segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A repórter inocente e o matador de noivas

Eu trabalho com uma equipe de comunicação em uma campanha política. Enquanto eu fico produzindo ações via web, uma parte do time vai a campo coletar informações. Diariamente, eles andam uma enormidade e voltam exaustos ao fim do dia. Dia desses, presenciei uma conversa sinistra com conclusão ainda mais assustadora. M. Night Shyamalan perde. Foi mais ou menos assim:

REPÓRTER: Ui, estou exausta. A gente anda muito. Ainda bem que Estácio me deixou descansar no carro dele...

FOTÓGRAFO: O Estácio? O motorista da van?

REPÓRTER: Sim, por quê?

FOTÓGRAFO: Ah, meu Jesus...

REPÓRTER: O que tem o Estácio?

FOTÓGRAFO: Você se aventurou hoje, menina.

REPÓRTER: Como assim? Me conta isso.

FOTÓGRAFO: Melhor não.

REPÓRTER: Conta logo.

FOTÓGRAFO: Que fique só entre nós, tá? É que ele degolou a noiva. Todo mundo sabe, mas nunca acharam provas. Ficou por isso mesmo.

REPÓRTER: Mentira!

FOTÓGRAFO: Tô te falando. Você duvida? Peraí. Ô, piloto, chega aqui.

Entrou na sala o segundo motorista.

REPÓRTER: Ela não acredita na história do Estácio e a noiva.

MOTORISTA: Qual história?

FOTÓGRAFO: Da noiva dele.

MOTORISTA: A que ele matou?

REPÓRTER: Ai, meu Pai...

MOTORISTA: Ele estrangulou a mulher.

REPÓRTER: Não tinha degolado?

MOTORISTA: Degolou depois de estrangular. Foi para garantir.

A repórter ficou mais branca do que já era.

FOTÓGRAFO: Você correu um risco muito grande.

REPÓRTER: Gente, tô com medo.

MOTORISTA: Precisa não. Fica perto da gente que tudo fica tranquilo.

Neste momento, alguém chamou a repórter apavorada em outra sala. Ela saiu. O Fotógrafo e o Motorista ficaram. Eu ouvia a história bizarra atento, mas sem dizer nada. De repente, tocou o telefone do Motorista.

MOTORISTA: Alô! Oi, sou eu. Sim, vou encontrar com ele daqui a pouco. Sim, eu dou o recado. Tá bom. De nada. Beijo. Tchau.

FOTÓGRAFO: Já é para a gente sair de novo?

MOTORISTA: Não. É a noiva do Estácio. Ele tá com o celular desligado e ela quer falar com ele. Pediu para a gente dar o recado. Depois tu me lembra?

FOTÓGRAFO: Pode deixar. E a repórter? A gente conta para ela?

MOTORISTA: Depois. Vamos deixar ela ficar com medo do Estácio por alguns dias.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que coisa feia. Pregar peças nos coleguinhas de batente. Ai, ai, ai. Isso é muito feio. Fico impressionando como malandro tem sintonia e criatividade na hora de sacanear terceiros. A repórter também foi muito inocente. Caiu na história muito fácil. A lição é simples: jamais acredite em histórias dantescas demais em um primeiro momento. Apure o fato antes de tomar conclusões. Essa moral foi mole demais. Assim, He-Man fica entediado. Amiguinho, limpe bem os pés antes de entrar na sua casa ou na de outras pessoas. Até a próxima!!!

5 comentários:

Ruiva disse...

Ah, Doug, eu até entendo ela, tadinha..
Em tempos de Elisa, Mércia e corpo achado no Jardim de Alah, dentro da mala, a gente acredita em qualquer papo sinistro desses. E como aqui não tem a maravilhosa equipe de CSI pra nos vingar, é melhor ter medo mesmo.
rsrsrs

Ruiva disse...

Mas sim, seus coleguinhas de campanha deviam escrever roteiro de series policiais. Que sintonia e criatividade bizarras.
:p

Maria disse...

esse tipo de história não pode ser contada pra gente como eu.

é claro que eu vou dar um jeito de contar uma dessa um dia desses, hahaha

Vulgo Dudu disse...

Taí! Boa ideia, hein? Pegadinha do Mallandro!

Abs!

Mulherzinha Sim! disse...

O meu primeiro estágio na área de comunicação foi em uma rádio conhecida aqui no Rio e lá eles têm o costume de dar trote nos novatos. Só posso dizer que a brincadeira que fizeram comigo me deixou tão irritada que eu chorei ao final quando me contaram que era trote. rsrs

Surfista, quanto a minha monografia da pós, eu te enviaria umas perguntas por e-mail e, caso fosse necessário, depois a gente conversaria pessoalmente. Pode ser?
Mas relaxa porque eu ainda nem começei...

Beijos