quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Maldito Pato Donald

Depois de um mês e pouco de blog, fiz algumas descobertas interessantes. A primeira é que o brinquedo é excelente. A segunda é que me dedicar a esse espaço abriu meus olhos para outros diários de diferentes estilos. Um dos meus favoritos é o das Exterminadoras de Hélios, que tem textos deliciosos sobre as peripécias de duas solteiras no Rio de Janeiro. Bom, esse merchandising 0800 tem um razão. Um dos posts de lá me fez lembrar de uma das arapucas que um homem com mais de 20 anos pode cair: ir a um festa à fantasia na serra vestido de Pato Donald.

Aos 44 do segundo tempo, Renato não tinha mais escolha: ou aceitava ou abortava a missão. Como era um guerreiro da linhagem do Conan, o Bárbaro, ele topou a última fantasia da loja. Só sobrou o figurino do Pato Donald e o traje era completaço: roupa de marinheiro, máscara cabeção-style e aquele quadril largo do personagem. Tinha até um rabo de penas.

- Olha pelo lado bom, cara. Você vai ser visto como um cara simpático - tentei animar o Renato, mas ele não achou a possibilidade de ser simpático uma boa. Como não tinha remédio, foi assim mesmo, à la Pato Donald.

No começou, ele estava visivelmente envergonhado com o raio da roupa, mas nada que umas três doses de birita pesada não o fizesse abstrair. Depois de uma hora de festa, Renato estava tão à vontade quanto os Zorros, Don Juans, Batmans e demais fantasiados estilosos.

Aliás, pausa para uma reflexão. Por mais que seja bem-humorado, o cidadão que vai fantasiado de cone não pode achar que vai pegar caminhões de mulheres. As moçoilas que freqüentam essas festas querem mesmo é a materialização de suas fantasias sexuais. Eu já me fantasiei de oficial da marinha e sei que o impacto é outro. Estou mentindo?

E seguiu a bola rolando.

Perto do fim da noite, Renato tinha se dado bem com uma penca de Tiazinhas, Pedritas, enfermeiras, policiais e até com uma faxineira. Acho que essa não estava fantasiada e sim a serviço. Bom, o Pato Donald fez sucesso, afinal de contas.

Do jeito que estávamos, a gente agarrava até árvore de decoração. Mas, com o sol raiando e o álcool em excesso no sangue, decidimos voltar para o hotel. Renato pediu para ir ao banheiro antes.

Juro que não sei se ele demorou ou a gente estava sem muita noção, mas o que importa é que fomos embora e o Pato Donald ficou. A partir daqui, o depoimento é segundo informações do Renato e duvido que ele tenha mentido.

Depois da quinta vez, meu companheiro de empreitada aprendeu a se virar com o quadril felpudo da fantasia e fazer xixi sem se enrolar. A operação levava um tempinho, mas nada de mais. Assim que ele voltou, mais aliviado, por sinal, percebeu que não estávamos no ponto de encontro. Procurou por todo o local e nada.

Quando ele dizia nada era nada mesmo. Até os seguranças estavam indo embora. Percebendo que estava na roubada, Renato decidiu pegar um táxi para o hotel. Nessa hora, sentiu que a furada era maior que ele pensava.

Se a festa era com tudo liberado, por que carregar a carteira? O rapaz estava sem um centavo no bolso.

E como Murphy estava fazendo hora-extra, nenhum táxi queria se arriscar a transportar o Pato Donald manguaçado só na base da confiança. Não havia mais o que fazer.

Xingando nossas mães, avós, bisavós e tataravós até a geração de Adão e Eva, Renato caminhou até uma rua mais movimentada. A manhã de sábado já despontava e as vias começavam a encher de gente. Enquanto ficava sóbrio, o andarilho percebia o quanto estava ridículo na fantasia.

Em uma esquina qualquer, decidiu que iria para o tudo ou nada: iria pegar um ônibus para o centro de Petrópolis, onde se localizava o hotel. Fez sinal e o coletivo parou. Entrou e percebeu que era o centro das atenções. Não era todo dia que os trabalhadores locais pegavam a condução com o Pato Donald.

- Olha só, trocador, estou sem dinheiro. Dá uma moral e me deixa passar por baixo da roleta - Renato pediu quase com lágrimas nos olhos.

- Não vai dar, não, parceiro.

- Pelamordedeus.

Diante de um homem humilhado e desgraçadamente vestido, o trocador ficou na dúvida.

- Deixa o Pato passar - gritou uma velhinha. Outros apoiaram e o trocador se sensibilizou.

- Passa logo, antes que eu me arrependa.

Renato passou com muito sacrifício, pois o pandeirão ficou preso sob a roleta. A velhinha ajudou e ele conseguiu rastejar.

Suado, humilhado e sujo, mas sóbrio, Renato parou no ponto perto do hotel. Caminhava com passos cansados e mal via a hora de estrangular cada um de nós. Quase na porta do local, ouviu alguém o chamando. Um Fusca parou pertinho dele e abriu a janela ao lado do carona.

- Ô, você aí! - gritou um gordinho de dentro do carro.

Renato nem respondeu. Desconfiadamente, apenas virou para o motorista.

- Pato filho da puta! - o motorista gritou realçando todos os fonemas da frase. Depois, arrancou e deixou em seu rastro uma risada diabólica.

Renato não acreditou. Ficou com medo de que algo pior pudesse acontecer e correu para o hotel. Chegou tão cansado que nem chegou a esboçar seu ódio nos sufocando com o travesseiro enquanto dormíamos. Na verdade, ficou de mal, mas voltou a falar comigo e com meus cúmplices depois de alguns dias. Só não ri da história.

