quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Preto no branco

Acho que aqueles que acompanham este pedacinho de pensamentos e presepadas perdido no oceano da internet já constatou uma coisa: sou antiquado pra cacete. Não reluto às novas tecnologias e às facilidades do mundo moderno, mas, vou confessar, sinto uma falta danada de escrever à mão. Salvo o caso dos estudantes, as pessoas não escrevem mais em cadernos. Eu ainda adoro o som do grafite de um lápis sobre o papel.

Outro dia, encontrei pedacinho de papel guardado em um livro que eu não abria há anos. Era um poeminha escrito para uma musa de 2002. Achei engraçado e devolvi ao local de origem. Pré-arrumando as coisas para a aventura irlandesa, descobri um diário de quando eu tinha 14 anos. Eram tantas lamúrias adolescentes que eu parecia o Louis, cúmplice do Lestat em "Entrevista com o Vampirto". Fiquei com raiva de mim mesmo.

Essa molecada que se rasga em lamentações emos pelo Edward e pela Bela não sabe nada. Louis era o vampiro mais amargurado e melancólico que já foi descrito. Pelo que li, Anne Rice escreveu sua obra-prima vampiresca ao perder um filho. Punk, não?

Tanto o poema quanto o diário (esse ainda mais) foram escritos em uma época em que redigir à mão não era tão esporádico. Hoje, a gente anota as coisas e só. Rabiscos com pressa com aquele pensamento "só eu vou entender mesmo". Ninguém mais registra ideias em páginas de celulose. Os raros exemplos causam espanto. Ao saber que o Sérgio Britto (uma lenda do teatro e 100% avesso aos computadores) redigiu suas memórias com uma Bic e vários cadernos, tive até vontade de comprar a sua obra.

No fundo, acho que as tecnologias afugentam o singelo, a simplicidade. No dia dos namorados, recebi um cartão escrito com letras redondas. Um amigo também me mandou um cartão escrito à mão no dia do meu aniversário. Em ambos, eu mulherzinhamente chorei.

Que franga, né? Eu fiquei com vergonha agora.

É nostálgico, mas antes de sair do Brasil, quero deixar uma carta escrita à mão para algumas pessoas especiais.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, outra crise de nostalgia? Achei que já tivéssemos superado essas babaquices. Pensa comigo, se você continuasse escrevendo no velho caderno dos Thundercats, ninguém saberia da sua existência e eu não teria esse freela. Quer um pitaco maneiro: cartas escritas à mão (com garranchos e tudo) são carregadas com mais afeto. Não, não.... elas não devem ter adesivos da Moranguinho, pequeno jedi! Eu quero dizer que um bilhete representa tempo, dedicação e uma aura muito mais pessoal. Quem diria que escrever em um papel seria uma obra artesanal, não? Amiguinho, pense na reciclagem. O papel da sua casa pode ser separado e reaproveitado. Até a próxima!!!

2 comentários:

disse...

Nossa que bacana esse pensamento ainda mais vindo de um rapaz. Eu até hoej amo escrever a mão, mas bem sei que até a minha letra "enfeiou" depois dos adventos tecnológicos. Tenho um caderno que eu ainda escrevo coisas do meu cotidiano, pensamentos, poemas, coisas e coisas que as vezes eu coloco no blog. mas sua origem é sim uma BIC de cor preta e um caderno bem mulherzinha... da Barbie!
Beijos e excelente viagem

JUJUbildes disse...

Oi!
Eu adoro escrever à mão cartões de aniversário e Natal para os amigos. Todos sempre adoram!
Minha letra já não é mais a mesma depois do computador, mas resisto à ficar só no teclado.

Mudando de assunto, acho que perdi algo aqui... muito tempo sem vim te visitar... Está de mudança?? Ou apenas uma viagem?

Beijos!