terça-feira, 6 de abril de 2010

Ossos do ofício

Lá pelos 13 ou 14 anos de idade, descobri os tais filmes de saliência. Assim como eu, a molecada da rua também se interessou em descobrir mais sobre as produções de vuco-vuco. Uma das programações preferidas da turma de adolescentes espinhentos (incluindo algumas amiguinhas que se aventuravam a nos fazer companhia) era assistir alguns filminhos em grupo – com direito a debate e comentários sobre os melhores momentos.

Era como se fosse uma mesa redonda de futebol, mas dedicada às produções de sacanagem. A diferença é que neste caso a bola nunca entrava.

- Ser ator pornô deve ser o melhor trabalho do mundo – comentou um dos meninos.

A nossa base de análise eram sempre as produções americanas cheias de loiras peitudas, magrinhas, com cabelos armados e franjas esquisitas. Era uma carreira artística que dispensava anos de estudos das artes cênicas. Pois é, isso realmente despertava os nossos pensamentos e parecia um bom plano de carreira: comer várias garotas e ainda ser paago por isso.

O tempo passou, eu cresci e cheguei à conclusão de que não seria um emprego tão maneiro assim por alguns fatores:

Fator muvuca: imagina você ter que acasalar cercado por uma pequena multidão: tem operadores de câmeras, iluminadores, contra-regras, fotógrafos, maquiadores, diretores, assistentes, produtores e, se bobear, até estagiários. Toda equipe tem estagiário. Por que uma equipe de produção de filme de safadeza não teria um? Acho até mais adequado que um figurinista.

Fator diretor: você está lá se concentrando para botar as mãos à obra (bom, não necessariamente as mãos) e tem um desgraçado dando pitacos. "Levanta a perna", "revira os olhinhos, meu bem", "pára, pára, que vou fazer um close", "tá faltando amor nesta cena. Vamos fazer de novo". Ah, vá para o inferno, pô!!!

Fator inesperado: uma coisa é contracenar com loiras americanas de busto avantajado. Outra coisa é o cast nacional. Já pensou em chegar para trabalhar e o diretor impiedoso informar "hoje você vai trabalhar com a Rita Cadilac"? Ou pior "hoje você vai trabalhar com a Gretchen". Ok, ok... mas dá para tomar umas pílulas antes?

Vamos combinar, é muito engraçado usar o termo contracenar no ambiente dos filmes eróticos.

Fator frustração: a atriz está urrando de prazer e você se sente o imperador dos orgasmos múltiplos. De repente, o diretor (ele, de novo) grita "corta!". A moça se desatarracha, veste um roupão e vai tomar um cafezinho enquanto lê a revista Caras. Ué, cadê o frenesi? Cadê aquela reação enlouquecida? Neste meio, você tem que saber lidar com o faz de conta e ficar numa boa. Bom, pelo menos não há ilusão. Ou tu vai me dizer que uma mulher nunca simulou contigo? Sei, sei...

Fator vergonha: o jantar de Natal está preparado e a sua tia lá do Tocantins vem te ver depois de muitos e muitos anos. "Você está trabalhando com o quê, meu filho?". "Então, tia, sou ator". "É mesmo? Que novela você fez?". "Não faço TV. Só cinema de tarja preta". "Como assim? Filmes sobre drogas?". "Não, tia, filme de sacanagem mesmo". E o pior: como arrumar uma namorada compreensiva e liberal?

E você, encararia este emprego?

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, que história é esse de vários adolescentes juntos vendo filmes de saliência? Hmmmm, que estranho. Enfim, cada profissão tem seus prós e contras. O ofício do ator pornô não é diferente. He-Man, com seu corpo invejado e seu sex-appeal inconfundível, já recebeu vários convites para estrelar uma produção dessas, mas recusou a todos. Sabe como é, né? Depois da espada de Greyskull, a indústria cinematográfica jamais seria a mesma. Amiguinho, evite várias tomadas ligadas em um mesmo benjamin. Até a próxima!!!

11 comentários:

RUInaldinho disse...

"Amiguinho, evite várias tomadas ligadas em um mesmo benjamin."

Isso me lembrou o
Fator DP: e quando você contracena não só com uma 'atriz', mas com outro 'ator' na mesma cena? Hehehehehe

Abraço, Surfista!

Surfista disse...

Putz, é verdade. Imagina correr o risco de roçar com outro barbudo. Esqueci desse fator profissionalmente desestimulante. Bem lembrado!

Contorcionista disse...

Surfista, tem o Fator Parente: já pensou se aparece pra contracenar com vc a tia, a cunhada, a madrinha, a sobrinha...

Maria disse...

não, isso não serve pra gente romântica como a gente, hehehehe

vc imagina que um amigo, muito amigo mesmo, me convidou outro dia pra ir numa casa de swing, nem que fosse só pra ver (ou pra mostrar, rs) - na verdade ele queria "me usar" porque rola uma parada nos lugares melhores de homem não entrar desacompanhado.

ok, com todo respeito de quem curte, depois que acaba veste a roupa e vai embora, é assim?

dá não...

Anônimo disse...

Oi Surfista
Depois de conhecer os filmes de saliência, quando foi que você conheceu as casas de tolerância?
Brincadeira, não precisa contar. Ou se quiser, pode contar sim! Renderia um belo post.
Se fosse verdade, claro.
Beijo
Lyla

Mulherzinha Sim! disse...

É por isso que não curto muito filme de saliência. Para mim é tudo muito fake.

Sra. F disse...

O mais perto que eu cheguei deste mundo foi ser madrinha de casamento de um ator pornô.

A noiva sabia do "ofício", porém achou que conseguiria fazê-lo mudar de vida...

Não preciso nem dizer que não deu certo...

Quanto aos filmes de saliência, não tenho nada contra, alguns até consigo curtir...

Surfista disse...

CONTORCIONISTA, putz, ter dois membros da família neste mesmo ramo de trabalho é o cúmulo da dedicação à arte.

MARIA, sabe, acho que você entendeu mal. O seu amigo queria "usar" você de outras formas.

LYLA, minha experiência em casas de tolerância não teve graça. Entrei com amigos por curiosidade, mas não consumi o menu da casa. Na verdade, nunca paguei por tal serviço.

MULHERZINHA, tem gente que gosta por ser fake.

SRA F, caramba! Madrinha de ator pornô? Sensacional! Você pode contar mais?

Mariah disse...

locaçao selvagem...você mandando ver na Rita Cadilac e os pernelongos literalmente comendo sua bunda!

Sra. F disse...

Surfista, não tenho muito o que contar deste caso. Na época em que fui madrinha não sabia do ofício do noivo. Só soube depois que eles já estavam separados. O que sei é que antes de casar com essa menina, ele viveu durante uns anos com uma atriz pornô. A relação deles era bastante "passional", apesar de ambos trabalharem com a mesma coisa.

O mais engraçado da história é que, depois de algum tempo, meu ex achou uma fita pornô guardada entre as suas coisas, e quando fomos dar uma olhada nela adivinha quem aparecia contracenando?

Surfista disse...

MARIAH, Rita Cadilac é um fator desestimulante à profissão. Dentro da sua descrição, os mosquitos são secundários.

SRA F, pornô nacional dos tempos de VHS? Medo, hein?