durante os dias de folia. Enquanto a maioria pensa em contar os louros do sucesso, eu prefiro os vexames, as pequenas derrotas e as saias justas. E, cá entre nós, saia justa é comum a todo folião que tenha se aventurado pelos xuês-xuás da vida carnavalesca.

Como assumo minhas estripulias e sou descarado, assino embaixo de cada um desses três casos. Vamos a eles:

O caso da potranca enganadora.

Estava eu, lépido e faceiro, no meio do bloco em um desses paraísos praianos da costa brasileira quando fui arrebatado. Eu me deparei com um trio de morenas saracoteando ao som de um samba-enredo qualquer. Duas eram fracas, mas havia uma que chamava a atenção.

A mulher era uma cavala. Seus cabelos negros esvoaçavam e os peitos siliconados saltitavam dentro da blusinha decotada. No mesmo ritmo, as pernas saradas pareciam britadeiras na calçada. A bundinha durinha sacudia no compasso da bateria.

- Essa eu atendo - pensei com meus botões. Eu só precisaria de mais uma Skol gelada para quebrar os bloqueios da timidez.

Viva o carnaval que liberta os acanhados!

- Que absurdo, né? - comentou um companheiro de batalha.

- Nem me fale - complementei.

- Toda essa gostosura e é homem.

Glup!

- Ai, ai, ai...

Deus, obrigado por colocar ao meu lado um amigo sóbrio para me livrar do King Kong de chegar junto no traveco.


O caso do toco de mestre.

O que adoro no carnaval é a mistura de regiões e sotaques. Seguindo o mesmo bloco é possível esbarrar em baianas coreógrafas, cariocas dançarinas, paulistas charmosas, gaúchas ouriçadas e mineiras devoradoras de homens. Ah, as mineiras...

Garota Pão-de-queijo estava batendo fotos com as amigas e eu senti a oportunidade batendo a minha porta.

- Deixa que eu bato uma foto de vocês todas.

- Obrigado - ela respondeu.

Hélio Gracie disse que reconhecia seu adversário pelo jeito de andar. Eu identifico a procedência da periguete só pelo polissílabo de agradecimento.

- De nada, mineirinha - fiz lá os raios da fotos das gurias. Apesar do alto teor de Itaipava na corrente sanguínea, acertei todos os enquadramentos. Garota Pão-de-queijo agradeceu novamente e veio reaver a câmera.

- Nã, nã, nã. Tudo nessa vida tem seu preço. Só devolvo se você disser o seu nome.

Ela disse e eu não decorei. E daí? Eu menti o meu mesmo. Ficamos de papo por algum tempo. Uma piada aqui, um gracejo acolá e vamo que vamo.

- Mineirinha, vou te roubar um beijo.

- Melhor não.

- Por que? Me dá uma razão.

- Seu lábio está sangrando. Acho que você cortou com a latinha.

Hein? Como assim? Impossível! Não pode ser. Argh, nãããããããão!

- Jura?

- Juro.

Fiquei tão sem-graça que procurei um buraco na areia da praia para me enterrar.

- Olha, foi mal. Dá licença.

Corri para o apoio técnico dos amigos.

- Tô com a boca sangrando? Diz que não. Diz que não.

- Não. Tudo limpo. Por quê?

Descolei um guardanapo e passei pelos lábios. Nem uma gota de sangue. Gargalhei imediatamente.

- Mas que filha de uma égua mais criativa.

O caso do lobo mau.

Mulher parada e sozinha nas esquinas carnavalescas é presa certa. Sei-lá-que-nome estava discretamente rebolando ao som da dança do créu. Passei por ela e percebi um olhar que durou meio-segundo. Ora, mais que suficiente para viabilizar o approach.

Oi pra cá, nomezinho pra lá, vim do Rio acolá e todo esse blábláblá. Sei-lá-que-nome estava dando condições de jogo e eu estava avançando os meus laterais para cruzar a bola na pequena área. Gol de cabeça!

Ela era magra e parecia novinha. À primeira vista, era uma mulher desabrochando. E, veja você, ainda conversava direitinho.

Sou um bobão mesmo. Acho que sou o único folião que ainda repara no papo da presa. Eu deveria estar de olho no biquíni de lacinho.

Ela perguntou minha idade. Eu disse e ela riu entre um susto.

