domingo, 21 de novembro de 2010

Saudade de casa

Qual foi o maior período que você ficou fora de casa? Um mês? Três meses? Um ano? Estou longe do Rio de Janeiro há 45 dias, mais ou menos, e já sinto um aperto no coração sempre que lembro que estou a quase 5 mil quilômetros ou 12 horas de distância. E como os dias do inverno irlandês são curtos (tipo, às 16h30 já é noite), o sentimento fica ainda mais forte.

Dublin é uma cidade bonita, o povo é simpático, já me acostumei com o frio e o curso que faço é ótimo, mas... não é a mesma coisa. Enquanto sinto este banzo, fico atento às histórias de outros brasileiros que também estão longe do colo da mamãe. São pessoas que não pisam no país tropical há 2, 3 ou até 5 anos.

Momento glossário: banzo é a depressão que os negros escravos sentiam quando estavam longe da África.

Um rapaz vive em Dublin há 3 anos e não vê a própria família desde que embarcou para a Europa. Outro está por aqui há iguais 3 anos, mas já recebeu a visita dos pais há alguns meses e consegue segurar a onda melhor. Uma moça que trabalha em uma loja de Milk-shake está na Irlanda há 1 ano e 6 meses, mas já faz contas para voltar para São Paulo em abril de 2011. E por falar em voltar, tem uma moçada no meu curso que está enlouquecida para entrar em um avião se mandar para o Brasil.

Eu ainda não cheguei a este ponto. Estou focado em meus objetivos: concluir os meus estudos, ganhar experiência profissional internacional e mochilar pela Europa - os três alvos estão diretamente ligados. Mas confesso: sinto falta de usar roupas leves, de tomar mate, de jogar pôquer com os amigos, dos churrascos dominicais, de assistir o Telecine, de pagar pouco por uma lata de cerveja, de tomar açaí com morango e granola, de ver o Flamengo jogando ao vivo, de abraçar minha família...

Vida que segue.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, pense pelo outro lado da moeda. Você não sofre com trânsito, violência, cambistas safados, sequestros-relâmpagos, Val Baiano, calor sufocante e sua mãe tirando as suas coisas do lugar. Aprenda, pequeno jedi, tudo na vida tem compensações – por mais estranhas que pareçam. Não há tristeza infinita ou alegria que não termine nunca. Vai por mim, pois tenho muito mais anos de praia e Etérnia que você! Amiguinho, ajuste o seu despertador de um forma que ele desperte apenas você e não a vizinhança. Até a próxima!!!

4 comentários:

Vulgo Dudu disse...

Isso é o que eles chamam de homesick. Não passa assim de repente, mas melhora com o tempo... O segredo é manter a cabeça ocupada.

Abs!

Sandro Ataliba disse...

Ver o Flamengo jogar, atualmente, é algo que você realmente não está perdendo.
O resto, como "o He-man disse", tem seu lado bom. Você foi embora na melhor hora, pois, com as obras da Copa, e depois das Olimpíadas, e a tão famosa eficiência das nossas empreiteiras, imagine como não está o Rio.
Curta a Europa enquanto estiver por aí.
Abraço!

Anônimo disse...

Surfista:

Saudades dos amigos... Mas pra você sentir falta das coisas, você precisa vivenciá-las...
Vai sentir saudades da Irlanda, quando voltar...
Beijos


Aninha

Casa de Mariah disse...

na verdade verdadeira: a gente nunca se sente totalmente satisfeito, em lugar nenhum. a incompletudo comum a todo ser humano.