quarta-feira, 13 de julho de 2011

Que time é teu?

Daqui a pouco tem jogo da seleção brasileira, a pátria de chuteiras. É o ópio do povo em seu grau máximo. É o momento em que todas as torcidas esquecem as rivalidades e vestem a mesma camisa amarela. Houve um tempo em que eu largava tudo para assistir um jogo do Brasil. Hoje em dia, eu não dou a mínima.

Nem sempre foi assim. Minha história com a seleção começou com a desclassificação para a França em 1986 e se consolidou em 1993, naquele antológico Brasil x Uruguai. Lembra desse jogo? Foi aquele em que o Romário foi convocado sob o clamor popular e fez dois gols diante de mais de 100 mil pessoas no Maracanã. Eu estava naquela partida e foi a minha primeira vez no Maior do Mundo. Foi amor à primeira vista.

No ano seguinte, eu comecei a colecionar figurinhas da Copa e assisti a todos os jogos do Mundial. Lembro até hoje da sequência de partidas que culminou naquele pênalti isolado pelo Roberto Baggio. Eu estava em Salvador naquele dia e me senti o torcedor mais pé-quente do mundo.

Em 1998, comprei a minha primeira camisa do Brasil e a Copa da França foi pano de fundo para uma das minhas maiores aventuras amorosas. Cada jogo da seleção era um encontro com uma vascaína linda e maluca. Quando Zidane e Petit enterraram o sonho do pentacampeonato, eu tomei um pé-na-bunda mítico e chorei em dobro: pela derrota em Paris e pela minha cacetada no Recreio dos Bandeirantes. Superei.

Assim como todo o país, eu acompanhei desconfiado o Brasil se classificar aos trancos e barrancos para a Copa do Japão e Coreia. Enquanto Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho surpreendiam a nação e atropelavam os adversários, minha mãe foi hospitalizada e passou por uma cirurgia muito delicada. Lembro que o dia da operação foi no mesmo daquele clássico Brasil x Inglaterra, no qual o Ronaldinho Gaúcho fez um gol de falta extraordinário e mandou o British Team de volta para casa. Eram jogos na madrugada, mas muito divertidos. Assisti à final contra a Alemanha na casa de um amigo e foi um porre antes das 9h.

Curiosamente, depois daquele jogo, a seleção perdeu o encantamento. Os craques não jogavam mais no Brasil, não havia mais o comprometimento dos jogadores com a torcida. Era um clima estranho. Por mais que o Brasil fosse ganhando as competições internacionais, eu não me sentia mais tão íntimo dos caras. Em 2006, com a eliminação diante da França (de novo), percebi que aquele time de amarelo não me representava mais. Depois, com o início da Era Dunga, aí que é peguei nojo mesmo.

Para você ter uma noção, assisti a Copa da África como se fosse um espectador de ópera: caladinho e sem reação. Em 2010, eu saquei que eu não era mais torcedor. Na verdade, eu torcia para o Brasil prosseguir na competição apenas para garantir os "feriados" e recessos. Sabe como é, né? Dia de jogo da seleção na Copa é ponto facultativo. Quando a Holanda eliminou o timeco do Dunga, minha reação foi de desprezo. Sabe aquela sensação de "dane-se"? Pois é, era eu.

Pois bem, hoje tem jogo do Brasil pela Copa América e vou ver a pelada sem qualquer comoção. Pouco importa. Na real, nada importa. Salvando dois ou três gatos pingados, não sinto qualquer identificação com aqueles caras em campo. Que se explodam o Neymar, o Ganso, o Pato, o Marreco e o Garnizé. Que se arrebente a CBF corrupta e maquiavélica. Para o inferno com os empresários e pseudo-craques-popstars. Que se lasque o ufanismo mentecapto do Galvão Bueno. Triste isso, né? Acho que o garoto que sentiu o coração acelerar vendo o Romário vestir a 11 do Brasil não imaginaria que um dia ficaria apático diante de um jogo da seleção.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, se tem uma coisa que o Homem mais Poderoso do Universo detesta é espírito de porco. No entanto, eu até te entendo. Seja no Brasil ou em qualquer outra seleção de primeiro escalão, os caras que entram em campo representam mais os seus próprios interesses do que a paixão de milhões de torcedores. Mas, quer uma dica? Veja os jogos das seleções feminina, sub-20 ou fraldinha. Os atletas que vestem a amarelinha são muito mais comprometidos. Eles e elas ainda têm algo a provar e ainda não pagaram todas as prestações do Minha Casa Minha Vida. Eles jogam pelo orgulho e honra. Como diria James Hetfield, "its sad but true". Amiguinho, não misture as roupas coloridas e as brancas antes de botar tudo na máquina. Até a próxima!!!

5 comentários:

Navegante disse...

Pois é, vivemos uma carência de ídolos... Não a toa que os gringos já não nos respeitam mais no futebol (vide matéria recente da revista inglesa four four two dizendo que o futebol canarinho já era)

Eu tenho algumas órbitas solares a mais, o que me garante na memória ter acompanhado a mítica seleção de 82 (embora eu fosse pirralho). Lembro das lágrimas de 86, da indignação de 90, do grito engasgado de 94, da perplexidade de 98 e dos porres matinais de 2002. O resto é o resto.

Agora convenhamos: vc namorando uma vascaína em 98 e não queria ser vice? :D

Sandro Ataliba disse...

Eu compartilho de seu desapego. Também há tempos não torço pela "Seleção da CBF". Em 2010, torci para quem eu considerava ter os melhores times, como Argentina e Espanha. Também tenho assistido aos últimos torneios como mero amante do futebol. Hoje, mal consigo torcer pelo Flamengo, vendo os desmandos e a incompetência de uma presidente a qual eu sempre apoiei, inclusive politicamente. Mas não deixo de ver os jogos, como não deixo de assistir à Fórmula 1. Devo ter algo de masoquista em mim. rs
Abraço!

RUInaldinho disse...

Falou e disse, Surfista...mas a minha sugestão é outra: a seleção do Uruguai, um show de entrega ao país pelo amor à camisa celeste...como são-paulino que sou, sei que o meu time sempre joga melhor e mais aguerrido com um uruguaio no elenco...
Abraço!

remess@hotmail.com disse...

Vascaína linda e maluca, é? Ah, tá ;-)

Surfista disse...

Linda e completamente louca! ;-)
Que surpresa você por aqui!