segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Isso não vai prestar – A história do meu 1º porre na Irlanda

Mais ou menos, às 20h de sábado, saí de casa para uma festinha na casa de um dos amigos irlandeses da minha namorada. Até aí, tudo bem. O que ferrou tudo é que eu tinha tirado a tarde para dormir e fiquei de estômago vazio por horas e horas. Vamos combinar: tudo começou errado.

Aliás, irlandeses são muito sociais. Beber é o seu programa favorito. Beber em casa e com os amigos é o programa ideal.

A casa do Valdomiro, o nosso anfitrião, ficava em um bairro muito agradável. Várias casinhas enfileiradas com cercas de madeira e pequenos jardins à frente. Tudo muito europeu.

A noite estava estrelada e fazia um frio insano. Talvez uns 2 ou 3 graus. Dentro da casa, posso dizer que o clima estava pegando fogo. Na sala de estar do Valdomiro, uma mesa com umas 20 garrafas variadas recepcionava os convidados. Eram muitas garrafas de vinho, alguns Martinis, uma Smirnoff e outras que não identifiquei. Também havia uma grande jarra de Sangria. Na geladeira, algumas Heinekens e Carlbergs. Para beliscar, um tipo de Doritos com chili. Os convidados que iam chegando, também traziam mais bebida.

Isso não vai prestar...

A calefação da casa do Valdomiro deixava o ambiente bem aconchegante. As pessoas também eram simpáticas. Cinco minutos após chegar, eu já estava com uma taça de vinho tinto na mão e conversando com um médico de Bangladesh.

A taça virou duas, que viraram três, que viraram quatro, que viraram uma dose de Martini, que virou um copo de Sangria. Por algum passe de mágica, minha taça nunca estava vazia.

Cadê os Doritos? Isso não vai prestar...

Logo, eu estava ouvindo as aventuras de um irlandês no Carnaval do Rio em 2008. Ouvindo piadas, histórias diversas.

Meu inglês nunca esteve tão bem... quer dizer, eu acho.

Subitamente, os fatos começaram a ficar vagos em minha memória. Vejamos o que lembro e que foi confirmado por testemunhas:

1. Brindei em polonês com uma polonesa.
2. Arrisquei algumas palavras em alemão com uma alemã.
3. Uma espanhola me contou uma porção de coisas (em espanhol).
4. Conversei alguma coisa com um senhor de idade que brotou na festa.
5. Eu dancei na cozinha com uma menina sueca... ou norueguesa... ou finlandesa. Sei lá, uma viking.

Olha, de todo coração, essa é a parte que mais me envergonha. Cara, eu dancei alguma coisa com uma escandinava, teoricamente, um povo tímido.

Percebi que estava ruim, me apeguei ao meu fiapo de consciência e corri para o banheiro. A garota polonesa chegou antes e fez um belo estrago. Mantive a sobriedade e me lembrei do jardim do Valdomiro.

Minutos depois, sentei em um banquinho e botei para fora todo o álcool que estava no meu estômago. Nesta hora, meu anjo da guarda lembrou de mim e minha namorada surgiu sabe-se lá de onde e ficou ao meu lado com um copo d'água.

Isso não vai prestar...

- Much better! Much better! – eu dizia.

- Fala em português, pô.

- No. Don't worry. I'm much better now. Much better.

- Vamos entrar. Tá muito frio aqui.

- No. It's not cold.

Caceta, não estava frio? Devia estar uns 2 graus negativos e ainda ventava. Fazia um frio absurdo e eu estava de camiseta e jeans. Bêbado não sente nada mesmo.

Pelo que lembro, sentei em um sofá e fiquei me concentrando para não ficar com cara de alucinado. Depois, vi alguns flashes: Valdomiro chamando um táxi. A viagem até em casa. Andar até o apartamento. O pijama e a cama. Game over...

Acordei no dia seguinte com uma vergonha lascada. Pelo que soube, ninguém presenciou a minha desgraça no belo jardim irlandês do rapaz. Reencontrei o povo depois e, pelo que soube, cada um tem algo a esconder. Só não encontrei a polonesa que estava na mão do palhaço.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, não creio que você ainda se presta a esses vexames. Mais de 30 anos na testa e ainda se comporta como um calouro. Vou te contar, hein? Nem com a minha gloriosa ajuda, você se emenda. Repita comigo: se vai encher o pote, encha o bucho antes. Forre o estômago e beba muita água durante a bebedeira. Amiguinho, tenha sempre moedas para facilitar o troco. Até a próxima!!!

7 comentários:

disse...

Rolando MUITO de rir aqui diretamente do Brasil... Vai com calma surfista!

Surfista disse...

Putz! Vexame, né? Marvada pinga!

Thaís Alves disse...

hahahahahha nossa, muito me parece com algumas de minhas antigas aventuras com meus amigos do mundo do "couch surfer". É impressionante como conseguimos entender e falar diferentes idiomas, com um nível elevado de álcool, né? Acho que a moral da sua história deveria ser essa: incluir álcool nos cursinhos de idiomas, com o nome, aí sim, curso intensivo! rsrs

Maria disse...

Tão digno quanto eu contar no meu blog que o meu vestido subiu em plena sala de aula.

Mas, tudo bem, pileque na Irlanda tem que ser histórico, né?

Surfista disse...

MARIA, somos dois sem-vergonhas!

Vulgo Dudu disse...

Dougra, você estava "dançando na cozinha com uma escandinava"? É isso mesmo?

Abs!

Surfista disse...

VULGO, errrr... bem... estava.