- Sou só um pouquinho mais velho que você, Sei-lá-que-nome. Quer uma cerveja?

- Eu não posso beber. Não tenho idade para isso.

Sinal de alerta ligado.

- Quantos 17 aninhos você tem?

- Tenho 15.

Ai, ai, ai... sou um maníaco pervertido. Que vergonha de mim!

Fiquei sóbrio em um estalo. Por mais gostosinha que ela fosse, tenho valores e escrúpulos (pequenos, mas tenho). Fiquei imaginando minha filhota de 15 primaveras sendo assediada por um quase Gatão da Meia-Idade. Recuei o time e entreguei o jogo.

Ah, só no carnaval mesmo.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, depois dessas confissões você deve se considerar um afortunado se alguma mulher cair na sua mão de novo. Valha-me Deus! Bom, pelo menos você foi corajoso em compartilhar conosco essas pérolas, mas se a gente se encontrar na rua, finge que não me conhece. Amiguinho, respeite sempre os mais velhos.

11 comentários:

Ruiva disse...

Surfista!!!
Fala sério.... chegar no traveco ia ser demais, não?! hahahahahah
ri muito, só de imaginar a cena.
:p

desejo mais gafes no próximo carnaval. pra eu rir mais um pouco. heheheh

beijos

Anônimo disse...

Sensacional!

Henry Miller disse...

Não Sr, voltaremos tão logo a preguiça passe e a criatividade volte :)

Unknown disse...

Sensacional a mineira, hein? Você devia ter voltado lá e parabenizado a guria pela historinha...

E essa terceira, por acaso, foi em Petrópolis? Porque se tiver sido, faltou contar um detalhe...

Abs!

Roberta Albuquerque disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
essas estórias foram d++, a melhor foi do travecoo e da boca sangrando...kkkk
adorei seu blog, e já faz um tempinho q acompanho as sua estórias ;)
nao tenho blog, mas orkut, se puder acesse: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=12790459717639603982
bjos =**

Anônimo disse...

Muito inocente vc, menino Surfista...não é à toa que a moça tinha pernas e bunda durinhas, sem um pingo de celulite...tb, não era uma moça, era homem! rs....
Essas estorinhas de carnaval geralmente são interessantes pq são regadas à skol. São coisas pra lembrar e rir sempre.

Surfista disse...

O IBOPE não mente. Como as pessoas adoram conferir as desgraças alheias, não? Pior que eu revelo essas coisas. Ah, meu filme carbonizado. He-Man tem razão em sua conclusão...

Bom, respondendo um por um:

DZINHA, as gafes não se resumem ao tempo de folia. Como você já deve ter percebido, meu carnaval dura 365 dias por ano.
MARIA, obrigado. Volte sempre!
HENRY M., beleza! aguardarei o fim desse período sabático.
VULGO, a mineira sumiu, mas mandou bem demais. Mulheres, aprendam esse toco. Ah, e essa passagem faz parte do meu passado recente. O causo citado por você não foi esquecido. Como posso deixar pra lá o dia em que cheguei numa garotinha na frente do pai, mãe, tia, papagaio et?
KARINA, fico feliz por você gostar das minhas aventuras. Pode deixar que visitarei seu perfil orkutiano.
MÁRCIA, sou um garoto de coração puro. Aposto que algum marmanjo com algumas Skols extras nas idéias deve ter descoberto que a fanta uva era coca-cola.

Anônimo disse...

SÓ DE PENSAR QUE QUEM TE IMPEDIU DE PEGAR UM TRAVECO FOI EU .... EU ACHO RS


ENFIM ... AGORA A ESTÓRIA DA MINEIRA VC NÃO TINHA CONTADO NESSA RIQUESA DE DETALHES .... ESSA FOI A MELHOR

MAS SABE .... EU CONTINUO PREFERINDO AS RENATAS INGRATAS QUE EXISTEM POR AÍ HAHAHAHA

Cíntia disse...

Oi Platinado!

Ééééé... compromissos carnavalescos geram saias-justas homéricas...
:P

Anônimo disse...

Adorei aprender a da boca cortada pela latinha de cerveja! Um perfeito salva-vidas!! rsss
Bjs.
Ps: É.. eu tava sumida. :-) Voltei.

Surfista disse...

RICK, presença ilustre e testemunha ocular do fato. Volte sempre!
CINTIA, você se identificou? :)
ISO9002, que bom!