segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Carne e alma

Tenho uma confissão a fazer. Aliás, o termo confissão é adequado ao assunto do dia, pois lida com religião. Sempre que posso, eu vou à missa aos domingos.

Uau! Será que o Surfista Platinado virou um beato que rouba o Chevette do padre para sair com as pretendentes? Não, acho que não.

Pois é, mesmo sendo um cara bem racional, acho reconfortante acreditar que algo toma conta e intercede por mim nas pedreiras do dia-a-dia. Já li e ouvi relatos de gente tão científica quanto eu que presenciou coisas do arco da velha. Lembro de um médico amigo meu que teve o cruel dever de dar a uma família a notícia do iminente falecimento de um ente querido. Quando entrou na sala de espera, onde todos estavam rezando há horas, ele sentiu um calafrio, uma vibração esquisita que o deixou todo arrepiado. Antes de começar o discurso decorado e tantas vezes dito, ele foi interrompido por uma enfermeira, que precisava lhe informar sobre a mudança repentina no quadro do sujeito. O homem iria sobreviver. Será que teve algo a ver? Meu amigo médico não afirma, mas não descarta.

No meu caso, só fui ficar mais ligado quando, assim como o camarada doutor, tive algumas experiências estranhas. Talvez seja como a música do Caetano que diz "quem é ateu e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus, não cessam de brotar nem cansam de esperar". Concordo. Acho que há muita gente falando do Divino sem praticar o bem ou achando que Ele é um déspota. Religião não é tirania para mim.

O curioso é que essa minha imersão espiritual abriu minha mente para outras filosofias. Descobri aspectos interessantes nas filosofias budistas, judeus, espíritas e krishnas, entre outros. Passo longe do fanatismo. Acho que ser bitolado é estar a um passo de jogar um avião em algum prédio ou doar milhões para instituições de gestão duvidosa. Enfim, fazer o quê?

Outro ponto importante é que ter uma jornada zen não compromete meus hábitos. Continuo ouvindo rock'n'roll, minha energia sexual pode ser sentida a distância e sou fã de uma boa rodada de chopp gelado. E foi em uma dessas reuniões para cultuar a skol gelada que ouvi essa aventura do Claudecir.

Aos domingos, Claudecir toca violão ou teclados na missa. Nos outros dias da semana, dá aulas de música e canta pelos bares da vida. Cotidiano de artista no Brasil é isso aí.

- Cara, você não sabe o que me aconteceu - ele começou e eu sabia que teria pano pra manga.

- Peraí, um minutinho. Garçom, traz dois chopps. Pronto. Conta o seu drama - história contada a seco não tem a menor graça.

- Sabe a missa de ainda há pouco?

- Sei, Claudecir, eu estava lá.

- Você reparou na garota de vestido azul na primeira fila?

Garanto que azarar as gatinhas não é a minha intenção na igreja, mas uma olhadinha de leve e sem maldade pode rolar. Deus perdoa.

- Não, não reparei. O que tem ela?

- Quando acabou, eu estava desmontando o equipamento e percebi sua aproximação. Nem era tão bonita, mas tinha um corpaço.

Em tempo, Claudecir é um sujeito boa pinta, voz aveludada e jeito de menino tímido lá de Barbacena.

- E aí?

- Eu estava abaixado e meus olhos estavam na altura das suas coxas.

- Minhas coxas?

- Não, animal, dela. "Coxas dela" soa feio. É quase um cacófato.

- Continua.

- Então, ela chegou perto e eu levantei. "Oi", ela disse. Eu cumprimentei de volta e ela nem fez rodeios mandou na lata.

- O que ela mandou na lata?

Fiquei tenso.

- Ela disse: "se você canta assim aqui, imagina no motel".

Eeeeeita!




QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinhos, interinamente continuo por aqui. Como Esqueleto e seus comparsas estão em passando uma temporada em Búzios, isso aqui anda um marasmo. Bom, sobre a história de Claudecir, não me espanto. Por mais que as religiões tenham um nobre objetivo espiritual de engrandecimento e perfeição, seus praticantes são pessoas de carne, osso e libido. Eu, príncipe de Etérnia e alter ego do Homem mais Poderoso do Universo, faço uma afirmação nesse tema tão rico e delicado: Deus nos deu a vida para ser vivida plenamente. Que nossa história seja escrita de uma forma legal. Acho que isso é a melhor forma de honrar o Papai do Céu. Puxa, estou até admirado com minhas palavras. Amiguinho, seja organizado e arrume seu armário de tempos em tempos. Até a próxima.

7 comentários:

Bibi disse...

Quando eu digo que a mulherada está atacando sem dó nem piedade, as pessoas não me acreditam.

Mas eu conheço vários jovens que só vão à igreja com o intuito de conhecer pessoas. E tem algumas denominações que fazem dos cultos quase uma 'night'.

Bjs!

marcia disse...

É preciso ter muita coragem pra mandar uma dessas pra alguém que vc nem conhece, num ambiente como uma igreja...Vai ver foi algum tipo de aposta...rs

Bruninha disse...

Fui testemunha dessa rodada de chopp!!! rs..
Tem cada uma !!
O blog como sempre está demais.
Beijinhos!!

Surfista disse...

BIBI, ir à igreja pode ser um evento social. Buscar um desenvolvimento espiritual não quer dizer que o cidadão tenha que virar um monge franciscano.
MARCIA, bom, se houve um histórico anterior, eu desconheço. Minha fonte não revelou esse fato.
BRUNINHA, bem-vinda de volta. E tem gente que acha que eu invento essas histórias. Obrigado pelo elogio!

Anônimo disse...

Meu Bom,

E isso não acontece somente na religião católica não.

Há muito tempo (e bota tempo nisso), conheci umas meninas "carolas", com saias até o tornozelo. Depois que descobriram o mundo (ou os tornozelos), passaram a arrepiar a égua em qualquer templo.

Quem é muito preso na infância, quando se liberta não há Divino que segure a criança.

Fala aí Surfista!

Abs

O Noivo

Bridget Jones disse...

Mas olha...ficou uma dívida:

O tal do Claudecir, aceitou sair com a amoça, fou com ela pra Bat Caverna, fez um freela, deu uns bicotes?????

Conta aa história toda, né?

Surfista disse...

NOIVO, aquela que nunca comeu melado, quando experimenta se lambuza toda. Eu também conheci moçoilas desse molde. Quem sabe eu conte essa aventura um dia.
BRIDGET, ahhh, esse que é o lance. Conto até a página dez. Daí por diante deixo à livre imaginação dos leitores. Fantasie, minha cara, fantasie...