Daquela aventura, lembro mais dele chegando ao quarto e capotando na cama sem trocar de roupa. Durante seu sono, ele alternava roncos com uma reclamação constante.

- Maldito Pato Donald.


***

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, que coisa feia deixar o coleguinha nesse mato sem cachorro. Se fosse comigo, eu enfiaria a minha Espada de Greyskull em partes anatomicamente compatíveis do seu corpo. Mas, já que foi feito, tente aprender com essa aventura. Em uma festa à fantasia, seu traje definirá exatamente suas perspectivas da noite. Usar aqueles clichês do Don Juan, Zorro, bombeiro, dominatrix, médica e aeromoça (essas últimas, eu adoro), entre outras, já definem que você está na pista pra negócio. Optar por fantasias de boneco do posto, girafa, atendente do MacDonald’s, poste ou Presidente Lula dificultará sua missão de farpar o sexo oposto. Você será apenas engraçadinho. Seja lá qual for a sua intenção, seja coerente e divirta-se. Amiguinho, não seja egoísta e procure dividir seus brinquedos e balas sempre. Até a próxima!

11 comentários:

Vulgo Dudu disse...

Como diria Tiririca: fatárdigo! Isso dá um belo curta, hein Dougra?

Abs!

Gabi disse...

Nossa!
tadinho do menino.. rss

eei, adoreei seu blog e como sou compulsiva já li 9502950205 posts, parabéns!

beeijos ;*

gahfarias@gmail.com

Bob disse...

Ei Surfer! Vim parar no seu blog através de um link das caçadoras de hélios. Lá eu tinha lido sobre essa festa à fantasia. É no interior do Rio? Parece ser divertido. Como é o esquema lá? Quando vai ter o próximo? Sou de SP mas de repente vou visitar ;-)

rics disse...

putz, fazia tempo que não ria lendo um blog. Lazarento dum pato donald! hahaha

Du disse...

huhahuau... vc n riu, mas eu to RACHAAANDO!

magina q coisa +++ sem nexo.. parecendo akel povo q trabalha em trenzinho infantil voltando pra ksa... digno d sonho surreal! hauhauhauh. Nem sei ql a cena + engraçada: ele entalado embaixo da roleta, chegando na rua movimentada... enfim, várias dignas de nota kkk

kem sabe ano q vem ele n vai vestido de "bola 8"???

Surfista disse...

VULGO, você tem olhar de cinema para essas coisas, mas concordo contigo.
GABI, que bom que gostou. Você não sabe o quanto eu me divirto escrevendo. Seja sempre bem-vinda.
BOB, esses eventos rolam na serra e são no esquema open-bar. As mais famosas são as de Petrópolis (Petrô Fantasy) e Teresópolis (Terê Fantasy). Faz uma pesquisa no google para maiores detalhes, pois eu me sinto velho demais para essas presepadas serranas. Mas acho que vale pelo menos uma chegada pra conferir.
PAPAI RICS, que prazer receber sua visita. Você é um incentivador das antigas. E viva o roquenrol!
DU, eu ri. Quem não riu foi o Renato. Por quê será? A casa é sua.

Muitas das minhas visitas vêm das Exterminadoras. Devo pagar comissão???

TODOS, obrigado pelas visitas, sejam elas com pitacos ou não. O que importa são seus olhos atentos.

Bibi disse...

Ora, ora... obrigada pela citação querido!

Bom ver que nosso blog tem te dado acessos. No meu caso, recebo muitas visitas do Manual do Cafajeste... Bom, mas ali naquela área do blog só entram escritos que eu leio mesmo e aprovo. Me sinto em casa aqui. Acho que seu blog é total a versão masculina do meu, sabia?? rs

Sério, ri mto quando li esta história hoje mais cedo. Genial! Mas que vacilo de vcs esquecerem o amigo!!!

Olha, dica pros moços que me lerem: é melhor passar no Saara e improvisar um Zorro ou um índio do que ir de Pato Donald... rs

Eu gosto mesmo é de me fantasiar de anjo, fada... sei lá, gosto das asinhas, rs Mas no meu aniversário fui de Carmem Miranda (esta sim uma linda fantasia alugada, toda preta e branca) e já me fantasiei algumas vezes de Marilyn Monroe. Embora eu saiba que ela foi uma p*** (rs), sem dúvida Marilyn é meu maior exemplo de sensualidade. Acho lindo, sexy, mas ao mesmo tempo nada vulgar.

Ah sabe uma das melhores fantasias que eu vi na Terê este ano??? Pai de Santo. Só que ele tinha um cartaz: TRAGO A PESSOA AMADA EM 10 SEGUNDOS. Mto bom!!!!!

NOOOOOOSSA, ESCREVI DEMAIS!!!! rs
Beijo e bom fds!

carlamorim disse...

Ao sair do banheiro e não encontrar os 'mui' amigos, o pato deve ter pensando: ô zebra!

Muito, muito bom!!

Surfista disse...

BIBI, a casa é sua. Também me amarro nos seus escritos.
CARLA, foi sem querer. Salvou-se a amizade e a história.

Renata Victal disse...

ahahaha será que conheço este pato? depois me conta. Algo diz que sim. bjs

Surfista disse...

RENATA, o que deve surpreender os leitores é que toda história tem sempre uma testemunha. Provavelmente, você conhece esse Pato.